Wilson Sons

Pecém se prepara para ser porto regional de distribuição

Entre os investimentos previstos, a conclusão do Tmut e a construção de pátio especializado para cabotagem
Em função de sua profundidades (18 metros) e da infraestrutura de cais, atual e daquela prevista para o porto, o Pecém, de olho no futuro, se prepara para ser promovido à categoria de porto regional de distribuição, o que se pode chamar de "hub port", ou porto de transbordo, aquele concentrador de cargas e de linhas de navegação.
Essas condições, explica Mário Lima Júnior, diretor de Desenvolvimento Comercial da Ceará Portos, tornam possível a atracação e a transferência de mercadorias de navios de 4ª geração para aqueles de 2ª geração, que, atualmente, já circulam pelo local. "O transbordo é o grande sucesso do Porto de Cingapura, localizado em uma pequena ilha do Pacífico, e que movimenta cem vezes mais toneladas que o Pecém", destaca.
Encabeçando o rol de investimentos realizados nessa direção, a Ceará Portos confirma, para ainda este ano, a conclusão das obras do Terminal de Múltiplo Uso (Tmut), que permitirá a transferência das operações de contêineres e carga geral do Píer 1 para a nova instalação, cuja previsão de funcionamento, em caráter experimental, é para outubro próximo. Ao mesmo tempo, já anuncia a construção de um pátio especializado para cabotagem (navegação entre portos do País), com 20 mil metros quadrados, facilitando, assim, a movimentação de mercadorias e o trabalho de aduana. A obra deve consumir recursos da ordem de R$ 3 milhões. Outros investimentos, dizem respeito à melhoria de processos, com a adoção de tecnologia mais moderna na operação.
Competitividade
Com isso, o aumento da competitividade do Porto do Pecém em relação ao restante do País já pode ser facilmente percebido. Em 2009, ele continuou a liderar as exportações de frutas no País, com 37% de tudo que é vendido para o exterior, e existe ainda uma tendência, especialmente da região Centro-Oeste, de tirar o foco do Porto de Santos e vir para o Ceará.
Não é à toa, justifica Lima Júnior, que no ano passado as exportações de carnes daquela região para o mercado asiático, via Pecém, atingiram quase 24 mil toneladas, aproximadamente cinco vez mais o que foi movimentado em 2008 (cinco mil toneladas), e seis vezes mais o registrado em 2007 (em torno de quatro mil toneladas). "Existe uma tendência de crescimento das exportações de carne em virtude dos investimentos que realizamos em câmaras frigoríficas e de inspeção e no parque de contêineres refrigerados. Estamos buscando agora atender mercado russo", adianta.
Contribuição das ferrovias
Um outro destaque, acrescenta o diretor da Ceará Portos, é com relação à integração do Porto com o modal ferroviário: "É o transporte ferroviário que está proporcionando a exportação do minério de ferro explorado em Sobral, no Interior do Ceará, para a China; e ainda as vendas externas de alumínio proveniente do estado do Maranhão". "Só em 2009, foram 15 mil toneladas de lingotes vindas daquele estado, em função de instalações mais competitivas", emenda Lima Júnior.
Questionado sobre obstáculos, que por sua vez, poderiam vir a prejudicar a trajetória de ascensão do porto, ele defende a ideia de que, atualmente, não existem gargalos dessa natureza. "Tudo que se fez em sete anos foi em função dos grande empreendimentos, a refinaria e a siderúrgica. Assim, com a entrada em operação do Tmut e a liberação do Píer 1 para a movimentação de cargas como carvão, minério de ferro, produtos para a indústria cimenteira e siderúrgicos, o Pecém passa por um período de transição, o que vai exigir, na verdade, é um esforço maior da Área de Planejamento, para lidar com essa nova realidade. Não temos gargalos na operação", afirma.
Mão-de-Obra
Com cerca de 530 empregos diretos, entre administração e aqueles gerados diretamente pelos operadores para as operações portuárias, 45% da mão de obra ocupada no Porto são de pessoas da região. "O que deve aumentar à medida que cresce a movimentação. Acredito que com a expectativa de crescimento prevista para este ano, cerca de mais 60 ou 80 pessoas devam ser contratadas pelos operadores portuários", fala.
Capacitação
No entanto, a capacitação, ainda é fator de preocupação. "Embora tecnicamente as pessoas contratadas estejam bem preparadas, pelos diversos cursos promovidos localmente pelo Sebrae ou aqueles proporcionados pelas empresas, a mão de obra local ainda carece de melhor formação básica, escolar", argumenta Lima Júnior.
DESEMPENHO
Movimentação de cargas cresceu 33% em 2009
Com 1.919.622 toneladas transportadas, a movimentação do Porto do Pecém, incluindo carga geral, contêineres, granéis líquidos e gás natural, cresceu, no ano passado, 33% na comparação com 2008. Com destaque para a cabotagem, que aumentou 41%. Já o transporte de longo curso subiu 29%. "Analisando a crise como um todo, houve uma mudança no perfil de transportes, mas não de forma compensatória, dado o volume de contêineres ter caído 9% em relação ao ano anterior. O aumento que tivemos no longo curso foi devido à carga geral, sem ser em contêineres", explica Mário Lima Júnior, diretor de Desenvolvimento Comercial da Ceará Portos. Para 2010, ele espera um acréscimo de 400 mil toneladas na movimentação total - crescimento de quase 21%.
Segundo ele, em 2008, a movimentação de contêineres via cabotagem representava 27% do total transportado. Em 2009, essa proporção subiu para 40%. "Houve um redirecionamento da movimentação de contêineres para os portos brasileiros. Foi a forma encontrada pelos armadores para assegurar a sua performance diante da crise. Ou seja, o transporte de cabotagem competiu de forma mais agressiva com o rodoviário", avalia.
Carga geral
No período de janeiro a dezembro do ano passado, foram transportadas 447.411 toneladas de carga geral, com incremento de 30% em relação ao mesmo período de 2008. Desse total, 44.224 toneladas são referentes à exportação, com aumento de 18,84% em relação ao período anterior e 403.187 toneladas importadas (aumento de 17%).
Classificação
Na exportação de frutas, o Porto do Pecém manteve a liderança (37%), totalizando 261.228 toneladas. O Porto de Santos vem em 2º lugar (13%). Na movimentação de algodão, o Pecém ficou em 3º lugar (11.625 toneladas). No transporte de calçados, polainas e artefatos, continuou na 2ª colocação (12.538 toneladas). Na importação de produtos siderúrgicos, ocupou a 2ª posição (353.837 toneladas), sendo ultrapassado apenas por Santos.(Fonte: Diário do Nordeste/CE/ADJ)


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