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Acidente no Pará amplia disputa por bois no Sul

O naufrágio do navio que levaria cerca de 5 mil bois da Minerva Foods para o Líbano e a posterior interdição parcial do porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), vêm alterando - provisoriamente - a geografia das exportações de boi vivo no Brasil. A mudança desagradou a frigoríficos do Rio Grande do Sul ao mesmo tempo em que animou os pecuaristas do Estado, que agora contam com uma alternativa para valorizar os animais.

Depois de muito tempo, o porto gaúcho de Rio Grande voltou a enviar navios com bois vivos. Há duas semanas, a Minerva, que lidera as exportações de bovinos no país, enviou 5 mil animais à Venezuela, e a expectativa é que mais um carregamento com o mesmo número de bois seja exportado a partir de Rio Grande, de acordo com o diretor técnico do porto, Darci Tartari.

A decisão da Minerva de adquirir bois no Rio Grande do Sul "mexeu no mercado", elevando os preços no Estado, o que desagradou a concorrentes como a Marfrig, afirmou uma fonte ao Valor. Líder nos abates no Rio Grando do Sul, a Marfrig retomou há poucos meses as atividades no frigorífico de Alegrete, que passou boa parte de 2015 sem abater bois em razão da menor oferta no Estado.

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Na avaliação do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), a exportação de bois vivos prejudica os frigoríficos que operam no Estado por agravar a escassez de matéria-prima e provocar a alta dos preços.

Segundo o diretor do sindicato, Zilmar Moussalle, a Minerva "bagunça" a cadeia produtiva local porque só compra a "nata" do gado gaúcho e baliza as cotações, que nas últimas duas a três semanas passaram de uma média de R$ 9,50 para R$ 10,80 por quilo de carcaça. "O consumidor vai pagar caro pela picanha, pela chuleta, pelo vazio e pela costela no fim do ano", disse.

De acordo com o dirigente sindical, os frigoríficos instalados no Estado abatem 2 milhões de animais por ano, mas operam com uma ociosidade entre 35% e 40%.

Do lado dos pecuaristas, porém, a exportação de bois vivos é vista com bons olhos. Para a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a operação é "interessante" porque representa uma opção para os produtores, mas não é significativa a ponto de provocar falta de matéria-prima. Para o diretor da Farsul e presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Pedro Píffero, os embarques de boi vivo ao exterior ou para outros Estados são benéficos para os criadores pois sem eles o único fator de valorização da carne seria a escassez de oferta de animais.

De acordo com Píffero, a Minerva compra animais aos poucos no Estado e puxou os preços de cerca de R$ 4,90 para R$ 5,50 o quilo do animal vivo, valorização de 12%. Ele não concorda que as exportações do frigorífico agravem a ociosidade da indústria local porque elas representam apenas uma pequena parcela do volume de abate anual no Rio Grande do Sul e até dos cerca de 100 mil animais que saem vivos do Estado a cada ano. "O grande volume é enviado pela JBS para terminação em outras regiões", argumentou Píffero.

Para o porto de Rio Grande, a exportação de boi vivo não é "interessante" do ponto de vista de receita portuária, afirmou Tartari, ponderando que a medida é positiva para os pecuaristas e também gera mão de obra nessa região.

Segundo a Minerva Foods, os embarques pelo porto não são emergenciais, mas devem continuar "raros" uma vez que o porto "não é viável economicamente para a maior parte dos clientes de gado em pé".

Fonte: Valor Econômico/Luiz Henrique Mendes e Sergio Ruck Bueno | De São Paulo e Porto Alegre

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