A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) tem uma nova baixa em sua diretoria-executiva. O responsável pela área de Administração e Finanças da estatal, Francisco José Adriano, pediu afastamento do cargo e deverá permanecer fora do setor portuário até o fim das investigações da Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Tritão, deflagrada na semana passada. 

Após quase dois anos de investigações, a PF, em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF), identificou fraudes em pelo menos três contratos de prestação de serviços firmados pela Codesp – o de digitalização de documentos com a empresa MC3 Tecnologia, o de serviços de informática com a firma N2O Tecnologia e, também, o pagamento indevido realizado à empresa Domain Consultores, em forma de aditivo contratual.Na última quarta-feira (31), o ex-presidente da Codesp José Alex Oliva foi detido, assim como o ex-diretor de Relações com o Mercado e a Comunidade Cleveland Sampaio Lofrano. Além deles, foram presos temporariamente (por cinco dias) e depois tiveram a prisão prorrogada (por mais cinco dias) Carlos Antônio de Souza, ex-assessor da Docas, Gabriel Nogueira Eufrásio, superintendente jurídico da Autoridade Portuária, e os empresários Mario Jorge Paladino, Joabe Francisco Barbosa e Joelmir Francisco Barbosa. 

“Mediante tudo que aconteceu e por hoje eu ser o diretor mais antigo (em permanência no cargo), eu me afastei. Tenho muito acesso a todas as informações e fui aconselhado a me afastar pelo bom andamento das investigações”, destacou Francisco José Adriano. O temor do executivo e de seus advogados é que a polícia acreditasse em uma possível ocultação de provas, caso ele permanecesse no cargo. “Poderiam interpretar que eu poderia tirar uma folha de um processo, por exemplo, qualquer coisa assim”. 

 

Segundo o diretor de Administração e Finanças da Codesp, antes mesmo da deflagração da operação, no último dia 31, ele já havia sido convocado para prestar esclarecimentos na sede PF em Santos. Na ocasião, foram feitas perguntas sobre as contratações das três empresas e suas motivações. No dia em que foi deflagrada a Operação Tritão, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em várias cidades do País. Um deles foi cumprido na residência de Adriano, em Santos. Foram levados vários pertences, como canetas e relógios importados, além de uma quantia em euros e dólares que sobraram de viagens ao exterior, diz o dirigente portuário.De acordo com informações do inquérito policial, Adriano, que foi diretor de Relações com o Mercado e Comunidade antes de ser diretor de Administração e Finanças, emitiu nota técnica favorável às contratações irregulares. Além disso, segundo a PF, Adriano autorizou o início ou a continuidade do procedimento licitatório e não submeteu à deliberação do Conselho de Administração (Consad) a contratação da MC3. O inquérito também aponta que ele aprovou a contratação dos serviços da N2O e o pagamento indevido à Domain. “Minha participação no inquérito foi pequena. (na Codesp), Trabalhamos com a aprovação em colegiado”, explica o executivo. SaúdeAdriano, que passou por uma cirurgia bariátrica em julho último, também alegou problemas de saúde para se afastar do cargo. “Perdi mais de 30 quilos e, por causa do nervoso com tudo que aconteceu, quase morri”, afirmou. O executivo destacou que pretende continuar na Cidade até a conclusão da Operação Tritão. “Eu imagino que essas investigações devem durar uns 30 dias. Mas, assim que acabarem, eu volto. Se acabarem na quinta, eu volto na sexta-feira”, destacou Francisco José Adriano. Procurada, a Codesp não comentou o afastamento do seu diretor de Administração e Finanças até o fechamento desta edição. Também não revelou quem será o substituto no cargo. 

Fonte: A Tribuna

 

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