A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) garantiu, no ano passado, um aumento de 14,6% em sua receita líquida. De R$ 740,4 milhões registrados em 2016, ela saltou para R$ 848,6 milhões em 2017. O aumento do volume de cargas movimentadas no Porto de Santos está entre os principais motivos desta alta, que culminou no lucro de R$ 44,4 milhões da Autoridade Portuária. 

As informações fazem parte de um relatório divulgado ontem pela Autoridade Portuária. Além de balanços patrimoniais, o material reúne informações sobre os recursos humanos da Docas e índices de movimentação de mercadorias. 

Em 2017, o bom desempenho das commodities no mercado internacional, com destaque para as exportações do milho, soja e açúcar, garantiram um aumento de 14,1% na movimentação de carga no Porto. No total, 129,9 milhões de toneladas foram movimentadas no cais santista no ano passado. 

 

Com o impulso das operações, a receita obtida com o pagamento de tarifas portuárias também cresceu. Elas abrangem a utilização da infraestrutura de acesso aquaviário, de acostagem e de faixa de cais. 

Neste caso, os valores arrecadados com a cobrança dessas tarifas corresponderam a mais de 50% (R$ 429,4 milhões) da receita operacional líquida, que somou R$ 848,6 milhões. O aumento foi de 13,4% em relação ao ano anterior. 

Se a receita da Docas cresceu, as despesas também tiveram um acréscimo de 10%. De R$ 815,5 milhões, em 2017, ela saltou para R$ 900,3 milhões, no ano passado. 

Despesas

Nos dispêndios, destacam-se a aplicação de R$ 95,8 milhões na contratação da dragagem de manutenção do Porto de Santos, o que garantiu a operacionalidade no canal de acesso ao complexo marítimo, e despesas com demissão voluntária de funcionários, da ordem de R$ 18,9 milhões. 

Com o Plano de Desligamento Consensado (PDC), 103 empregados da Codesp demonstraram a intenção de se desligar da empresa, gerando, a médio prazo, uma economia mensal da ordem de R$ 2,4 milhões. Esse valor considera remuneração e encargos sociais e trabalhistas, o correspondente a uma redução de aproximadamente 8,83% na folha de pagamento. De acordo com a Companhia Docas, o dispêndio decorrente dos desligamentos será recuperado em 10 meses, aproximadamente.

Os gastos com a remoção de 115 cilindros com gases tóxicos encontrados em armazéns do Porto de Santos também representaram custos da R$ 17,6 milhões. Além disso, acordos judiciais envolvendo a operadora portuária Rodrimar somaram R$ 43,2 milhões.

A Tribuna apurou que houve um questionamento do valor pago pela Rodrimar pelo arrendamento de áreas no cais santista. A operadora portuária tinha a opção de executar a dívida em 2014 ou negociar o pagamento. O acordo só saiu dois anos depois, em 2016, com pagamento parcelado, concluído em 2017. 

Processos trabalhistas

[Apesar de ter apenas 1.402 funcionários no final do ano passado, 128 a menos do que no ano anterior, a Companhia Docas do Estado de São Paulo encerrou 2017 com 3.260 ações trabalhistas e uma redução de 23% da provisão trabalhista de risco provável, que soma R$ 44 milhões. 

A Autoridade Portuária investiu o equivalente a R$ 255.865,75 em capacitação de funcionários. Foram realizados 371 cursos, em 52.412 horas de treinamento. Os números indicam uma média de 39,3 horas de treinamento por empregado da companhia. 

Fonte: A Tribuna