Esperada desde a Copa do Mundo de 2014, a dragagem para aumentar a profundidade nas águas do Porto do Mucuripe inicia neste mês e deve ficar pronta até outubro deste ano. A ordem de serviço foi assinada ontem no Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza. Ampliar a capacidade do equipamento pode torná-lo a entrada no Brasil dos cruzeiros da Europa.

A obra amplia o calado de 10 metros para 13 metros (profundidade máxima atingida por navios quando cheios), possibilitando embarcações de 6 mil atracarem sem que os turistas precisem ser transferidos do antigo para o novo terminal. Hoje o maior navio que chega ao Mucuripe comporta 4,3 mil pessoas.

“A obra começa de imediato para que no máximo em três meses a gente consiga concluir”, destaca o ministro dos Transportes, Portos e Aviação, Valter Casimiro, que esteve na solenidade para assinatura da ordem de serviço. O investimento é de R$ 27 milhões e será executada pela empresa Jan de Nul do Brasil. O ministro prevê 70 dias de obra mais o tempo destinado à homologação do canal pela Marinha.

 

Para o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM), a dragagem vai trazer possibilidade de receber carga seca no Porto, além de fomentar o turismo na Cidade. “Incrementa hotéis, refeições, artesanato. Gera emprego e qualidade de vida para nosso povo”.

A dragagem do porto é uma oportunidade de tornar o Ceará o primeiro porto de entrada das travessias marítimas, avalia Régis Medeiros, titular da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor). Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Estado, diz que é preciso pensar em 2020 para voltar os navios ao Ceará. 100 navios por ano passam ao largo. “Estão confirmados apenas seis navios para a próxima temporada (atracando em Fortaleza), 1/3 da temporada passada”, acrescenta.

Para tratar sobre as possibilidades de cruzeiros para a região, o titular da Setfor se reuniu há dois meses com Marco Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Abremar) e com a operadora de turismo CVC. Em agosto, Régis irá participar também, a convite da Abremar, de evento em Brasília junto a operadores de cruzeiros.

Além das travessias, a dragagem do Porto permite fomentar os cruzeiros nacionais. “Poderiam nascer aqui e ir até a Amazônia, Salvador. É uma ideia de segundo plano”, exemplifica o titular da Setfor. No Brasil, os cruzeiros partem de portos como Santos e Rio de Janeiro, em roteiro de sete dias pela costa.

A existência do hub aéreo é outro ponto de apoio para receber os cruzeiros no Mucuripe. “Temos como escoar essas pessoas pelo hub tanto para outros destinos do Brasil, como quem vai voltar para a Europa. A malha aérea crescente é importante para pensarmos nisso”, diz Régis.

Atualmente, o Porto do Mucuripe opera com cinco berços, sendo dois de atracação de cargas de combustíveis (granel líquido) e quatro para granel sólido, explica César Augusto Pinheiro, diretor-presidente da Companhia Docas do Ceará (CDC), que foi indicado ao cargo pelo senador Eunício Oliveira (MDB), presidente do Congresso Nacional, também presente na solenidade.

“Vamos fazer mais um para granel sólido, que vai ser carga seca, como contêiner de bobinas de papel e aço”. Segundo César, o novo berço vai dar condições para atrair outras cargas. Em 2001, a movimentação no Mucuripe foi de 3,5 milhões de toneladas e em 2017 foram 5 milhões de toneladas. “E o Pecém, com a siderúrgica, passou para 17 milhões de toneladas”.

LINHA DO TEMPO

Junho 2014 – Construção do novo terminal de passageiros do Porto do Mucuripe, na Praia Mansa. As obras foram realizadas com recursos do PAC Copa e totalizaram um investimento de R$ 205 milhões.

Novembro 2017 – edital para dragagem do Porto.

Janeiro 2018 – Contrato firmado com a empresa Jan de Nul do Brasil, vencedora da licitação.

Março 2018 – Encontro entre governador Camilo Santana e o ministro dos Transportes em exercício remarca início das obras para maio 2018.

Maio 2018 – Início da dragagem novamente adiado devido atraso no envio dos equipamentos para dragagem pela Jan de Nul do Brasil.

Julho 2018 – Assinatura da Ordem de Serviço da Dragagem.

Fonte: O Povo

Comentários


Schottel



Syndarma

ABTP

Antaq

TMSA

Assine Portos e Navios

ABTP

Sobena

Terra Firma Abratec