Quase pronto para operar

Embraport começa a se equipar para operar até 1,2 milhão de TEUs. Terminal entra em operação até o meio do ano

Até o final do primeiro semestre, entra em operação a Embraport, terminal localizado na margem esquerda do porto de Santos. O empreendimento de R$ 2,3 bilhões reúne as empresas Odebrecht TransPort, DP World e Coimex para a construção e operação do novo terminal portuário privativo de uso misto. A operação começa com 350 metros de cais e 50 mil metros quadrados de retroárea. A primeira fase do projeto tem previsão de conclusão em outubro, quando o cais somará 650 metros e a retroárea, 207 mil metros quadrados. Com essa configuração, a Embraport terá capacidade para movimentar 1,2 milhão de TEUs por ano e dois bilhões de litros de granéis líquidos.
A segunda fase do empreendimento prevê mais R$ 500 milhões em investimentos. O cais passará a ter 1,1 mil metros de comprimento e a retroárea, 342 mil metros quadrados, aumentando a capacidade anual para 2 milhões de TEUs.
Com forte ênfase em sustentabilidade, a empresa investiu cerca de R$ 12 milhões em programas sociais e ambientais que fazem parte das condicionantes do seu licenciamento. O terminal foi considerado pelo BID como destaque em sustentabilidade e foi escolhido pela consultoria KPMG como um dos 100 mais inovadores e inspiradores projetos de infraestrutura urbana do mundo. Foi o único projeto portuário selecionado. A KPMG destaca como pontos fortes o acesso direto do terminal por rodovias e sua ligação a um ramal ferroviário, o que garantirá maior agilidade e eficiência em suas operações. Essas características renderam ainda uma menção honrosa na categoria Mobilidade Urbana.

O terminal recebeu o primeiro lote de equipamentos em 15 de fevereiro — três portêineres e 11 transtêineres da chinesa ZPMC —, chegou a Santos após viagem de 61 dias a bordo do navio Zhen Hua 10. A embarcação, que tem 244 metros de comprimento e 39,35 metros de largura, saiu de Xangai, na China, no dia 13 de dezembro de 2012, e viajou mais de 20 mil quilômetros. Os portêineres têm cerca de 124 metros de altura e aproximadamente 1,6 mil toneladas. Podem operar até 80 toneladas de carga solta, cerca de 65 toneladas para dois contêineres de 20 pés ou 45 toneladas para um contêiner de 40 pés, com alcance de até a 22ª fila do navio. A previsão é de, pelo menos, 30 Movimentos Por Hora (MPH) por portêiner. Já os transtêineres possuem 25,2 metros de altura e 381 toneladas. Ao todo, na primeira fase, o terminal terá seis portêineres e 22 transtêineres.
Ernst Schulze, presidente da Embraport, destaca que os equipamentos recém-adquiridos são os mais modernos do mundo para operação de contêineres e colocarão a companhia na vanguarda tecnológica do setor.  “Nosso terminal será diferenciado e de alta produtividade, e por isso estamos investindo em máquinas de ponta, em segurança, e também na capacitação de nossos integrantes”, reforça.
O desembarque dos equipamentos foi dos mais tensos, já que o navio foi invadido por cerca de 60 estivadores inconformados pela operação ser feita por técnicos da ZPMC. Segundo a Embraport, os procedimentos foram realizados pelo fabricante dos equipamentos e seus funcionários, “conforme exigência contratual do fornecedor, aspecto esclarecido desde o primeiro momento da negociação com os sindicatos”. Após negociações, os trabalhadores desocuparam o navio e a operação pôde ser concluída. Pelo acordo, foi contratada uma equipe de avulsos para o acompanhamento do desembarque dos equipamentos.
Para garantir a eficácia, segurança e automatização dos processos administrativos e operacionais, o terminal Embraport contará com complexo de Gates, que inclui Scanner, OCR, Gates e Security Gate, e equipamentos e servidores que estão entre os mais eficazes do mundo para a automatização de processos em terminais portuários.
A identificação dos motoristas que chegam ao terminal será feita por sistema de biometria nos Gates. Só entra no terminal o motorista que tiver sua digital cadastrada e confirmada. Além disso, o controle dos veículos e cargas que entram e saem por via terrestre é feito por OCR (Optical Character Recognition), que verifica a placa do caminhão e o número do contêiner, fazendo o cruzamento dos dados com as informações do motorista, o que permite o acesso automático, desde que aquele veículo esteja devidamente agendado para o horário.
A armazenagem, controle e planejamento do embarque e desembarque de contêineres nos navios serão realizados por meio de um sofisticado sistema de planejamento logístico (NAVIS), que utiliza softwares específicos para fazer as reservas no pátio e o planejamento logístico dos contêineres nos navios, agrupando-os por ordem de descarga nos portos.
Em meio ao furacão da reforma portuária, o terminal é um dos primeiros a operar sem exigência da contratação da mão de obra avulsa pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) e investe na capacitação de pessoal próprio. Em setembro do ano passado, deu início ao Programa Novos Operadores, com o objetivo de capacitar profissionais para operar guindastes de cais (ship to shore) e de pátio (Rubber Tyred Gantry). Para tanto, estabeleceu parceria com a empresa Espaço Santista RH, que recrutou profissionais interessados em atuar na área portuária e já formados em cursos promovidos pelo Instituto de Capacitação Técnica Portuária (Incatep). Os pré-requisitos para seleção dos candidatos foram, além da capacitação técnica, o segundo grau completo e a carteira de habilitação categoria C. A contratação efetiva teve início em novembro, quando foi iniciada uma nova fase de treinamento com o uso de simuladores. A Embraport pretende formar um time com cerca de 600 pessoas inicialmente serão recrutadas para a área operacional do terminal, das quais aproximadamente 400 devem passar por este modelo de seleção e treinamento até meados de 2013.