Brasil busca oportunidades no embarque de bois para abate

A crise que se arrasta na Venezuela – principal comprador de bois e búfalos vivos de Minas Gerais e também do Brasil – somada à turbulência da economia brasileira tem levado pecuaristas a apostar em novos destinos para as exportações de bovinos em pé. Entre as principais apostas estão o Egito e a Turquia. Desde 2014, o embarque de animais para abate em território egípcio estava embargado em razão de diferentes interpretações dos dois países em relação a testes laboratoriais de febre aftosa. Em abril, o comércio bilateral foi retomado e, de acordo com especialistas do setor, abre-se, agora, uma janela para o negócio, com possibilidades de crescimento do Brasil nesse mercado.

A boa notícia foi anunciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em meados do mês passado. De acordo com o órgão, entre 2009 e 2014, o Brasil forneceu regularmente bovinos para abate no Egito. Naquele período, o país embarcou 75 mil cabeças de gado para o parceiro africano. No segundo semestre de 2014, as exportações foram interrompidas. Os exames para detecção da febre aftosa, alvo da suspensão das exportações brasileiras, integravam o protocolo firmado na época entre os parceiros comerciais. Os dois países passaram, então, a renegociar certificado veterinário que não impedisse o desembarque dos animais no Egito.

Bois embarcando

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Catálogo da Indústria Marítima

 

O acordo que permite a exportação de animais vivos para a Turquia foi fechado em 24 de agosto do ano passado. E os exportadores brasileiros não perderam tempo. Prova disso é que a AgroExport, única empresa mineira especializada na venda de animais vivos para o exterior, com sede em Uberaba, embarca amanhã 4.750 bovinos para engorda em fazendas de clientes turcos. Será a maior operação do tipo já feita por Minas, segundo o diretor da AgroExport, Alexandre de Castro Cunha Carvalho.

Entre 160 e 180 caminhões sairão do Triângulo Mineiro rumo ao Porto de São Sebastião, no litoral paulista. “Apesar dos riscos e do fato de ser um negócio ainda novo no Brasil, é um mercado interessante”, observa Carvalho, lembrando que outros dois destinos liberados recentemente também apresentam novas oportunidades para exportação: Iraque e Jordânia.

“Esse tipo de abertura fomenta a pecuária de uma maneira geral. Abrir o mercado é o que a gente sempre está procurando, pois se torna uma alternativa para os pecuaristas”, comenta o gerente de relações internacionais da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Mário Karpinskas Júnior. Ele diz que, a Venezuela, um dos principais compradores de bovinos vivos do Brasil, está há dois anos sofrendo forte crise econômica, que impactou nas importações do país e, consequentemente, atingiu o mercado brasileiro.

“Há, ainda, a Turquia e o Líbano, que compram bastante. E estamos confiantes de que novos mercados vão se abrir daqui pra frente”, antecipa Karpinskas. Carvalho, da AgroExport, observa que os venezuelanos, antes os principais clientes da empresa, deixaram de comprar animais há cerca de um ano. “Vendíamos muito pra lá, mas agora eles não conseguem dólar para quitar as cartas de crédito. Se está faltando até medicamento, não é diferente com comida e carne”, conta.

Segundo Karpinskas, 20% do que se produz de carne no país é exportado. E, quando se trata de bovinos vivos, esse percentual é bem menor. “O mercado interno ainda é o mais forte. No entanto, há muito consumidor para o gado fora do país, principalmente, nesse tipo de negócio que envolve mercados diferentes. Na Turquia, por exemplo, eles exigem o gado novilho (adolescente) destinado à criação para o abate”, afirma. Minas Gerais, por exemplo, segundo ele, se destaca neste mercado com animais para reprodução. “Com o porto de Belém, no Pará, compensa mais a exportação por lá. Aqui em Minas, os bovinos e búfalos são vendidos para reprodução. Os animais têm genética superior, afinal, o estado é um grande provedor de animais de genética apurada.”

A coordenadora da Assessoria Técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline de Freitas Veloso, destaca que o Pará é o principal estado exportador de bovinos vivos. "A logística favorece os negócios", observa. Além da localização favorável, Alexandre Carvalho conta que no estado também há uma oferta maior de animais que podem ser comprados para atender clientes estrangeiros. A AgroExport tem filiais naquele estado e no Maranhão. Desde 1988, a empresa já exportou cerca de 1 milhão de animais vivos para 20 países. A maioria foi embarcada a partir do Pará.

Aline Veloso lembra que o acidente ocorrido em outubro do ano passado no cais do porto de Vila do Conde – em Barcarena, Nordeste do Pará –, quando um navio que levava 5 mil bois vivos naufragou, atrapalhou os negócios relacionados à exportação. Carvalho confirma. “Era o principal porto para este tipo de carga”, recorda. As atividades, agora, estão sendo normalizadas gradativamente, mas análises ainda estão em curso para a liberação total do porto. “A expectativa agora é de retomada”, afirma o empresário.

Cenário mineiro

De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), até o mês passado Minas não havia exportado nenhum boi ou búfalo vivos, enquanto no mesmo período do ano passado, foram embarcados 31 animais, o que rendeu ao estado US$ 276 mil. “Normalmente, nesta época, ocorrem as exportações de animais para o abate. É uma questão de mercado”, comenta o superintendente de Política e Economia Agrícola da Seapa, João Ricardo Albanez. Ele afirma que, com a crise brasileira, agravada pelo aumento do desemprego, o preço da carne sacrifica o orçamento das famílias, o que levou à retração das vendas de cortes de boi e búfalo.

Fonte: em.com.br

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