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Um dos principais canteiros de obras e investimentos do país, o Porto de Suape, no litoral sul de Pernambuco, em uma região formada por municípios que durante séculos tiveram a paisagem dominada por canaviais, enfrenta a precariedade de infraestrutura. Isso se reflete todos os dias na BR-101, onde as cerca de 70 mil pessoas que trabalham no complexo testam a paciência nos gigantescos congestionamentos ao longo do trajeto de 50 km entre Suape e Recife. Uma pesquisa encomendada no ano passado ao Ibope aponta que 172 mil empregos serão gerados na região do porto até 2017, o que torna ainda mais desafiadora a missão de acomodar tamanho contingente de pessoas.

Antes mesmo de conhecer os números da pesquisa, o grupo pernambucano Moura Dubeux já trabalhava em um grande projeto para povoar a região. Com a presença de empresários e autoridades políticas, o grupo promoveu ontem o lançamento da Convida, empresa especializada no desenvolvimento de cidades planejadas. No evento, foi apresentado projeto de R$ 6,5 bilhões para o município do Cabo de Santo Agostinho, um dos sete que integram o chamado "território estratégico de Suape". Em outubro deste ano começam as obras de uma cidade planejada com dez bairros e capacidade para receber até 100 mil habitantes, número que representa 55% da população atual do Cabo de Santo Agostinho, onde vivem 185 mil pessoas.

Dividido em quatro etapas, o projeto ocupará uma área de 470 hectares adquirida em 2011 pela Cone S.A., especializada em aluguel de galpões e serviços para indústrias, também controlada pela Moura Dubeux, que detém 2,3 mil hectares no entorno do porto de Suape. Marcos Roberto Dubeux, presidente da Cone e da Convida, diz que a expectativa é que 25 mil unidades habitacionais sejam construídas até a conclusão da cidade planejada, prevista para 2022. O preço dos imóveis, segundo ele, vai variar de R$ 70 mil a R$ 500 mil. "Estamos conversando com os presidentes das empresas instaladas em Suape para definirmos melhor o perfil do freguês".

O objetivo da obra é criar uma alternativa para o crescente número de pessoas que trabalham no Complexo de Suape e moram no Recife. Os trabalhadores que chegam de outros Estados e países também integram o público-alvo. Da área total, 210 hectares serão reservados para a parte residencial, ficando o restante dividido entre edifícios empresariais, institucionais, universidades, escolas e áreas de lazer. As primeiras unidades serão construídas pela própria Moura Dubeux e devem ser entregues em 2014.

A empresa, entretanto, não pretende tocar sozinha o projeto. No evento, estiveram presentes os principais incorporadores imobiliários de Pernambuco, que poderão comprar áreas e desenvolverem seus próprios empreendimentos, sujeitos a algumas regras. É proibido, por exemplo, comprar um terreno e deixá-lo parado, à espera de valorização. "O nome da empresa não foi escolhido à toa. Estamos convidando outros agentes para participar, pois é um projeto muito grande. Fazer uma cidade planejada é necessária uma coalizão", explicou.

A parceria busca também bancos para financiar o investimento bilionário. De acordo com o executivo, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú BBA, Banco do Nordeste e até o Banco Mundial, por meio de seu braço privado, se comprometeram a desenvolver operações estruturadas para as empresas interessadas em investir no empreendimento. A Convida também irá buscar dinheiro no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para as obras de mobilidade urbana previstas no projeto.

expectativa é que as obras de infraestrutura da primeira fase possam ser pagas com dinheiro de um fundo de investimento em criação em parceria com o Banco Gerador, de Pernambuco. Lastreado em ativos imobiliários, o fundo será gerido por Antonio Carlos Correia, ex- BTG Pactual, e estará disponível para investidores pessoa física a partir de 15 de junho. Os executivos da Convida esperam que o potencial do projeto, aliado à queda dos juros no país, atraia o interesse de investidores para o fundo, que poderá captar até R$ 100 milhões e será isento de imposto de renda. Tem investimento mínimo de R$ 10 mil.

Os investimentos públicos e privados no complexo de Suape somam cerca de US$ 25 bilhões.

Fonte: Valor Econômico/Por Murillo Camarotto | Do Recife

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