Considerado um dos ativos cearenses cujo valor mais cresceu nos últimos anos, o Porto do Pecém prepara uma estrutura robusta para dar conta de uma movimentação de cargas ascendente e projeta para 2018, segundo afirma a diretora comercial Rebeca Oliveira, "um ano de mudanças". O cenário é propício à expectativa, pois os executivos do equipamento atuaram na captação de operadores mirando a ampliação do Canal do Panamá e, principalmente, a parceria com o Porto de Roterdã.

Os dois contatos convergem em benefícios ao Pecém no próximo ano, "com novos clientes e novos serviços que estão chegando", como revela a diretora. Já em 2017, a MSC preparou uma infraestrutura maior para transportar os contêineres que chegam carregados no Porto e levá-los diretamente para a Europa.

"Nós vamos trabalhar para expandir os negócios dos empresários cearenses, possibilitando novos serviços, com novas rotas nas mesmas linhas...", exemplifica Rebeca, indicando que tudo deve acontecer com mais intensidade no segundo semestre de 2018 por conta do envio da safra cearense ao exterior pelo Pecém. Até lá, ela estima o término da segunda ponte do Porto.


Cenário e contatos

Promessa de mudança no comércio internacional, a abertura do Canal do Panamá no ano passado após a ampliação é visada pelo governo cearense desde o início da obra, quando o Pecém foi apresentado como melhor opção de aporte para embarcações de grande porte que atravessam do Oceano Pacífico para o Oceano Atlântico rumo à África. O equipamento cearense preparou-se com obras e, de acordo com Rebeca, "ainda não tem muito o que fazer a não ser vender o porto". Ao afirmar que "isso realmente leva tempo para acontecer", ela revela que está em curso conversas com algumas linhas e também dúvidas são tiradas oportunamente, assim como "dar um feedback aos operadores que contatam".

"O Porto do Pecém é um porto novo, completou 15 anos agora e lentamente foi sendo conhecido", pondera, apontando novamente para 2018 como o ano onde deve ser mais visível os esforços comerciais. É justamente reconhecimento que a diretora comercial destacou na comemorada parceria que o Ceará fechou com o Porto de Roterdã, na Holanda. Após idas e vindas do governador Camilo Santana e de executivos do porto estrangeiro, o Estado anunciou a parceria que trará consultoria completa à operação do Pecém e deve apresentá-lo ao mundo no setor.

"Ter o nome deles (Roterdã) é muito importante, porque empresas vão querer se instalar no Porto do Pecém só por isso, além de ter a visão deles. Vejo um futuro muito brilhante e estou ansiosa com isso", afirmou.

Movimentação

Enquanto a convergência destes dois elementos cruciais para o equipamento cearense ainda não acontecem, o Porto do Pecém segue comemorando mês a mês o crescimento dos indicadores de movimentação de cargas. O último balanço, fechado em maio, dá conta de uma expansão em 92% sobre os cinco primeiros meses de 2016, ao contabilizar cerca de 6 milhões de toneladas movimentadas.

"O grande volume de movimentações através do Porto do Pecém é resultado dos investimentos que o Estado do Ceará tem realizado. Agora, começamos a colher esses frutos e, com certeza, até o fim de 2017 esses números comprovarão a capacidade do Pecém de se tornar uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias não só para o Nordeste, mas para todo o País", declarou Danilo Serpa, presidente da Cearáportos - empresa responsável pela administração do Porto do Pecém.

Crescimento

A expectativa, segundo revela a diretora comercial, é que neste ano sejam movimentadas 14 milhões de toneladas, o que torna-se a cada mês mais crível, vide os resultados apresentados agora. Ao mesmo tempo que as importações aumentaram 63% em maio quando registrou 4.807.970 toneladas, as exportações avançou em quase quatro vezes, ao chegar a 1.661.401 toneladas. Os números são resultado de crescimento em todas as cargas: granel sólido (78%), carga solta (644%), container (24%) e granel líquido (14%).

O transporte de minério de ferro (1.588.938 t), produtos siderúrgicos (132.884 t), arroz (76.308 t), plásticos e suas obras (53.403 t), e embarques de farinha de trigo (52.817 t), sal (50.815 t), placas de aço (27.613 t) e cimentos (23.071 t) fez, inclusive, a cabotagem expandir em 132% no Porto do Pecém no período.

Fonte: Diário do Nordeste