Custos em alta, preços menores e margens menos folgadas. A 20 dias do início do plantio de soja em Mato Grosso, o horizonte para os produtores do Estado é menos promissor que o dos últimos anos nesta safra 2013/14. Mas, mesmo que as recentes valorizações derivadas de adversidades climáticas nos Estados Unidos percam fôlego e a tendência de queda volte a dar o tom nos mercados, o quadro ainda é positivo e uma nova colheita recorde está por vir.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação da agricultura e pecuária do Estado (Famato), o plantio de soja, que começará em 15 de setembro, cobrirá 8,278 milhões de hectares na nova temporada, 4,9% mais que em 2012/13. Com uma produtividade prevista pelo órgão de 51 sacas de 60 quilos por hectare, ante 50 no ciclo passado, a colheita deverá render 25,279 milhões de toneladas, um aumento de 7,2% na comparação. Se confirmadas, área e produção serão as maiores já registradas.

São projeções que mostram que o agricultor não pretende tirar o pé do acelerador. "Com os bons preços dos últimos anos, os produtores estão capitalizados e já fizeram investimentos, ampliando a área plantada. Mas, diante das atuais incertezas, temos que lembrar que isso não se sustenta no longo prazo. O governo também precisa investir. Do contrário, perderemos força em produção e inovação", diz Carlos Fávaro, presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja).

Fávaro reconhece que, diante dos custos mais elevados e das incertezas sobre os preços, a valorização do dólar em relação ao real se torna uma arma. "Pode ser favorável se a tendência se mantiver assim até a colheita. Mas também pode ser um desastre se o produtor comprar os insumos caros e o dólar cair e ele perder essa diferença na venda da soja". Daí porque muitos produtores que recorrem a vendas antecipadas das colheitas futuras fazem hedge cambial.

Outro problema que deverá voltar a assombrar o setor produtivo em 2013/14 será o escoamento das colheitas, principal problema no Estado em 2012/13. "Além da lei do caminhoneiro, temos diversos problemas provocados pelas faltas de infraestrutura e de portos fora do eixo Sul-Sudeste. Isso avançou muito pouco de um ano para cá", afirma o dirigente.

Mas, se a tendência de queda das cotações dos últimos meses for interrompida pelas atuais adversidades climáticas no Meio-Oeste americano - muito menos graves que as de 2012/13, que derrubou sobretudo a colheita de milho do país -, os agricultores poderão se preocupar menos com as contas. Na semana passada, por exemplo, a soja subiu em quase todos os municípios do Estado. O destaque foi Canarana, no leste mato-grossense, onde a alta chegou a 12,3% e a saca foi negociada a R$ 55,10.

Outro fator que continua a oferecer liquidez ao mercado e sustentação às cotações, internacionais e domésticas, é a demanda da China, que segue firme e nas últimas semanas totalizou quase 3 milhões de toneladas.

Mesmo assim, o presidente da Famato, Rui Prado, reforça que o momento não é bom, apesar da tendência de as margens ainda serem remuneradoras. Ele também afirma que os investimentos cresceram, com destaque para os aportes dos pecuaristas. "O aumento de área plantada de soja se dará, principalmente, em áreas de pastagem que estão se transformando em agricultura, já que a pecuária não está remunerando bem", afirmou.

No caso do milho, cujo plantio em Mato Grosso é concentrado na segunda safra, depois de colhida a soja, o cenário ainda é translúcido. O avanço do Estado na produção do cereal nas últimas safras chegou a interferir no eixo do comércio global, a ponto de afetar a demanda pelo produto americano no início deste ano. Mas, em 2013/14, se a tendência de queda de preços prevalecer, a estrela da segunda safra poderá voltar a ser o algodão - que, por enquanto, promete remuneração melhor.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada de milho na "safrinha" do Estado foi de 3,349 milhões de hectares, 26,6% maior que em 2011/12, e a produção chegou a 19,210 milhões de toneladas, aumento de 27,8% na comparação. Só que os preços recuaram e o governo federal começou a intervir no mercado para tentar segurar a rentabilidade dos produtores.

Em 2013, já foram realizados quatro leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). O último deles foi em 20 de agosto. No total, foram 4,83 milhões de toneladas comercializadas, com um custo de R$ 264 milhões. O governo anunciou a realização de leilões com a equalização de até R$ 700 milhões para apoiar o mercado nacional de milho.

Também nesse mercado as cotações estão pressionadas pela recuperação da produção nos EUA, mas as atuais adversidades climáticas naquele país também interromperam a curva de baixa. Pelo menos temporariamente, como aponta a maior parte dos sinais ligados aos fundamentos de oferta e demanda disponíveis.


Fonte: Valor Econômico/Tarso Veloso | De Brasília

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