Condôminos de luxo

Porto do Açu anuncia primeiros grandes empreendimentos. Siderúrgica e fabricante de automóveis chineses devem aportar no norte fluminense
Os recentes anúncios da instalação de uma siderúrgica e uma fábrica de automóveis chineses no complexo industrial que integra o porto do Açu, no município de São João da Barra, no Rio de Janeiro, lançam novas luzes sobre o empreendimento. Estima-se que o complexo ganhará em breve novos condôminos, que virão a reboque dos pioneiros grupo chinês Wuhan Iron & Steel (Wisco), um dos maiores do mundo do ramo da siderurgia, e a montadora JAC, especialista em veículos ecologicamente corretos e maior produtora de carros elétricos do mundo, que assinaram um protocolo de intenções para instalação de plantas no porto do Açu.

O comunicado da instalação das empresas foi feito após o regresso da visita que o governador Sérgio Cabral fez à China. Em 24 de julho, o ministro Pedro Brito, da Secretaria Especial de Portos, num gesto de forte simbolismo visitou o empreendimento e conheceu, em companhia do empresário Eike Batista, do Grupo EBX, e do presidente da LLX, Ricardo Antunes, a fábrica de estacas e pré-moldados utilizados na construção da ponte, que ligará a retroárea à estrutura offshore, bem como as obras da ponte, que terá três quilômetros de extensão, sendo que quase 60% já estão concluídos.

A LLX, braço logístico do Grupo EBX, é a proprietária do porto do Açu. Com construção iniciada em dezembro de 2007 e operação prevista para o início de 2012, o porto do Açu terá uma retroárea para armazenamento dos produtos que serão movimentados, além do complexo industrial contíguo. As metas anuais para as exportações são de 63,3 milhões de toneladas de minério de ferro, além de 10 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos, 15 milhões de toneladas de carvão, cinco milhões de toneladas de granéis sólidos e 7,5 milhões de toneladas de carga geral.

O projeto foi idealizado para ser um grande condomínio industrial que incluirá terminal para minério de ferro, plantas de pelotização, usinas termoelétricas, um complexo siderúrgico e um polo metal-mecânico. A intenção é atrair empresas do ramo petrolífero, refinarias, indústrias cimenteiras e pátios para armazenagem de granéis. De concepção offshore, os berços distam 2,5 quilômetros da costa, em mar aberto. Para isso, está sendo construída uma ponte, píeres e quebra-mar, a cargo do Consórcio A.R.G. Civilport. A ponte de acesso possui 540 metros em terra firme e 2,34 quilômetros mar adentro. Possui 26,5 metros de largura — é mais larga que a ponte Rio-Niterói. Na construção, um equipamento especial denominado Cantitraveller está sendo utilizado. O equipamento é composto por uma estrutura metálica que serve de gabarito para a montagem da ponte, onde está instalado um guindaste com capacidade para 300 toneladas, que faz a cravação das estacas pré-moldadas e a montagem das vigas pré-moldadas da ponte. A ponte terá, ainda, três correias transportadoras e uma pista de nove metros de largura para trânsito de veículos.



O quebra-mar está sendo construído para proteger os berços de atracação (10 ao todo) que ficarão em mar aberto. O terminal portuário terá seis berços de atracação para navios graneleiros e quatro para cargas gerais e embarcações de apoio a atividades offshore. Com uma profundidade de 18,5 metros , o porto do Açu permitirá a atracação de navios Capesize com capacidade de até 220 mil toneladas, assim como a nova geração dos navios superconteineiros com capacidade de até 11 mil TEUs. Essa capacidade para receber navios de grande porte pode gerar redução do custo do frete com importações e exportações.

Próximo aos campos de petróleo offshore das bacias de Campos, Santos e do Espírito Santo e com fácil acesso para as regiões mais desenvolvidas do Brasil, o porto do Açu servirá de centro logístico para as regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Com a atividade, pesquisa aponta um grande aumento populacional em São João da Barra, o que gera empregos indiretos, como construção de novas residências, salas de aulas, leitos hospitalares, dentre outros. O complexo incluirá, ainda, unidades petroquímicas, montadora de automóveis, pátios de armazenagem inclusive para gás natural, cluster para processamento de rochas ornamentais, instalações para embarcações de apoio à atividade offshore. Serão investidos US$ 1,6 bi no Terminal Portuário Privativo de Uso Misto do Açu.

Após o anúncio do empreendimento da Wisco e da JAC, pelo menos mais duas montadoras chinesas anunciaram entendimentos para a instalação de unidades no norte do estado do Rio. São elas a Build Your Dreams (BYD) e a Chery. A Chery, especialmente, se empolgou com a logística do porto e começará a testar carros no Mercosul. A Chery é a maior marca de automóveis chinesa e para iniciar a sua consolidação no Brasil, importará o utilitário esportivo Tiggo do Uruguai.

 

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