Marintec Navalshore

Logística de GNL ao interior vai estimular isotanques e multimodalidade

A interiorização do gás natural no Brasil vai estimular o aumento do transporte em estado liquefeito por contêineres especiais. Os projetos em desenvolvimento para levar gás natural liquefeito (GNL) para o interior do país preveem soluções multimodais e complementares, desde transporte terrestre, por estradas ou ferrovias, até por cabotagem. Uma delas é o armazenamento do gás em isotanques — um tipo de contêiner em forma de cisterna que pode ser acoplado a caminhões.

A Golar Power, joint venture formada entre a norueguesa Golar LNG e o fundo Stonepeak Infrastructure Partners, acredita que, com a abertura do mercado e as recentes mudanças no marco regulatório do gás, haverá cenário favorável para reduzir a dependência da importação do diesel e promover a “interiorização” do GNL, já que esse energético pode ser transportado com facilidade para regiões que ainda não contam com gasodutos. O GNL permite o transporte de uma quantidade superior de produto, em pequeno volume, numa operação conhecida como small scale. Essa dinâmica de resfriamento do gás permite reduzir o seu volume em até 600 vezes.

A empresa pretende aproveitar a estrutura de armazenamento dos terminais de GNL e levar esse gás em pequenas embarcações, numa operação de cabotagem, e depois em terra, em caminhões com iso-contêineres de GNL. Os veículos, importados da fabricante chinesa Shacman, fazem parte da estratégia de distribuição do GNL em pequena escala, elaborado em parceria com a empresa de logística Alliance GNLog. A China já movimenta mais GNL em caminhões do que o Brasil consome através de dutos. Metade desse volume é usado para abastecer a frota de caminhões movidos a GNL.

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Para viabilizar o uso dos caminhões movidos a GNL, a Golar pretende implementar, nas principais rotas de transporte e escoamento de produção, os chamados ‘corredores azuis’, vias de tráfego com pontos de abastecimento a gás. O uso do GNL nesses moldes já é realidade na Europa, nos EUA e na China, que conta atualmente com uma frota de mais 300 mil caminhões movidos a GNL. Essa utilização no transporte de carga reduz as emissões de gases do efeito estufa. Estima-se que a conversão de um caminhão a diesel pelo GNL equivale ao plantio de sete mil árvores.

Em Suape (PE), o navio de GNL Golar Mazo, com capacidade de 135 mil metros cúbicos e 290 metros de comprimento, atracará de forma permanente no cais de múltiplos usos do porto local. Esta embarcação funcionará como supridor para abastecimento de isotanques montados em caminhões. Os veículos farão a distribuição para cidades num raio de até mil quilômetros. A previsão é que o escoamento por caminhão chegará a um volume de 800 m³ de GNL/dia, o que equivale a, aproximadamente, 480 mil m³ de gás natural por dia.

A distribuição de GNL também será feita a partir de Suape para outros estados do Brasil, por meio de cabotagem. O navio criogênico de pequeno porte do grupo Golar será abastecido por transbordo e utilizado no transporte do GNL para outros portos da região. A embarcação possui 123 metros de comprimento e capacidade de armazenamento em cada operação de 7,5 mil m³ de GNL, equivalentes a 4,5 milhões de m³ de gás em estado natural. No caso dos navios criogênicos, que farão essa logística por cabotagem, a Golar prevê operação para três navios de small scale de GNL nos próximos dois anos. 

O diretor de desenvolvimento da Câmara Brasileira de Contêineres, Transporte Ferroviário e Multimodal (CBC), Ian Gordon Petersen, explica que hoje não se acha isotanques facilmente à venda ‘nas prateleiras’. Ele disse que os players interessados precisam ter as especificações do produto e encaminhá-las para saber se os operadores ou afretadores de isotanques têm interesse nesse fornecimento. O planejamento ideal, estima, deve ser de um ano ou talvez um pouco menos. Petersen diz que esse tipo de demanda se viabiliza com lastro de contratos extensos, de cinco a oito anos, a fim de amortizar investimentos que serão feitos.

O diretor da CBC acredita que, no curto prazo, a demanda brasileira será atendida por grandes players estrangeiros já consolidados no mercado global. A China é o maior fornecedor desse tipo de equipamento, num mercado em que a África do Sul e a Alemanha também possuem fatias representativas. Entre os maiores operadores de contêiner-tanque no mundo estão empresas como Stolt Tanque Containers, InterBulk Grupo, Hoyer, Bulkhaul, NewPort e VOTG.

O vice-presidente executivo da Golar Power, Marcelo Rodrigues, contou que a empresa firmou acordo com dois fornecedores de isotanques, com os quais acertou uma programação de produção, para seus projetos no Brasil. Segundo Rodrigues, existem diversos fornecedores desse tipo de equipamento no mundo, especialmente no Estados Unidos, Índia e China. O tempo para encomendar e receber esses isotanques é, em média de seis meses. No começo do ano, a empresa também firmou parceria com a BR Distribuidora para o desenvolvimento conjunto de soluções para distribuição de GNL de pequena escala em todo o território nacional.



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