O Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) irá monitorar a água e os sedimentos do canal de navegação do Porto de Santos. As atividades serão feitas a bordo de seu navio de pesquisas Alpha Delphini, que chegou ao cais santista em 2013 e tem como base o Armazém 8, no Valongo. A instituição de ensino ainda planeja a instalação de uma estação meteorológica no imóvel.

A informação é da diretora do IO-USP, Elisabete de Santis Braga da Graça Saraiva. Segundo ela, entre os itens que serão verificados durante o monitoramento do canal de navegação, estão os movimentos da lama fluida (camada de sedimentos com densidade próxima a da água e que pode facilitar a navegação), a qualidade da água e a circulação e da qualidade dos sedimentos.

Todas essas verificações serão feitas semanalmente. A ideia é que os dados sejam divulgados à comunidade marítima e à sociedade em geral. “Toda vez que o navio Alpha Delphini estiver em sua base no Porto de Santos, sem realizar expedições, nós faríamos uma seção transversal de lado a lado e uma longitudinal do interior do Porto até a Ponta da Praia”, destacou a diretora. 

 

Segundo Elisabete, ainda neste ano, seu outro navio de pesquisa, o Alpha Crucis, partirá em mais uma expedição, dessa vez em direção ao Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, no Litoral Norte do Estado. Trata-se de uma área de 67.479,29 hectares e os planos, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, incluem o monitoramento da vida marinha naquela região. 

Antes, ainda neste mês, o Alpha Crucis iniciará outra viagem. “Temos uma saída que seria para julho, mas vamos antecipar para este mês. Ele vai para o setor sul, em direção à elevação do Rio Grande, mas não chegando lá, um pouco antes. São águas internacionais, saindo das 200 milhas e nós vamos fazer alguns trabalhos de monitoramento”, explicou a diretora. 

Esta expedição será semelhante à realizada em abril, quando a embarcação passou 17 dias no Atlântico Sul, coletando informações sobre o oceano. Nesta expedição, participaram 20 pesquisadores brasileiros e estrangeiros. 

Estação meteorológica

Outro plano da USP para o Porto de Santos é a instalação de uma estação meteorológica no Armazém 8, no Valongo. Segundo a diretora do IO, os equipamentos já estão sendo importados e devem ser instalados em breve no cais santista. 

A docente não mudou os planos da instituição mesmo após o anúncio da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) de demolir o galpão. A medida foi anunciada à imprensa em abril, com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Autoridade Portuária e o Ministério Público Estadual (MPE) em Santos. 

Passados dois meses do anúncio da Autoridade Portuária, ao ser questionada sobre a possibilidade de demolição do armazém, a diretora do IO informou que ainda não foi comunicada pela Docas sobre a decisão. Por conta disto, ela mantém os planos de investimento no imóvel, que incluem obras de infraestrutura e instalação de equipamentos, necessários para as atividades da instituição de ensino no cais santista. 

“Na verdade, nós estamos dando continuidade aos projetos através da parceria e aguardando. Continuamos investindo no armazém, na fachada, na estrutura necessária internamente para acomodar alguns equipamentos. Estamos investindo em rede de informática, em antenas e na instalação de uma estação meteorológica”, destacou a docente. 

O IO-USP também conta com um cronograma intenso de atividades junto à Codesp e à comunidade santista. Estão previstas exposições itinerantes, a implantação de laboratórios e a instalação de equipamentos como marégrafos. 

A professora ainda destaca a importância do apoio da Autoridade Portuária que, com a cessão do Armazém 8, dá suporte a seus projetos de pesquisa, financiados por agências nacionais e internacionais. Tudo isso é possível graças ao instrumento contratual firmado entre a Codesp e a universidade, que prevê a realização das atividades nos armazéns, o Contrato de Cessão de Uso Não Onerosa DP-DC/01.2013. “É uma contribuição que a gente gostaria de fazer não só às atividades do Porto, mas às nossas pesquisas, porque tudo está alinhado. Isto mostra muito que nós temos que ter uma integração cada vez mais estreita entre a pesquisa e as atividades profissionais”, afirmou a diretora. 

Procurada, a Codesp não respondeu às perguntas sobre o TAC firmado com o MPE.