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Estadão: Governo busca sócios para superporto

Os governos federal e do Espírito Santo conversam com investidores do Brasil e do exterior para tirar do papel um novo porto em Vitória, investimento estimado em R$ 800 milhões. O projeto, que ganhou o apelido de Superporto, aproveita as características geográficas da Ponta do Tubarão para instalar um terminal de contêineres em águas profundas sem a necessidade de pontes.

Com a possibilidade de um calado de 18 metros, o novo porto permitiria que navios da nova geração de cargueiros de grande porte atraquem no Brasil. O calado do Porto de Vitória hoje é de 11 metros. Segundo o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, investidores nacionais já buscaram informações sobre o projeto. Entre eles, a construtora Odebrecht, que recentemente se juntou à Dubai Ports World para operar um novo terminal no Porto de Santos.

De acordo com o presidente da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Angelo Baptista, operadores de grandes terminais da Bélgica também pediram informações. Na semana que vem, representantes de armadores asiáticos desembarcam em Vitória. Baptista não dá detalhes dos interessados, alegando que as conversas ainda são iniciais. O ministro informou que vai apresentar o projeto no Japão em novembro.

Os contatos começaram logo após um workshop liderado por Brito em Bruxelas, no início deste mês, onde também foi apresentado o Porto do Açu, que Eike Batista constrói no litoral norte fluminense. O principal atrativo do projeto capixaba é a possibilidade de alcançar uma profundidade de cerca de 18 metros sem a construção de longas pontes de acesso, artifício usado no Açu, por exemplo. No Superporto de Vitória, um aterro na Praia Mole alcançaria o mar aberto, criando ainda um pátio de 1 milhão de metros quadrados.

"A grande profundidade natural tira o ônus da dragagem. As características individuais mostram que é um projeto de grande viabilidade, ideal para um porto de contêineres, como uma retroárea bem ao lado", disse Brito ao Estado.

Ele afirmou que o governo quer o modelo de concessão para que o investimento seja todo privado. "Não temos como fazer para licitar depois. Participação público-privada é complicada. Opera quem construir. Queremos ser práticos."

Para o presidente da Codesa, Vitória poderá abrir o mercado brasileiro para os cargueiros de grande porte, que hoje não operam no Brasil: "Falta um porto capaz de receber esses navios, que são uma tendência evidente." O terminal pode ser ligado à Estrada de Ferro Vitória a Minas, operada pela Vale, para escoamento das cargas.

Na prática, a instalação do Superporto na parte de trás da Ponta do Tubarão, onde também fica o terminal de cargas da Vale, seria uma expansão do Porto de Vitória, cuja capacidade de 500 mil contêineres por ano deve ser atingida até 2015.

Para o vice-governador capixaba, Ricardo Ferraço (PMDB), daria fôlego para o Estado consolidar a vocação portuária estimulada pelo governo estadual nos últimos anos com isenção fiscal, escoando a produção do corredor formado por Minas e Goiás. "É um grande potencial de geração de empregos." A primeira das três fases do Superporto poderia entrar em operação após quatro anos de obras, movimentando 300 mil contêineres por ano.

Completo, o porto poderia alcançar 2 milhões de contêineres anuais. O governo capixaba e a prefeitura de Vitória fizeram o projeto conceitual, mas ainda faltam estudos de viabilidade econômica e ambiental. "Estarão prontos no primeiro trimestre de 2010 e aí vamos fazer um road show no Brasil e no exterior", promete Brito. (fonte: Gazeta Online)

 

 

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