Petrobras quer vender ainda mais ativos: o que esperar das novas diretrizes da companhia?

Depois da turbulência no início do mês com o aumento do preço do diesel barrado e após o alívio com o reajuste autorizado, a Petrobras (PETR3;PETR4) deu um novo passo para impulsionar a venda de ativos. E, de quebra, diminuir a presença da estatal no segmento de refino e distribuição. 

O conselho de administração da Petrobras aprovou na última sexta-feira novas diretrizes de gestão do portfólio de ativos. Ela está agora autorizada a venda de oito refinarias, além de desfazer de faria na BR Distribuidora (BRDT3), mas ainda "permanecendo como acionista relevante".

Os ativos de refino incluídos neste programa de desinvestimento são: Refinaria Abreu e Lima (Rnest), Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Refinaria Gabriel Passos (Regap), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), Refinaria Isaac Sabbá (Reman) e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor).

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O Morgan Stanley viu com bons olhos esse anúncio, destacando esse como um bom movimento para evitar futuras intervenções no mercado de refino, além de levantar mais capital com as alienações e fazendo com que a empresa foque no que faz de melhor: a exploração e produção no pré-sal.

Contudo, há preocupações: "uma das principais é o timing, uma vez que encontrar investidores para assumir o risco downstream do Brasil não é tarefa fácil", afirmam os analistas Bruno Montanari e Guilherme Levy.

No segmento de refino, os analistas ressaltam que a estatal está atendendo às recomendações antitruste e, principalmente,  para diminuir os riscos de intervenção no futuro.

"Ao oferecer efetivamente quase 50% do mercado para terceiros, a Petrobras dirige sua mensagem ao atual governo e à pressão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por mais concorrência no refino, com o objetivo de ter transparência e preços justos dos combustíveis no país", apontam os analistas. 

Contudo, avaliam, há ceticismo de que os preços possam cair de forma relevante sem uma reforma nos tributos sobre os combustíveis (carga de 45% na gasolina e 30% no diesel). Além disso, ainda não está claro se a infraestrutura dos oleodutos de petróleo será incluída nas refinarias, o que poderia atrair mais interessados.

O Morgan estima um valor-base de US$ 14,9 bilhões na venda das refinarias, em uma avaliação que pode ir a um mínimo de US$ 10,5 bilhões e um máximo de US$ 22,6 bilhões. Ao assumir um desempenho operacional similar para todos as unidades, a empresa renunciaria a US$ 3 bilhões em seu Ebitda anualmente, enquanto o seu capex seria reduzido em cerca de US$ 1 bilhão anualmente no médio-longo prazo.

Já no caso da BR Distribuidora, os analistas ressaltam que manter a Petrobras como acionista relevante poderia impedir a maximização do valor do ativo. 

"No início de 2019, os investidores estavam entusiasmados com a

perspectiva de uma privatização completa da BR Distribuidora, o que provavelmente resultaria em uma recuperação mais rápida.  No entanto, a empresa optou por uma oferta secundária, mantendo-se um acionista relevante, o que nos faz pensar que reduzirá sua participação de 71% para 49-51%". avaliam os analistas.

De qualquer forma, após os desinvestimentos, os dividendos da BR Distribuidora podem vir: se a empresa entregar as vendas planejadas, o excedente de caixa a partir de 2020 pode ser dirigido para maior distribuição de dividendos, o que seria muito bem recebido pelo mercado. 

Com todo esse cenário no radar, o Morgan Stanley mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para as ações da Petrobras, de olho no aumento da produção de petróleo em 2019 e 2023, com retornos acima da média no pré-sal. 

Além disso, os acionistas se beneficiarão da conclusão do processo de desalavancagem via fluxo de caixa positivo e novas vendas de ativos. Um risco chave para essa tese seria uma mudança na independência de gestão para definir os preços dos combustíveis.

Sobre isso, o mercado chegou a ter um susto com os sinais de intervenção do governo na primeira quinzena do mês, mas deu um voto de confiança com os sinais de que a Petrobras seguiria com sua política de mercado para o reajuste dos combustíveis. De qualquer forma, os investidores seguem de olho nos próximos passos do governo na estatal. 

Fonte: InfoMoney

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