Ao arrematar seu terceiro terminal no porto de Santos, em leilão realizado na sexta-feira, na B3, a Ageo se consolida como a maior operadora de granéis líquidos do cais santista, onde já explora duas instalações. No total, os três arrendamentos da companhia reúnem capacidade estática para 441 mil metros cúbicos de armazenagem destinada a combustíveis e químicos para exportação e importação. Com a expansão de um deles prevista para ficar pronta em julho de 2019, a oferta subirá para 500 mil metros cúbicos.

Os três terminais são vizinhos e ficam na Ilha Barnabé, situada na margem esquerda do porto. "Vamos buscar sinergias e oferecer a melhor solução ao cliente, ter um preço extremamente competitivo", disse David Barioni, presidente da Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais (EBT), holding que controla a Ageo.

A empresa fez uma oferta ousada para vencer a Granel Química, atual operadora do terminal, cujo contrato de arrendamento venceu. A EBT ofereceu outorga de R$ 200 milhões contra R$ 142 milhões da Granel e, no leilão viva-voz, acresceu de uma vez R$ 10 milhões, arrematando o terminal por R$ 210 milhões. A variação mínima na disputa viva-voz era de R$ 2 milhões por lance. A Granel só fez uma oferta nessa etapa, de R$ 202 milhões. A Cattalini apresentou proposta de R$ 20 milhões e não fez oferta no viva-voz. A outorga será paga em seis vezes: 25% no ato e cinco parcelas de 15%.

 

A Granel pertence à Odfjell, grupo norueguês líder em transporte marítimo de químicos e outras cargas líquidas. A aposta do mercado era que a Granel dificilmente perderia a concorrência. Além de ser um terminal estratégico para a Odfjell, a Granel contava com uma vantagem: a tancagem exigida no edital é exatamente a já ofertada pela Granel, pois os 99 tanques do terminal pertencem à empresa, não são bens reversíveis à União. Ou seja, a Granel atendia à exigência sem precisar fazer investimento.

"Sabíamos que eles viriam fortes porque estão na área. Mas, para nós, a área interessa muito. É contígua à nossa e sempre almejamos participar da licitação", afirmou Barioni.

Ainda neste ano o governo deve lançar edital para leiloar área contígua ao terminal arrematado pelo Ageo

O arrendamento é válido por 25 anos podendo ser prorrogado até o limite de 70 anos. O valor global do contrato é de R$ 1,3 bilhão, montante referente ao que a arrendatária deverá pagar à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal que administra o porto, no período. São R$ 116 mil por mês referente ao arrendamento fixo e R$ 4,50 por tonelada de carga movimentada, a título de arrendamento variável.

Além da outorga, a empresa terá de investir em uma capacidade estática mínima de 97,7 mil metros cúbicos no terminal, o que está estimado em R$ 198,2 milhões.

Questionado se pretende comprar a tancagem existente no terminal ou se irá construir outros, Barioni disse que isso ainda não está decidido. A empresa tem capital fechado e pertence à empresária Cinara Ruiz, viúva de Carlos Santiago, morto há dois anos.

O pagamento da outorga e os investimentos serão feitos com capital próprio e com financiamento bancário - já há um consórcio de bancos definido.

De acordo com Barioni, a prioridade da EBT é no porto de Santos. "Temos um ano de gestão dessa nova empresa para que depois possamos pensar em outros caminhos", disse.

Ainda em 2018 o governo deve lançar edital para leiloar área contígua ao terminal arrematado pela EBT. Trata-se da antiga área da Vopak. Questionado se tem interesse em disputar a exploração do empreendimento para adensá-lo, o executivo disse que ainda não se deteve sobre esses estudos. "Sabia que faria essa pergunta. Mas estamos totalmente dedicados ao terminal que acabamos de arrematar", afirmou Barioni.

O governo ficou satisfeito com o resultado do leilão. "Foi uma satisfação ter recebido três propostas e ter esse valor de outorga. A ideia é aumentar essas parcerias não só na área portuária, mas na ferroviária, rodoviária e aeroportuária", disse o ministro dos Transportes, Valter Casimiro. De acordo com ele, ao menos dez editais de portos devem ser publicados neste ano.

O lote do porto de Santana (AP) para movimentação de cavaco de madeira, que também seria licitado na sexta-feira, contudo, não teve interessados. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) vai recapacitá-lo para movimentação de grãos. "Isso envolve trabalhar o plano de desenvolvimento e zoneamento do porto e analisar o mercado, mas aponta muito para isso", disse o diretor-geral da Antaq, Mário Povia.

No último leilão portuário, em julho, uma das razões para duas áreas em Paranaguá (PR) ficarem sem interessados foi o custo médio ponderado do capital do projeto (wacc), que referencia o retorno do negócio, de 8,03%. Povia reafirmou o que disse na ocasião. Será definido um wacc conforme a natureza da carga a ser movimentada. "Ainda neste ano teremos uma proposta de wacc para carga geral, granel líquido e sólidos em geral", disse, Povia.

Fonte: Estadão

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