A China faz crescer cada vez mais seus tentáculos sobre portos no exterior. Só em 2016, o país duplicou seus investimentos em projetos portuários, que ultrapassaram a marca dos US$ 20 bilhões. A medida, que torna a nação uma potência marítima, pretende viabilizar novas rotas de transporte por meio do círculo ártico.

Os portos estabelecidos para os investimentos chineses se agrupam em torno de três "passagens econômicas azuis". Em junho, o país nomeou essas passagens como fundamentais para o sucesso do "One Belt One Road", um grande esquema para conquistar aliados diplomáticos e mercados abertos em cerca de 65 países entre Ásia e Europa.

Um estudo do Grisons Peak — um banco de investimento sediado em Londres — descobriu que as empresas chinesas anunciaram planos para comprar ou investir em nove portos no exterior até junho de 2018, em projetos com valor total de US$ 20,1 bilhões. Além disso, estão em curso discussões para investimentos em vários outros portos — sem nenhum valor foi divulgado.

Tal nível de atividade representa uma aceleração dos investimentos, que foram de apenas US$ 9,97 bilhões em projetos portugueses chineses no exterior entre junho de 2015 e 2016, segundo estimativas do Financial Times.

— Este ano, a China anunciou todas suas três passagens econômicas azuis, por isso, não é nenhuma surpresa ver esse nível significativo de aumento do investimento em portos e transporte marítimo — disse Henry Tillman, presidente-executivo da Grisons Peak.

Ao todo, são quatro iniciativas separadas para a Malásia — com investimentos de US$ 7,2 bilhões no Melaka Gateway, US$ 2,84 bilhões no porto de Kuala Linggi, US$ 1,4 bilhão no porto Penang e US$ 177 milhões em projetos portuários no Kuantan, segundo anúncios da empresa.

Fonte: O Globo