A falta de berços de atracação para navios que trazem fertilizantes ao Porto de Santos foi tema de reunião entre representantes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar). A entidade solicitou a liberação de locais para as operações destes cargueiros e aguarda um posicionamento da Autoridade Portuária. Um novo encontro será realizado nos próximos dias. 

Conforme divulgado na edição de terça-feira (27) de A Tribuna, a demora na atracação dessas embarcações no cais santista já soma prejuízos da ordem de US$ 36,7 milhões, o equivalente a R$ 142,9 milhões. Cada dia dessa espera custa cerca de US$ 14 mil e o problema se agrava a diariamente, diante da chegada de novas embarcações.

É o caso do Panamax Ostria, que chegou ontem à Barra de Santos com 71.300 toneladas de sulfato de amônio, um composto usado como fertilizante no agronegócio. Trata-se do maior volume já transportado por um navio até o Porto. 

 

Apesar de ter chegado nessa terça-feira ao complexo marítimo, a atracação da embarcação está prevista apenas para o próximo mês. Neste caso, serão gastos US$ 280 mil pelo tempo de espera na área de fundeio. A cifra chega a R$ 1 milhão. 

Diante dos prejuízos, o Sindamar pediu à Codesp a liberação de outros berços para a atracação dos navios de fertilizantes. Segundo o diretor-executivo da entidade, José Roque, mais dois pontos já seriam suficientes para amenizar a situação.

Procurada, a Codesp informou que ingressou com uma suspensão de liminar perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para derrubar a decisão que impede a atracação de navios de fertilizantes no Cais do Saboó. A sentença original foi proferida levando em consideração o questionamento de um operador portuário e o fato de que o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos não prevê operações deste tipo na região. 

Mas a decisão de primeira instância foi mantida. No momento, as atracações estão mantidas nos demais trechos, com exceção do Saboó. Em todo caso, a Autoridade Portuária vai avaliar a viabilidade dos pedidos do Sindamar.

Para fugir dos custos excedentes e das multas por atraso, muitos armadores já desistiram de utilizar o Porto. “As agências marítimas estão abrindo as escalas dos navios, mas o importador, cinco dias antes da chegada da embarcação, ciente de fila de espera para atracar em Santos, determina o cancelamento da escala em Santos e abre escala em Paranaguá (PR), Vitória (ES) ou São Francisco do Sul (SC)”, afirmou o diretor-executivo do Sindamar, José Roque.

Fonte: A Tribuna

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