A Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) informou que não foram registradas problemas de janelas em operações realizadas pela Aliança Navegação no Porto do Pecém (CE), ao contrário do relatado pela empresa que atua na cabotagem. O porto ressaltou que a programação de atracação de navios é pré-estabelecida em contrato de janela em vigor entre as partes, além de ser acompanhada através de reuniões realizadas a cada três meses pela CIPP. 

De acordo com a CIPP, as linhas de navegação vêm sendo cumpridas rigorosamente, com fatores de produtividade acordados em contrato estando entre os melhores registrados no Norte e Nordeste do Brasil. "Casos pontuais onde foram registrados a não atracação de navios no horário estabelecido, foram ocasionados por atrasos na chegada dos mesmos ao Pecém, principalmente em virtude de atrasos acumulados na programação desde o Sul do país", informou a CIPP em nota. A companhia ressaltou o compromisso com a prestação do melhor nível de serviço a todos os clientes do terminal, em especial ao cumprimento dos contratos existentes.

Na última quinta-feira (8), a Aliança relatou problemas de janela em, pelo menos, quatro terminais que operam apenas um navio de cabotagem por vez, apesar de terem dois ou mais berços disponíveis. O problema, de acordo com a empresa, tem ocorrido com maior frequência em Salvador (BA), Vila do Conde (PA), Pecém (CE) e Sepetiba (RJ). O assunto foi tratado durante Seminário Oportunidades no transporte marítimo - Portos do Rio de Janeiro, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil Alemanha (AHK Rio). Na ocasião, o diretor de cabotagem e serviços Mercosul da Aliança, Marcus Voloch, citou que Santa Catarina, Santos e Rio de Janeiro são bem servidos de terminais e costumam oferecer mais disponibilidade.

 

Ainda no evento, o presidente do Sepetiba Tecon, Pedro Brito, disse desconhecer o problema e informou que, na última quarta-feira (7), o terminal operou dois navios simultaneamente, fazendo 684 movimentos em um e outros 1.149 em outro ao mesmo tempo. "Se houvesse um terceiro navio, também faríamos [os serviços]. Se chegarem com três navios, vamos rodar os três", afirmou.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) destinará uma equipe para apurar melhor essas programações e eventuais limitações de janelas para cabotagem, questão que não estava no radar da agência. O diretor-geral da Antaq, Mário Povia, disse no seminário que a agência não tem recebido demandas de ausência de espaço em terminais.

O diretor geral da consultoria HD8 Associados, Jose Luis Gonzalez Perez, avalia que em cada um desses quatro portos citados existe somente um terminal de contêiner, o que impede a concorrência local. "Veja se isso acontece em Santos ou em Itajaí, por exemplo?", comparou Gonzalez. Já o secretário para assuntos de transportes marítimos da Associação dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro (Usuport-RJ), Abrahão Salomão, considera que o problema não está no porto, mas no superdimensionamento dos navios que deveriam operar somente em portos concentradores e acabam congestionando as estruturas secundárias. "Isso é reflexo da concentração de mercado e da falta de concorrência", aponta. 

Para Salomão, esses contêineres acabam sendo importantes para aumentar a receita das linhas, porém os importadores ficam reféns delas. Ele acrescentou que a questão do feeder, apesar de estar no discurso corrente, não existe no Brasil.  Segundo Salomão, o feeder prescinde de preço e prazo que, no caso brasileiro, não existe. "Não é possível chamar de feeder um serviço que escala diversos portos e é precificado como um desconto da cabotagem", comentou.

 

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

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