Porto do Açu diversifica suas operações com o agronegócio

Projeto idealizado por Eike, voltado a minério e petróleo, quer ser alternativa para grãos de Minas e do Centro-Oeste.

 

Com o crescimento de curto prazo focado em projetos relacionados ao gás natural, o porto do Açu, no norte fluminense, mira o agronegócio para diversificar suas operações no futuro. A empresa iniciou em 2020 os primeiros desembarques de fertilizante importado e se apresenta como alternativa para o escoamento de grãos de Minas Gerais e do Centro-Oeste.

A consolidação de operações no agronegócio, porém, depende de uma ligação ferroviária, que hoje ainda não existe. Por enquanto, as operações são feitas por via rodoviária, o que limita o mercado à produção de grãos não transgênicos, que já usa esse modal, mas tem volumes menores.



O porto do Açu é um dos projetos idealizados pelo empresário Eike Batista, hoje condenado por pagamento de propina e manipulação do mercado financeiro.

O projeto polêmico foi planejado para se tornar uma grande área industrial, ancorada pela movimentação de minério de ferro, mas, após a derrocada do grupo de Batista, concentrou sua expansão na prestação de serviços para o setor de petróleo.

Hoje, além do terminal de minério, o porto tem como principais operações o apoio a plataformas marítimas de petróleo e um terminal de transferência de óleo para grandes embarcações de exportação da commodity, negócio que deve ter o capital aberto em Bolsa de Valores.

Tem ainda um terminal de cargas gerais e começa a atuar na cabotagem, para receber equipamentos petrolíferos importados pelo porto do Rio de Janeiro.

Em 2019, a GNA (Gás Natural Açu) iniciou as obras de uma usina termelétrica e de um terminal de recebimento de gás importado no porto, que devem começar a operar comercialmente no fim do primeiro semestre de 2021.

Uma segunda térmica já foi autorizada, mas o início das obras depende da evolução da pandemia, disse em dezembro Carlos Thadeu Fraga, que preside a Prumo, proprietária do porto.

A estratégia da empresa é tornar o Açu um polo de movimentação de gás natural, conectado à malha de transporte do combustível e a campos produtores em alto-mar.

O projeto contempla a construção de uma estação de tratamento de gás e a atração de indústrias usuárias do combustível, sob a promessa de um insumo mais barato, já que não teria o custo do transporte até as fábricas.

Segundo Fraga, o setor de fertilizantes produzidos com base em gás natural é um dos alvos. Em 2020, a empresa começou a operar a movimentação dos produtos, com o desembarque de duas cargas importadas, voltadas principalmente para a indústria do café no Espírito Santo.

Para 2021, espera crescer nesse segmento, ainda com foco em importações, ampliando o mercado consumidor.

No sentido oposto, quer atrair produtores agrícolas para que os caminhões de fertilizantes retornem carregados de grãos. A companhia investirá para quadruplicar sua capacidade de armazenagem de produtos agrícolas, que deve somar uma área de 25 mil metros quadrados.

O diretor de Logística do porto, João Braz, afirmou que o foco é a produção hoje exportada pelo porto de Imbituba, em Santa Catarina, que já é transportada por caminhão e é embarcada em navios menores do que a soja geneticamente modificada.

A ligação ferroviária, que ajudaria a expandir as operações, porém, ainda é um sonho distante, que depende do governo federal.
Neste momento, a Prumo aposta no processo de renovação da concessão da EFVM (Estrada de Ferro Vitória-Minas), da Vale, que prevê a construção de um ramal entre Vitória e Ubu, no sul do Espírito Santo, a 160 quilômetros do Açu. A expectativa da empresa é que o ramal fique pronto em 2027 ou 2028.

Atualmente sob controle da EIG, a Prumo tem participação em seis empresas que operam no porto. Em 2020, protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pedido de oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) de uma delas, a Açu Petróleo, subsidiária em parceria com a Oiltanking que opera o terminal de transferência de petróleo e será dona da tancagem.

No prospecto, vende o negócio com o único e maior terminal privado de petróleo do país, com pouca concorrência na disputa do crescimento da produção nacional.

A operação nesse segmento receberá ainda investimentos em um terminal de tancagem com capacidade para 11,4 milhões de barris de petróleo.

Ainda no setor de óleo e gás, o porto tem um projeto de refinaria e inaugurará um aeródromo para prestar serviços de transporte de petroleiros para plataformas em alto-mar. Receberá também um centro de combate integrado a emergências ambientais na bacia de Campos.

Fonte: Folha de São Paulo


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