Promessa do Palácio do Planalto para pôr fim à greve dos caminhoneiros, a definição de preços mínimos para o frete rodoviário gerou versões contraditórias no governo e uma avalanche de críticas do setor produtivo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) adiou para amanhã a publicação de uma tabela com valores atualizados. Ao meio-dia, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, garantiu que os preços da tabela seriam ajustados para baixo. No meio da tarde, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que a tabela não seria alterada.

Os valores publicados pela ANTT praticamente dobraram os preços dos fretes - os custos subiram de 20% a 95%, dependendo da atividade e da distância percorrida. Isso paralisou o mercado de grãos e também travou as movimentações em diferentes segmentos da indústria. Empresas de diversos setores adiam a contratação de transporte até que haja maior clareza, ou alteração das novas regras.

As indefinições também envolvem a política de preços de combustíveis da Petrobras. O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, afirmou que não houve ordem nem instrução do governo para a autarquia promover audiências públicas sobre a periodicidade dos reajustes dos combustíveis. "Houve, sim, anuência do governo", disse.

 

O protagonismo da ANP nas discussões divide as opiniões de especialistas do mercado. Há quem veja risco de que o debate público convocado pelo órgão regulador soe como interferência na política de preços da Petrobras e das distribuidoras. E há também quem considere o papel da autarquia como essencial para garantir um debate técnico da questão.

Fonte: Valor