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Atividade portuária na pesca

Portos de Cacimbas e da Outra Banda hoje são voltados para pesca empresarial e os viveiros de camarão em Acaraú
Sobral Falar do Porto das Cacimbas, na pequena cidade litorânea de Acaraú, é falar de um tempo de muita nostalgia, pois se sabe perfeitamente que este antigo porto, quando em plena atividade, foi responsável pelo desenvolvimento da região do Baixo Acaraú.
Era algo em torno de 900 carros de boi que trafegavam continuamente nos meses de verão. Nas estradas poeirentas, transportavam-se algodão, couros, peles de animais e outros produtos que em Cacimbas eram embarcados para Pernambuco, Bahia e outros mercados.
O historiador Raimundo Girão, em sua obra "História Econômica do Ceará", confirma isto, quando informa que "pelo Acaraú transitavam os artigos e mercadorias que saíam ou demandavam os sertões do Norte da Capitania. As primeiras fábricas foram levantadas no modesto Porto das Cacimbas".
Por meio do Porto das Cacimbas surgiu um outro para atender às embarcações fluviais. Era o Porto da Outra Banda, hoje denominado de Porto Pesqueiro, afastado cerca de cinco quilômetros da barra do rio, que deu origem ao povoado que adensou com o nome de Oficinas, para mais tarde se transformar na cidade de Acaraú.
Hoje os tempos são outros: o Porto Outra Banda se transformou num bairro que se situa às margens do Rio Acaraú, mais precisamente na desembocadura desse rio. O porto hoje está a serviço de empresas ligadas à pesca empresarial e viveiros de camarão. Naquele bairro já está em fase de instalação outro viveiro, que ocupa uma das áreas de mangue, responsável pela valorização dessas áreas.
Atualmente, os quintais das casas são disputados por empreendedores do ramo, que ali instalam seus viveiros. Alguns moradores reclamam do mau cheiro que exala do Rio Acaraú, proveniente de restos despejados pelos viveiros que estão funcionando. A comunidade se sente incomodada, mas não sabe como nem para quem reclamar, caracterizando a falta de informação quanto aos direitos e deveres do uso dos lugares públicos. Encontrar alguém que queira reclamar da situação é difícil. Todos temem sofrer represarias por empresários ou por pessoas ligadas a eles.
"O Porto de Cacimbas foi a porta de entrada dos meus antepassados. Foi por aqui que chegou, vinda de Pernambuco, mais precisamente de Porto de Galinhas a minha avó materna Alzira Pereira dos Santos", comentou o pesquisador e professor Lucivan Rios Silveira, mais conhecido por "Totó", que está editando um livro que tenta resgatar o período áureo do Porto de Cacimbas. Ele lembra que o porto teve também um grande valor histórico. "As histórias de algumas famílias acarauenses têm origem no Porto de Cacimbas. Minha avó casou-se com Inácio Eduardo Rios de onde descende nossa família".
Um dos fatos memoráveis na vida da população desta cidade data o dia 20 de janeiro de 1981, quando o inglês Stuart Mallert Rogerson chegou na companhia de esposa, uma dinamarquesa, e três filhos. A família viajava num pequeno barco, o "Thália". Naquela ocasião estavam dando uma volta ao mundo e, no Brasil, escolheram a Ilha Fernando de Noronha e a cidade de Acaraú para visitar. Passaram três meses arrumando o barco e no dia 13 de setembro daquele ano deram sequência à aventura.
O pesquisador lembra que o Bairro Outra Banda foi realmente o início de tudo, em Acaraú. "Ali aportavam as embarcações menores, que vinham de Cacimbas, pelo rio, nas mares de enchentes", recorda Totó.
O Porto de Outra Banda (Pesqueiro) tem hoje praticamente a mesma atividade de outrora. Usado para embarque e desembarque do pescado dos barcos que com a pesca da lagosta aumentou o número de barcos. Quatro trapiches são destinados a esse tipo de embarcações que ali ancoram diariamente.

