Navio graneleiro encalha em berço de atracação do Porto

O navio graneleiro Tong Shun adernou e encalhou no berço de atracação em frente aos armazéns 20 e 21 do Porto de Santos, onde funciona o terminal graneleiro da Copersucar. Equipes da agência de navegação que atende o cargueiro, a Cargonave, e da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) já iniciaram a vistoria da embarcação, mas o problema ainda não foi descoberto.

Há a suspeita de que o casco tenha sido perfurado por ferragens que estariam no leito do berço de atracação. Mas essa hipótese não foi confirmada.


O Tong Shun chegou ao Porto de Santos na última terça-feira (6). Segundo informações da Capitania dos Portos, o navio começou a adernar na manhã de quinta-feira (8), após o carregamento de 30.850 toneladas de soja. Ele já tinha embarcado quase 40 mil toneladas do grão em uma escala no Uruguai.

A vistoria da embarcação já foi iniciada, mas o problema não foi descoberto (Foto: Carlos Nogueira)

A Autoridade Marítima explicou, em nota, que, por conta do problema, ainda na quinta-feira, solicitou um laudo de uma entidade classificadora, capaz de atestar as condições estruturais e de navegabilidade da embarcação, e uma carta explicativa do comandante do Tong sobre o cargueiro.

Na sexta-feira (9), a CPSP enviou ao local peritos para avaliar o navio. Mergulhadores chegaram a inspecionar o casco do cargueiro. A atividade foi dificultada pela água turva do estuário. Havia a informação de que áreas a bordo estavam alagadas. No início da noite, os trabalhos foram suspensos sem uma conclusão. Eles devem ser retomados na manhã deste sábado (10), quando também está prevista a inspeção dos tanques de água de lastro do navio graneleiro.

Segundo fontes ouvidas por A Tribuna, há uma suspeita de que o problema esteja relacionado às obras de reforço de cais do Porto, contratadas pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária). As ferragens que teriam perfurado seriam do costado.

O serviço de reforço prevê o fortalecimento da estrutura de 1,7 quilômetro de cais da região de Outeirinhos, na Margem Direita (Santos) e foi iniciado em 2014. A obra é considerada essencial para permitir o aprofundamento dos berços sem que a estrutura de cais acabasse ruindo e caindo sobre o canal de navegação. Para isso, o consórcio formado pelas empresas Andrade Gutierrez, OAS Engenharia, Brasfond e Novatecna foi contratado por R$ 200 milhões.

Procurada, a Codesp informou, em nota, “que já foi providenciado serviço de inspeção subaquática. Até o momento, não há um laudo sobre as condições do casco”. Ela também relatou que “não foi verificado qualquer indício de óleo no entorno da embarcação”. Apesar disso, barreiras foram colocadas ao redor do navio.

A Cargonave foi procurada, mas não comentou o caso. O incidente não teve vítimas, segundo as autoridades.

Fonte: A Tribuna