O príncipe Khaled Bin Al Waleed, integrante da família real da Arábia Saudita, analisa oportunidades de investimento no Brasil nas áreas de infraestrutura, mineração, óleo e gás, logística e energia. Hoje o príncipe Khaled visita o Espírito Santo. No Estado, um grupo de empresários desenvolve o PetroCity, porto com investimentos totais estimados em R$ 2 bilhões. O projeto está previsto para entrar em operação em 2016 e vai atender a indústria de petróleo e gás. Situado em São Mateus, 200 quilômetros ao norte de Vitória, o terminal portuário poderá ter como um dos acionistas a holding KBW, controlada pelo príncipe.

"PetroCity é de particular interesse para nós. Está alinhado com nosso interesse de investimento e especialidade, os quais estão focados em petróleo e gás, infraestrutura e logística", disse Khaled em resposta por escrito ao Valor. No mercado, há expectativa de que a KBW compre 30% da PetroCity. Khaled não confirmou. Disse que a KBW ainda está checando detalhes sobre o projeto com a ajuda de parceiros brasileiros.

Hoje o príncipe deve reunir-se em Vitória com o governador do Estado, Renato Casagrande (PSDB). A assessoria do governador não confirmou o encontro. Nery De Rossi, secretário de Desenvolvimento do Estado, disse que a possível entrada do príncipe no projeto pode ser o ponto de partida para outros investimentos árabes no Estado. Ele disse que o Estado sinalizou com benefícios fiscais para o projeto, que encontra-se na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Dos R$ 2 bilhões previstos no projeto, R$ 400 milhões serão aportados pela PetroCity. Hoje os sócios da empresa são a BRPar Venture Partners, da área de private equity, e uma empresa de projetos portuários do Rio, além de dois empresários capixabas. Essa estrutura societária deve ser alterada para dar lugar ao príncipe saudita. Outros US$ 750 milhões (R$ 1,6 bilhão) vão ser aportados por empresa que deve se instalar no porto para fazer reparo de plataformas e de outros grandes equipamentos para a exploração de petróleo no mar, disse José Roberto Barbosa da Silva, diretor-geral da PetroCity. Ele não citou o nome da empresa, mas previu que o contrato deve ser assinado em dezembro deste ano.

Em uma primeira fase, o porto vai receber investimentos na construção de píer para a atividade de apoio marítimo. Também irá investir em área em terra para instalação de condomínio metal-mecânico onde vão se instalar empresas fornecedoras de bens e serviços. "O PetroCity vai ser um grande shopping center para a indústria de petróleo e gás", disse Silva. O projeto considera a construção de um segundo píer para atender a unidade de reparo de plataformas. O porto ainda depende de licença ambiental, mas Silva disse que a PetroCity espera conseguir o licenciamento até meados do ano que vem.

Silva afirmou que o projeto foi apresentado à holding KBW como oportunidade de entrada no Brasil na área de infraestrutura. O contato com a KBW foi feito por intermédio de Fabrizio Ferreira, sócio da BRPar Venture Partners, empresa sócia da PetroCity. Ferreira também montou uma boutique financeira para representar empresas árabes no Brasil e vice-versa. "Chegamos à KBW por meio de uma parceira em Dubai", disse Ferreira.

Por email, o príncipe Khaled afirmou que a estratégia da KBW é baseada em investimentos de longo prazo com taxas internas de retorno de dois dígitos. Ele reconheceu que essa taxa varia de setor para setor. A KBW atua em diversos setores, mas especialmente em energia, óleo e gás, construção, logística, manufatura, segmento imobiliário, tecnologia e área financeira. No portfólio da KBW, está a Raimondi Cranes, fabricante italiana de gruas. A Raimondi deverá estender os negócios da empresa para o mercado brasileiro, disse Ferreira. Segundo ele, o crescimento do mercado da construção pode representar boas oportunidades para a Raimondi. A KBW também analisa negócios na área de mineração no país.

O príncipe Khaled afirmou que a KBW criou uma divisão específica para o mercado brasileiro. Ele disse que é possível que a holding crie um escritório de representação no país. Se a decisão for tomada, existe a possibilidade de que o escritório da KBW seja instalado em Florianópolis (SC), onde, segundo ele, há iniciativas para atração de investimento estrangeiro direto (IED) com base em princípios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Khaled também tem prevista uma visita à Santa Catarina antes de voltar para a Arábia Saudita, na quinta-feira.

O escritório de representação da KBW no Brasil, se confirmado, terá como funções administrar e controlar os negócios da holding no país e buscar novas oportunidades de investimento. "O Brasil é uma das maiores economias [do mundo] com grande potencial de crescimento", afirmou o príncipe Khaled. Ele disse que esta não é sua primeira visita ao Brasil, elogiou a hospitalidade dos brasileiros, e afirmou: "Esta visita é focada em olhar alguns investimentos de longo prazo, os quais nossos analistas vêm estudando há algum tempo."

Fonte: Valor Econômico/Francisco Góes | Do Rio