A Prefeitura de Guarujá exigirá providências a fim de evitar novos acidentes com balsas no Porto de Santos e, ainda, a substituição das embarcações avariadas no último final de semana. A ideia é minimizar os impactos das filas nos locais próximos à travessia, por onde passam, diariamente, cerca de 23 mil veículos. 

Na noite do último domingo (6), o navio Santos Express fazia a manobra de entrada no cais santista quando colidiu com três balsas. Ninguém se feriu, mas duas embarcações estão foram de operação para reparos que ainda não têm data para serem concluídos. 

Com isso, o temor é de que as filas no serviço de balsas, principalmente do lado de Guarujá, sejam intensificadas, colocando em risco a segurança dos motoristas, que aguardam cerca de 40 minutos para fazer a travessia. De acordo com as autoridades municipais, durante os finais de semana e feriados, a situação tende a se agravar. 

 

“Tivemos um acidente que poderia ter sido de proporções maiores, com danos, inclusive, à vida humana. O questionamento é: a seguradora e a empresa que gerencia esse navio, que causou esse dano, deveriam, na nossa visão, que disponibilizar uma solução imediata para minimizar o dano da travessia”, destacou o prefeito de Guarujá, Válter Suman, durante reunião, na manhã de ontem, no Paço Municipal. 

O encontro teve a participação de técnicos da Prefeitura e de representantes das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), da Capitania dos Portos de São Paulo e da Defesa Civil de Santos e Guarujá. 

No encontro, foram definidos pedidos do manifesto a ser liderado pela Prefeitura. Entre eles, está a implantação de um centro de monitoramento da qualidade do mar, da terra e do ar. 

De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Guarujá, Sidnei Aranha, esse centro irá compartilhar informações ambientais com autoridades da região. Ainda não há uma forma de viabilizá-lo, mas uma possibilidade é criá-lo a partir das compensações ambientais previstas em Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) que estão sendo elaborados entre o Ministério Público e duas empresas que se envolveram em acidentes no cais santista, a Localfrio, em Guarujá, e a Ultracargo, na Alemoa, em Santos. 

Além da troca de informações, as autoridades pedem, também, que as cidades da região sejam envolvidas ou, pelo menos, informadas sobre o andamento das apurações dos acidentes no Porto. 

“Estamos tendo sucessivos pequenos acidentes na área portuária. A soma disso dá um grande acidente. O meio ambiente vai acumulando isso. Temos grandes problemas e não podemos deixar acumular. Alguns, são de interpretação. Por exemplo: há 60 dias, tivemos um vazamento de óleo em um navio. Na ocasião, a Codesp avisou que eram 80 litros de óleo. Depois, o Ibama informou que passou de 18 mil litros. Essas informações e a fiscalização precisam ser compartilhadas entre todos aqueles que vivem e experimentam esse impacto”, destacou o secretário. 

Prevenção

Um outro pedido gira em torno da criação de um grupo para elaboração de Plano de Prevenção de Acidentes, principalmente em razão do grande trânsito de navios, balsas e pequenas embarcações no canal de navegação do Porto e no entorno. 

“É importante uma participação maior dos municípios portuários na discussão (para a instalação) de uma central de monitoramento. Em Guarujá, o nosso porto frequentemente e lamentavelmente vem sofrendo incidentes, acidentes que colocam de sobressalto toda as cidades”, afirmou o prefeito. 

Já o vice-prefeito de Santos, Sandoval Soares, destacou a necessidade de descentralizar a gestão no Porto de Santos. “Temos que utilizar essa discussão para um avanço político: estudar, ir até Brasília, reunir um grande corpo político para discutirmos a descentralização do poder. Não podemos ter, pela imprensa, a notícia de que houve desvio do navio por conta do calado”. 

No entanto, a solução de todo o problema passa pela definição e pela construção de uma ligação seca entre Santos e Guarujá. “Há mais de 70 anos se discute a necessidade e não se viabiliza. O momento econômico é impróprio, mas nós temos que viabilizar, como diz o nosso governador Márcio França, pelo menos, a parte jurídica, o corpo que vai propiciar estudos e a viabilização”. 

Fonte: A Tribuna