Relatório da Polícia Federal de mais de 800 páginas que culminou com o indiciamento do presidente Michel Temer (MDB) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa aponta “haver indícios para se acreditar no pagamento de cerca de R$ 5,9 milhões diretamente para o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, decorrente desta relação com o setor portuário”.

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que um suposto esquema de corrupção no setor portuário envolvendo Temer, sua filha e outras nove pessoas movimentaram R$ 22,9 milhões entre propina e doações para o grupo político.

Dos R$ 5,9 milhões recebidos “diretamente” por Temer, R$ 2,4 milhões seriam oriundos do Grupo Rodrimar, R$ 2 milhões em doações eleitorais oficias do grupo J&F, R$ 500 mil de doação do grupo Libra e R$ 1 milhão decorrentes de pagamento direto, em espécie, para o coronel João Batista Lima Filho em 2014.

 

O relatório, que cita mais de 1.100 vezes o nome de Temer, diz ainda que o decreto dos portos assinado pelo presidente poderia permitir que a influência dele sobre o setor continuasse.

"Mesmo com tantos dispositivos contestados quanto à sua legalidade e favoráveis às empresas beneficiadas, o novo Decreto dos Portos visou não apenas servir de contrapartida política e ato oficial do Excelentíssimo Senhor Presidente da República para horar compromissos com um setor do qual se beneficiou com recebimento de recursos indevidos durante quase 20 anos, sendo possível acreditar, levando-se em consideração o histórico de acusações que recaem sobre o Senhor Presidente, que o Decreto questionado poderia permitir um novo período de influência no setor portuário pelo investigado MICHEL TEMER e seus aliados políticos. O que possibilitaria novas tratativas na busca de recursos eleitorais indevidos ou ilícitos futuros, assim como se viu nas últimas duas décadas, agora podendo chegar até 70 anos. Fatos que aparentam também ter justificado a velocidade e prioridade no processo de elaboração da nova legislação, conforme se detalhou acima”, diz o texto.

Filha

A Polícia Federal acredita que Maristela Temer, filha do presidente, omitiu a participação de seu pai nas obras de reforma da sua casa, que teriam sido pagas com dinheiro oriundo de propina. A constatação dos investigadores está baseada em mensagens e e-mails que citam a participação direta de Temer em tratativas sobre o custo das obras e também da liberação de alvarás pela Prefeitura de São Paulo.

“Passo para o papai”, perguntou Maristela ao ser informada sobre descontos nos preços dos serviços referentes à obra. As mensagens foram trocadas entre a filha de Temer e a arquiteta Maria Rita Fratezi, que é esposa do Coronel João Baptista Lima Filho, apontado como arrecadador de Temer. Os dois, além do presidente, foram indiciados pela PF.

“Tal mensagem contradiz informação prestada por Maristela em oitiva, onde faz questão de destacar ‘que seu pai Senhor Michel Temer não auxiliou com nenhuma parte dos recursos que a depoente utilizou para custear a obra em sua residência’”, diz o relatório policial.

A conclusão dos investigadores é corroborada por e-mails trocados por funcionários da Prefeitura de São Paulo, nos quais é discutido o alvará para o início das obras na casa. Em uma das mensagens, um funcionário identificado como Valdir Santana afirma ao então secretário de Governo, Francisco Macena da Silva, e ao então chefe de gabinete, Paulo Dallari, sobre o alvará solicitado “pelo vice-presidente”.

 

Procurada, a defesa de Temer informou que ainda não leu todo o relatório e que vai se manifestar posteriormente.

Fonte: Valor

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