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Ferrous anuncia projeto em MG

Chico Santos e Vera Saavedra Durão, do Rio
A 276 quilômetros de Belo Horizonte, o município de Juiz de Fora, que já conta com uma usina siderúrgica do grupo ArcelorMittal, com capacidade para produzir 1 milhão de tonelada de aços longos por ano, foi escolhido para sediar uma fábrica bem maior, com capacidade para 3,5 milhões de toneladas anuais de placas a partir de 2016. Com investimento de R$ 8,8 bilhões, a empresa responsável pelo investimento busca agora um parceiro para realização do projeto.
A Ferrous Resources do Brasil anuncia o projeto hoje, em cerimônia presidida pelo governador Aécio Neves (PSDB), que deverá deixar o cargo esta semana para concorrer a uma vaga no Senado. Controlada por grandes fundos de investimentos estrangeiros, a empresa é subsidiária da Ferrous Resources Limited, companhia criada em fevereiro de 2007 e registrada na Ilha de Man, que fica em um arquipélago no noroeste da Europa.
Os planos de investimentos do grupo, orçados em R$ 17,94 bilhões, segundo dados obtidos pelo Valor, incluem ainda cinco minas e um mineroduto de 400 quilômetros de extensão, apto a transportar 50 milhões de toneladas de minério até um porto a ser construído no município de Presidente Kennedy, extremo sul do Espírito Santo.
Até agora, eram conhecidos apenas os projetos de exploração das minas, do mineroduto e da construção do porto. No desenho original, a produção e exportação de minério de ferro tinham o cronograma dividido em duas etapas, de 25 milhões de tonelada anuais cada uma. A primeira fase com conclusão prevista em 2013 e a segunda, em 2015.
A decisão da Ferrous de instalar uma usina siderúrgica no Estado foi sugerida pelo próprio governo de Minas, como apurou o Valor. Esta teria sido a contrapartida proposta pelas autoridades estaduais para compensar os gastos da água do Estados. A água é usada no processo de transformação do minério em polpa, transportada pelo mineroduto da Ferrous até o porto capixaba. O governo mineiro teria manifestado à Ferrous a preferência por projetos verticalizados, ou seja, de minério e aço. O grupo se dispôs a construir uma nova usina desde que fosse em parceria com outros investidores.
A siderúrgica da Ferrous será do tipo integrada, com alto-forno a coque, aciaria a oxigênio e lingotamento contínuo. Ainda segundo o programa da empresa, serão criados 4,4 mil empregos diretos e em dezembro deverá sair o licenciamento ambiental.
No projeto que será detalhado em Juiz de Fora hoje, a Ferrous vai aplicar R$ 6,5 bilhões no desenvolvimento das minas de Santanense (R$ 573 milhões, no município de Itatiaiuçu), Viga (R$ 2,5 bilhões, em Congonhas do Campo), Viga Norte (R$ 551 milhões, em Itabirito), Serrinha (R$ 1,4 bilhão, em Brumadinho) e Esperança (R$ 1,46 bilhão, também em Brumadinho).
As minas deverão entrar em operação entre 2014 e 2016 e foram desenhadas para alcançar uma capacidade conjunta de 50 milhões de toneladas de minério. Adequado para receber esse volume, o mineroduto vai requerer investimentos de R$ 2,64 milhões.
Segundo o presidente do grupo, Mozart Litwinski, a Ferrous está em busca de fundos para sustentar os projetos. A empresa conta, até agora, com US$ 500 milhões. A primeira etapa do plano de exploração e produção das minas e os projetos de mineroduto e porto devem exigir investimentos em torno de US$ 3 bilhões. A ideia do grupo, em cuja composição societária predominam "hedge funds", é obter metade dos recursos por meio de participação societária, o que inclui uma operação de abertura de capital com oferta de ações na Bolsa de Londres ou na Bovespa.
Na semana passada, a agência de notícias "Bloomberg" informou que a Ferrous estudava fazer uma oferta pública de ações de US$ 600 milhões na bolsa londrina. Litwinski confirmou que a operação está mesmo em estudos, mas, segundo ele, o valor poderá ser maior. A outra metade do dinheiro para a primeira etapa de investimentos poderia ser obtida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).
O projeto da Ferrous é um dos seis novos investimentos que serão anunciados hoje pelo governador de Minas Gerais para Juiz de Fora. Os outros cinco projetos, totalizando R$ 287 milhões, são para a construção ou expansão de fabricantes de estruturas metálicas ou metalurgia.
Juiz de Fora, que já foi conhecida como a "Manchester Mineira", pela alta concentração de empresas têxteis - da mesma forma, nas devidas proporções, que a cidade inglesa de Manchester -, vinha atravessando um período de forte retração econômica, perdendo vários projetos industriais para municípios próximos do Estado do Rio de Janeiro, especialmente Três Rios.
O principal motivo para o interesse pelo Rio de Janeiro foram os incentivos fiscais (ICMS de 2%). Na tentativa de reverter a crise na região de Juiz de Fora, no final do ano passado, o governador Aécio Neves anunciou que Minas Gerais daria os mesmos benefícios concedidos no Rio para investimentos na Zona da Mata.

Fonte: Valor

 

 


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