Sobreoferta resistente aumenta especulação de petróleo armazenado em navios

O cenário de preços baixos e a consequente sobreoferta vão fazer com que, nos próximos meses, ainda haja procura por estoques de petróleo em navios-tanque no mundo inteiro. A avaliação é que a economia, que não terminou de desacelerar, e os cortes na produção mundial ainda não foram suficientes para reduzir essa sobreoferta na velocidade que o mercado gostaria. Analistas apontam que a principal diferença desse ambiente em relação às crises anteriores é que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) trouxe impacto mais descentralizado às economias mundiais, afetando drasticamente o consumo como um todo.

Para o professor de Relações Internacionais da ESPM-SP, Gunther Rudzit, não deve haver mudanças tão significativas nesse setor nos próximos meses, principalmente no que é produzido nos países exportadores sem mercado interno. “Mesmo que haja aumento da produção de novos reservatórios, ao mesmo tempo em que se acelere a diminuição da produção do shale gas (gás de xisto), ainda haverá nos próximos meses — arrisco dizer pelo restante do ano — essa dificuldade de se conseguir estocar petróleo e seus derivados”, disse.

200507-mapa-navios-pelo-mundo.jpegNas últimas semanas, circulam nas redes sociais capturas de tela extraídas de ferramentas de tráfego marítimo indicando uma grande quantidade de navios que estariam carregados com petróleo aguardando o fim dessa sobreoferta da commodity. A assessora estratégica na Fundação Getúlio Vargas (FGV Energia), Fernanda Delgado, ressaltou que essas imagens compartilhadas necessitam de uma leitura cuidadosa e análise crítica porque nem todos são navios-tanque cheios de petróleo aguardando para descarregar. Também há, por exemplo, cargas de derivados e outros tipos de navios que aparecem nos mapas virtuais, como cruzeiros na região do Caribe sem se deslocar em razão da pandemia.

Restrito a assinantes