Portos do Paraná inicia estudos para implantação de usina biodigestora

A Portos do Paraná deu início ao estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental para dimensionar o desenvolvimento de uma planta de biogás visando o aproveitamento energético de resíduos orgânicos no Porto de Paranaguá. O estudo é conduzido pela Diretoria Administrativa Financeira e de Meio Ambiente da empresa pública, com profissionais da CIBiogás - Centro Internacional de Energias Renováveis. O objetivo é gerar energia, que pode ser disponibilizada na rede elétrica ou para uso como combustível veicular, entre outras aplicações.

Segundo o presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o projeto já vinha sendo debatido pela empresa pública antes mesmo de participar de um evento mundial sobre o tema. “Em 2019, participamos da reunião da Conferência das Partes, a COP 25, em Madrid, que teve foco na redução da emissão de gases do efeito estufa. A Portos do Paraná já estava com o projeto de implantação de biodigestores em andamento”, explicou. “A participação na COP 25, como único porto convidado, serviu de sinalização para ter certeza que estávamos no caminho certo”, reforça o diretor de Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Santana.

Segundo ele, antes da participação no evento internacional, houve uma visita a empresa CIBiogás, que nasceu dentro da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu. A empresa presta assessoria e consultoria para montagem de biodigestores. “Esses equipamentos são uma grande estrutura, onde se coloca matéria orgânica, que é digerida por bactérias e se transforma no que se denomina biogás. Esse biogás, pode ser utilizado de diversas formas: para movimentar motores, geradores, veículos”, explica Santana.

RESÍDUO NOBRE – Daiana Gotardo, coordenadora de Engenharia no CIBiogás, explica que o projeto é inovador em portos brasileiros. “Não se tem conhecimento de porto que tenha iniciativa desse tipo. É, sem dúvida o primeiro projeto de biogás em portos no Brasil”, salienta Daiana.


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O diretor de Meio Ambiente da Portos Paraná lembra que os grãos que caem da movimentação portuária são resíduos nobres para geração de energia. “Não só grãos, mas farelo de trigo, de soja. Atendemos a lei, enviamos tudo isso para compostagem ou aterro sanitário. Do ponto de vista legal, estamos corretíssimos. Porém, queremos ir ao encontro do que vimos e expusemos na ONU, na COP 25”, diz Santana. “Diante disso, estamos dando início a um estudo de viabilidade técnica, com a CIBiogás, da implantação no Porto de Paranaguá de uma planta de biogás. Uma usina de biodigestão que gere três subprodutos: o biogás, a energia elétrica e o digestato”.

Depois de implantado o biodigestor, a energia elétrica gerada pode ser abatida da conta de energia do Porto. O biogás ajuda a movimentar motores em geral e o digestato pode ser utilizado como fertilizante no futuro, na recuperação de áreas degradadas no entorno das baias de Paranaguá e Antonina.

ÁREAS DEGRADADAS - O diretor de Meio Ambiente explica que o Plano de Recuperação de Áreas Degradas (PRAD) foi autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e já teve início. “Agora, como medida compensatória, podemos recuperar áreas das baías que antigamente foram utilizadas com o manejo da pecuária e agricultura”, explica. “Um estudo feito em parceria com a Universidade Federal do Paraná, indica que se implantarmos agrofloresta nas áreas degradadas, vamos recuperar as florestas com plantas de interesse econômico, que geram soberania econômica e alimentar para os agricultores e comunidades em torno das baías”, afirma.

Para a Portos do Paraná, além da questão social, o principal benefício é que recuperando essa área degradada de floresta, de aproximadamente 40.000 metros quadrados, é possível reduzir o carreamento de resíduos sólidos para dentro da baía e economizar com dragagem.

CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA - As estruturas portuárias funcionam 24 horas por dia: correias, dalas, iluminação do cais, administrativo, o que eleva os gastos com a conta de luz. A implantação do biodigestor vai trazer aos portos do Paraná uma matriz energética que diminua a utilização de combustíveis e energia de origem fóssil, como diesel e gasolina.

Daiana Gotardo, coordenadora de Engenharia no CIBiogás, explica como deve funcionar a parceria com a Portos do Paraná. “Somos uma instituição de ciência, tecnologia e inovação, atuamos em projetos relacionados à produção e aproveitamento energético do Biogás, desenvolvendo desde estudos de mercado, modelagem de negócios, projetos para implantação e operação de plantas de biogás”, explica. “Vamos trabalhar com o Porto de Paranaguá em um estudo para avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental para produção de biogás e seu aproveitamento energético, seja ele elétrico ou biometano”.

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