Esta é a segunda vez no ano que uma embarcação não consegue desembarcar no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza, no Mucuripe. Acontece que um evento da Natureza, em que se formam picos de ondas no mar, chamado de swell, deixa mais difícil a manobra das embarcações próximo ao Terminal. Em terra, ficam empresas de turismo no prejuízo.


Foi o que aconteceu no último domingo, 5, quando, na chegada do navio Silver Spirit, com 326 passageiros a bordo (117 americanos, 96 ingleses, 18 canadenses, entre outras nacionalidades). Vindo de Natal, a embarcação atracou no berço 105 do Porto de Fortaleza às 8h30min. Por decisão do comandante, o navio foi embora às 10h sem que ninguém pudesse desembarcar para conhecer a Capital. Foi o que explicou Marjorie Marshall, presidente da Coordenação da Operação de Navios de Passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza.


Neto Venturino, diretor da Netur Viagens e Turismo, ficou com prejuízo de cerca de R$ 10 mil, porque teve que contratar transporte, guias e pagar taxas, como a abertura antecipada do Theatro José de Alencar, para levar os turistas para passear na Cidade.



A outra embarcação a ter dificuldades no Porto foi o veleiro de madeira Norueguês Sorlandert, de 200 anos, com 73 passageiros. Chegou a Fortaleza no dia 19 de fevereiro e teve de ficar atracado até 24 de fevereiro, mas distante do Porto. “Ficaram se deslocando de lancha da baía até o Porto”, explica Marjorie.


Mário Jorge Moreira, diretor administrativo da Companhia Docas do Ceará, diz que de 600 navios ano que o Porto recebe, dois geralmente não conseguem desembarcar. “Apesar de o swell ser histórico, desde a criação do Porto que ele acontece, 1940, não compensaria fazer uma obra de infraestrutura de milhões por causa de dois navios”.


Rui Carlos Botter, professor titular do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da USP, diz que não há o que fazer. “As pessoas se revoltam porque não desembarcaram, mas é um efeito que acontece todo o ano e a decisão do desembarque é única e exclusiva do capitão da embarcação”.

Fonte: O Povo