Quando escolhemos essa região encontramos um atrativo muito interessante. Estamos perto dos dois aeroportos, da rodoviária, das zonas Sul e Norte, além do Cristo e Pão de Açúcar. No entanto, sofremos com a falta de alguns atrativos, como comércio variado para os nossos hóspedes. A nossa expectativa é crescer, mas para isso precisamos de investimentos dos órgãos públicos. A fala é da gerente de uma rede de hotéis, a Intercity Porto Maravilha, Paloma Silva, referindo-se à situação da Zona Portuária do Rio de Janeiro, destaca o especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens. 

Para os visitantes de primeira viagem, a surpresa com a falta de infraestrutura da região é grande. "Pela televisão o local é mais cativante. Cheguei aqui e não tem nada. Sem comércios e sem ninguém para nos dar informações. Fiquei frustrada", contou a administradora Priscila Berçot, durante passeio no Boulevard.

Felipe Montoro Jens reporta que, em geral, o que se encontra pela Zona Portuária são ruas desertas, galpões abandonados, obras paradas e empreendimentos fechados. Ainda, conforme levantamento da Apsa — empresa de gestão condominial e negócios imobiliários — a região é a que tem o maior número de imóveis desocupados.

 

A pesquisa da Apsa indica também que 81% dos imóveis corporativos de alto padrão, construídos dentro do projeto do Porto Maravilha, estão vagos. A vacância é de 40%, se forem considerados os imóveis antigos. O estudo apontou que um dos prédios novos da região possui 21 andares vazios desde maio do ano passado, explica Felipe Montoro Jens. 

O especialista em Projetos de Infraestrutura reproduz, ainda, que, entre os anos de 2012 e 2016, mais de dez hotéis de grande e pequeno portes se instalaram na região. A expectativa era de que houvesse uma revitalização da área. Contudo, dois anos após os Jogos Olímpicos, muitos empresários deixaram o local.

E não são só os imóveis comerciais que estão vazios. Conforme o levantamento da Apsa, quase 90% das residências também encontram-se vagas. A baixa procura torna a área a mais barata do Rio de Janeiro para aluguel — R$ 88 o metro quadrado.

Sinais de melhora

Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (CDURP), o mercado imobiliário já dá sinais de melhora. O percentual de ocupação da área portuária deve subir em breve. Com a compra do edifício Port Corporate pela Bradesco Seguros, que deve migrar para a região já no segundo semestre de 2018, a expectativa, destaca Felipe Montoro Jens, é a de que a taxa de vacância nos novos empreendimentos caia para 63%.

"E o Aqwa Corporate, prédio em frente à Cidade do Samba, já movimenta suas negociações com a ida de um grande escritório de advocacia norte-americano para o edifício", argumentou em nota a CDURP.

Ainda, para tentar revitalizar a região, já foram consumidos mais de R$ 10 bilhões no que é considerada a maior Parceria Público-Privada (PPP) do país. "Estes gastos não vieram da prefeitura e sim da compra de Certificados do Potencial Adicional de Construção, os CEPACS (títulos usados para financiar operações urbanas consorciadas que recuperam áreas degradadas nas cidades)", informou, em nota, a prefeitura carioca.

O especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens, informa que, de acordo com o município, já foram investidos R$ 6,3 bilhões no desenvolvimento da região, sendo que ainda serão investidos outros R$ 4,1 bilhões na região portuária até o fim da operação, que tem duração prevista até o ano de 2026. 

Fonte: Terra

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