ARACATI
Local sofre com assoreamento de rio
Aracati Um campo de futebol, muito mato, embarcações de pesca encalhadas e uma bandeira do Brasil num falso mastro podem ser observados na região onde funcionou o antigo Porto de Aracati, em torno do qual se formou a cidade e toda a opulência econômica que um dia representou. No período colonial, Aracati era o principal ponto de intercâmbio comercial, quando o Ceará se tornou independente da capitania de Pernambuco. Atualmente, o porto aracatiense está desativado, não existe nem na memória de muitos que moram nas redondezas.
Na primeira metade do século XVIII, esta então vila litorânea era conhecida como São José do Porto dos Barcos. Pelo porto vinham as grandes embarcações, colonos e os produtos comercializados. Daqui ia a carne seca, principal produto do comércio entre capitanias.
"Aracati, como porto de mar acessível, relativamente próximo do Recife e de Salvador, tornou-se, mesmo antes de ser elevado à vila, o pulmão da economia colonial da capitania, cuja riqueza era, em maior parte, por ela transitada", esclareceu o historiador Raimundo Girão, que descreveu o local como "empório comercial de primeira grandeza".
A época era de esplendor para os habitantes da vila, principalmente os barões, que construíram suas casas na Rua Grande, hoje Rua Coronel Alexanzito. A influência do porto na realidade da vila era tanta que Aracati ganhava mais importância - pela dinâmica econômica - do que Fortaleza, até que esta cidade criasse seu próprio porto e concentrasse as principais transações econômicas.
Nos dias atuais, o porto perdeu status, o movimento parou, o núcleo populacional que se formou no passado se desenvolveu como cidade, ingressando em outras atividades. A ligação com outros locais se faz por estradas de rodagem, e do mar só desembarca peixe, camarão e lagosta. Alguns barcos ficam atracados na região do antigo porto, na conexão entre o mar e o Rio Jaguaribe, por onde passavam alguns barcos chegados.
O rio, hoje assoreado, encalha as pequenas embarcações nos períodos do ano em que a maré baixa arrasta boa parte da água para o mar. O assoreamento do rio provocou distanciamento dos pontos de desembarque no porto, até tornar impraticável esta atividade. "Do antigo Porto do Aracati nada mais existe", afirma o memorialista Antero Pereira. O local teria ficado totalmente desfigurado depois da construção do dique de proteção às cheias na cidade. "Existem relatos de viajantes que aqui estiveram em 1864 afirmando que os vapores nessa época ainda fundeavam em frente à cidade de Aracati. No entanto, já em 1872 esses vapores chegavam somente até o Fortinho, onde ficavam atracados no antigo Trapiche. Ainda existe alguma coisa do velho Trapiche", explica Antero.
Jogando bola em um "campinho" na região do antigo porto de Aracati, Francisco Tiago e Deurismar da Silva, ambos de 12 anos, não sabiam que existia ali um local onde os navios chegavam, vindos de vários lugares. Hoje é "apenas" um campinho de futebol e depósito de barcos. Depois do bate bola, enquanto o sol não se punha, os meninos pegam a bicicleta e contemplam o inexistente, até uma inocente pergunta (justificável pelo ensejo da Copa do Mundo): "vinha navio da África?". "Sim", responde a reportagem.
Vinha com vários mercadorias, entre as quais escravos para serem explorados na região. Até que um jovem jangadeiro bateu o pé que não desembarcaria mais homens para trabalharem por força. Da Vila de Canoa Quebrada (nome batizado por um navegante português que lá aportou no século XVII), com sua atitude o jangadeiro Francisco Nascimento tornou-se o Dragão do Mar.

Fonte: Diário do Nordeste(CE)/Wilson Gomes/Wilson Gomes/Melquíades júnior/Colaboradores

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