Para a CNA, câmbio será preocupação

O comportamento do câmbio será uma preocupação para o agronegócio durante 2010, de acordo com a coordenadora da Área Econômica da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire dos Santos. Segundo ela, a preocupação é legítima porque o setor é eminentemente exportador. O risco é o descasamento entre custos e receitas, como ocorrido em 2005. Ela acrescenta que "o cenário macroeconômico não permite muitas alternativas de incentivo à exportação, sem mexer no câmbio". Rosemeire comenta que o Brasil não tem poupança capaz de sustentar uma desvalorização cambial. Outra alternativa seria o governo cortar gastos, o que parece pouco provável em ano de eleições. No entanto, o governo estuda medidas para estimular o setor exportador. Indiretamente, a cobrança de IOF nas operações com recursos externos que entram para renda fixa e ações foi um paliativo contra a apreciação do real. "Quarentena para a entrada de dólar e linha de crédito para capital de giro" são algumas medidas que podem ser estudadas, observa ela. A especialista prevê dificuldades para exportação do complexo soja, "por causa da sobreoferta do produto no mundo". Brasil, Estados Unidos e Argentina devem produzir, juntos, recorde de cerca de 252 milhões de toneladas da oleaginosa. "O câmbio nos Estados Unidos, com o dólar desvalorizado, deve permitir um avanço da exportação norte-americana sobre a fatia brasileira no mercado", comenta ela. Na avaliação da CNA, no entanto, o ritmo da exportação e os preços de mercado dependerão do crescimento mundial, do volume de compras da China e, ainda, da forte atuação dos fundos de commodities. Em contrapartida, são positivos os sinais de expansão da exportação do complexo sucroalcooleiro, de algodão, de milho e de carnes. No caso do açúcar, problemas climáticos na Índia prejudicaram a safra, reduzindo a oferta. proteína. O setor de proteína animal (carne bovina, suína e de frango) pode se recuperar parcialmente do fraco desempenho de 2009, com previsão de crescimento de 4%, em volume e receita. O setor foi um dos mais prejudicados pela crise, que provocou retração nos preços internacionais. Um fator positivo para a sustentação dos preços são os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta queda na produção mundial de carne bovina de 0,7% no próximo ano, refletindo a redução da produção em países exportadores, como Argentina e Austrália. A exportação de milho pode crescer, em virtude da menor oferta norte-americana. Segundo a CNA, os Estados Unidos devem aumentar o uso do grão para produzir etanol. Em 2009, o consumo de milho no mercado norte-americano cresceu 23% e é esperado novo salto de mais 15% em 2010. Outro fator positivo é o aumento no consumo mundial de petróleo. Se o preço do óleo aumentar, sobe também o valor pago pelos biocombustíveis, como o etanol de milho. O desempenho do algodão deve ser favorecido pela queda na produção. A safra mundial projetada pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão é de 103 milhões de fardos, ante 108 milhões na safra 2008/09. A estimativa de consumo mundial é de 108 milhões de fardos, o que sinaliza tendência de alta.(Fonte: Jornal do Commercio/RJ/Da Agência Estado)


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