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Navios cancelam atracações no Porto de Santos após redução do calado e interdição de berços

A interdição de berços de atracação e a redução da profundidade do canal do Porto de Santos, o maior do país, está causando o cancelamento de escalas de embarcações no cais santista. Os problemas estão afetando a movimentação de graneis líquidos e os prejuízos começam a preocupar os empresários. A autoridade portuária sinalizou alternativas para resolver as questões, mas não tão imediatas.

A falta de dragagem de manutenção somada ao assoreamento do canal do Porto provocaram a redução do calado operacional em berços da Alemoa e da Ilha Barnabé que são destinados às operações de graneis líquidos, como o petróleo e seus subprodutos. As obras de dragagem de manutenção estão suspensas desde abril deste ano, quando o contrato terminou.

Na Alemoa, houve uma redução de 70 cm em um dos berços, de 10,9 metros para 10,2 metros. Os berços na Ilha Barnabé foram os mais afetados. Em um dos trechos, houve uma perda de profundidade de 1,20 metro, passando de 10,2 para 9 metros. Em outro berço houve uma redução de 90 centímetros.

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Além disso, nos quatro berços públicos da Alemoa, apenas um funciona normalmente. Houve uma interrupção no funcionamento de dois berços em função de avarias na defensa, que serve para proteger o casco da embarcação em caso de contato com outros barcos ou com o próprio porto. Também houve uma redução do comprimento autorizado no berço 1, que agora só pode receber navios de até 230 metros.

Já na margem esquerda, em Guarujá, há outro ponto de atração de líquidos com dois berços públicos. A redução ainda maior do calado no trecho impede a atracação nos berços públicos de navios de grande porte. "Em um dos berços a Petrobras tem a preferência porque tem uma quantidade muito grande de líquidos. Ficamos praticamente funcionando somente com um berço, com uma demanda e uma fila enorme de navios lá fora. Isso trouxe uma situação bastante constrangedora e complicada para o porto”, afirma Carlos Kopittke, Presidente da Associação Brasileira de Terminais de Liquidos (ABTL).

De acordo com Kopittke, como não há berços de atracações disponíveis, houve um número acentuado de escalas que foram canceladas em função do grande tempo de demora para atracar os navios no fim de novembro. Há o registro de pelo menos 14 embarcações que seguiram para outros portos.

“Se o navio chega e não consegue atracar logo, há um prejuízo na espera com consequente pagamento de demurre (taxas diária de estadia) aos armadores. Obviamente, isso vai impactar fortemente no preço do combustível. E, com isso, eles procuram sair desse porto e procuram outro porto de descarga”, explica Kopittke.

Segundo ele, os navios que estão decidindo operar em Santos utilizam o berço que está normal, onde fazem a descarga de parte da carga. Depois, precisam mudar para outro berço que tem menos calado para terminar suas operações.

Soluções
Os sindicatos e empresários do setor, na última segunda-feira (2), se reuniram com o presidente da Codesp, Casemiro Tércio Carvalho. O presidente se mostrou receptivo e apresentou um cronograma de ações para solucionar os problemas.

De acordo com Kopittke, durante a reunião, o presidente disse que os berços interditados devem receber reparos. Ele também considerou a possibilidade de se fazer um contrato emergencial para recuperar o calado dos berços.

Em nota, a Santos Port Authority (SPA), nova denominação da Codesp, disse que já está atuando na Alemoa. A recuperação das defensas dos cais 1 e 2 já está contratada e em mobilização para início imediato dos serviços, com prazo de 15 dias para conclusão da primeira e outros 15 dias para a segunda.

Com relação à dragagem de manutenção do canal de navegação, bacias de evolução e berços de atracação, a concorrência pública teve habilitada, nesta quarta-feira (4), a proposta da DTA Engenharia. Foi aberto prazo recursal. Caso seja impetrado recurso, a SPA vai analisar a documentação.

Ainda segundo a SPA, cabe ressaltar que as escalas de navios, além da infraestrutura portuária, também levam em conta as condições mercadológicas e logísticas de conveniências dos usuários do Porto. Assim, eventuais restrições de uso de berços e cais podem influenciar nas decisões dos clientes, mas estes levam em conta também as oportunidades de negócio.

Fonte: G1

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