Dos 485 quilômetros que separam Londrina do Porto de Paranaguá, praticamente metade do percurso é feito em pista simples. A falta de uma infraestrutura mais robusta coloca a segunda maior cidade do Estado em desvantagem nos rankings de competitividade econômica em relação a outras cidades do Interior. As obras de duplicação da PR-376, a Rodovia do Café, seguem em ritmo lento. A previsão de término é para 2021, quando vence a concessão da rodovia, porém vários setores têm dúvidas se o prazo será cumprido. Para mostrar as dificuldades de locomoção, a reportagem da FOLHA percorreu os 270 quilômetros entre Londrina e Ponta Grossa, nos Campos Gerais. 

É pela PR-445, em um trecho de 80 quilômetros, que o viajante que sai de Londrina tem de percorrer até chegar à Rodovia do Café, em Mauá da Serra. O relevo acidentado, que destoa da área urbana de Londrina, já anuncia os trechos de serra que virão pelo caminho. O trecho de 15 quilômetros que ligam Londrina ao Distrito de Irerê deve começar a ser duplicado ainda este mês.

As condições atuais do trecho da rodovia são motivo de reclamação dos usuários. Dono de uma propriedade em Irerê, Carlos Silva diz que percorre os trechos todos os dias e que, pelo menos uma vez ao mês, se desloca até Curitiba. "Pegar um carro nessas rodovias é muito perigoso. Tem muita gente imprudente que quer ultrapassar onde não dá. Com uma pista duplicada melhora bastante", comenta. 

 

Após Irerê, a rodovia torna-se ainda mais sinuosa e a paisagem é dominada pelas plantações de pinus. Próximo ao trevo de acesso ao distrito de Guaravera, sulcos e elevações no asfalto tornam a viagem mais arriscada. Cruzes ao longo da rodovia alertam para os riscos à direção. 

Transpostos os 80 quilômetros da PR-445 que passam por Londrina, Tamarana e Mauá da Serra, surge a Rodovia do Café. Logo no entroncamento, uma placa do governo estadual anuncia as obras de duplicação "Frente Mauá". No entanto, a única duplicação feita na região de Mauá é a de um trecho de 15 quilômetros, na Serra do Cadeado. "Isso aqui antes de duplicar era uma das pistas mais perigosas do Paraná, com certeza. Muita curva fechada. Agora ficou bem melhor para quem dirige", contou a vendedora de artesanatos Helena dos Santos, 43. O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) informou que as obras estão dentro do cronograma que a duplicação deverá ser entregue até o final do prazo da concessão do pedágio, em 2021. (Celso Felizardo/Grupo Folha) 

COBRANÇAS 

A duplicação da BR-376 é uma das principais cobranças de entidades e da sociedade civil organizada de Londrina. Para Cláudio Tedeschi, presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), essas obras não terminarão até 2021, quando vence o prazo de concessão da rodovia. "No momento em que foram feitas essas concessões estávamos em um cenário econômico complexo, de alta inflação. Fazer contratos de médio e longo prazos é tentar adivinhar com uma bola de cristal", afirma. Tedeschi acredita que o caminho para a atual conjuntura é agir como o Estado de São Paulo tem feito, criando um fundo específico aplicado diretamente nas obras de duplicação. "Assim você não privatiza mais a estrada e obrigatoriamente os recursos vão para o fundo, que terminaria as obras com prazos e valores", analisa. 

"A BR-376 é o corredor de exportação do Paraná", considera Tedeschi. A rodovia liga toda a safra do Norte do Estado ao Porto de Paranaguá. Para além da questão econômica, o presidente lembra que temas administrativos e burocráticos estão, majoritariamente, vinculados à capital. Fora os fechamentos ocasionais do aeroporto de Londrina, pela falta do aparelho ILS (Sistema de Pouso por Aparelhos), que obrigam o escoamento para Curitiba pela BR-376. "De vez em quando Londrina tem problemas com o aeroporto, que fecha. A rodovia se torna, então, a veia principal da economia, que interliga o Norte paranaense à capital e ao Porto de Paranaguá", acrescenta.

Fonte: Bonde

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