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Tarifas de superpetroleiros sobem por falta de disponibilidade

O mercado de frete de superpetroleiros enfrenta uma indisponibilidade que fez os preços subirem, afetado pelas sanções americanas contra uma importante empresa chinesa de navios e pelo grande número de embarcações tiradas da água para a instalação de purificadores das emissões de enxofre.

As tarifas no mercado à vista para fretar viagens de superpetroleiros entre o Golfo Pérsico e a China triplicaram nas últimas duas semanas e chegaram a um valor de quase US$ 140 mil por dia na quinta-feira, segundo a corretora de navios nova-iorquina Poten & Partners.

Corretoras de navios informam que as firmas comercializadoras de petróleo têm encontrado dificuldade para contratar superpetroleiros — que podem transportar mais de 2 milhões de barris — desde que, há duas semanas, o governo dos EUA impôs sanções a duas subsidiárias da Cosco, maior dona de petroleiros da China, por seu suposto envolvimento no favorecimento a vendas de petróleo iraniano.

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Ao mesmo tempo, pelo menos 60 superpetroleiros estão fora do mercado esperando para serem reequipados com purificadores do sistema de exaustão, antecipando-se à entrada em vigor de novas leis ambientais sobre o teor de enxofre no combustível dos navios.

As firmas comercializadoras e analistas estimam que esses dois fatores removeram cerca de 10% da frota ativa de superpetroleiros do mundo e pegaram de surpresa algumas grandes petrolíferas, levando as tarifas de fretes às alturas.

“Da frota ativa de 700 a 720 VLCC [sigla em inglês para ‘petroleiros muito grandes’], 60 embarcações vão estar em diques por todo o quarto trimestre e 26 foram afetadas pelas sanções da Ofac [sigla da agência americana de fiscalização de ativos estrangeiro]”, segundo o chefe de navegação de uma das maiores comercializadoras de petróleo do mundo, que não quis ser identificado.

“De repente, você tem mais de 10% da frota paralisada. Isso é enorme em um momento no qual os EUA estão elevando as exportações de petróleo.”

Nos últimos 30 dias, as exportações americanas de petróleo somaram em média mais de 3 milhões de barris por dia, cerca de 35% a mais do que há um ano, segundo a Agência de Informações sobre Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

Algumas petrolíferas também contrataram embarcações adicionais para diversificar a oferta depois dos ataques em setembro às importantes instalações de processamento de petróleo de Abqaiq na Arábia Saudita.

Os ataques, que restringiram temporariamente a produção de petróleo saudita, “deixaram as pessoas de sobreaviso” quanto a riscos de interrupções no mercado de petróleo, segundo Erik Broekhuizen, chefe de análise e consultoria de petroleiros, na Poten & Partners.

O frete de petroleiros do tamanho Suezmax custa mais de US$ 100 mil por dia, apesar de terem capacidade para carregar apenas a metade de petróleo que os VLCCs, de acordo com a Poten & Partners.

Embora as subsidiárias da Cosco atingidas pelas sanções tenham 21 VLCCs e 20 petroleiros de menor tamanho, muitas empresas ocidentais também estão relutantes em fretar qualquer embarcação da firma controladora, cuja frota soma cerca de 150 petroleiros, segundo Broekhuizen.

“A psicologia do mercado mudou completamente a favor dos donos de navios”, acrescentou. “É o fator do medo. As pessoas sentem que se não contratarem uma embarcação hoje, talvez amanhã isso custe US$ 40 mil a mais. ‘Deixe eu resolver logo meu carregamento’.”

Firmas comercializadoras de petróleo destacaram que as novas regras de navegação, além de terem levado os donos de navios a correr para instalar os purificadores, também tiraram do mercado vários navios, que estão sendo usados para armazenar o diesel marítimo mais limpo a ser exigido após a entrada em vigor das leis, em janeiro de 2020.

As comercializadoras calculam que o preço do diesel de navegação com baixo teor de enxofre poderia disparar com a troca de combustível, o que as têm levado a fretar navios para armazenar combustível em Cingapura, um importante centro naval e de reabastecimento.

As corretoras de navio ressaltam que a falta de disponibilidade é exacerbada porque os navios nos diques para a instalação dos purificadores e a frota da Cosco são, em grande medida, embarcações novas, que tendem a ser privilegiadas pelas petrolíferas no hoje efervescente mercado à vista.

A alta nas tarifas de frete também impulsionou as ações das principais empresas de navegação. A Frontline, controlada pelo bilionário John Fredriksen, nascido na Noruega, viu as ações subirem cerca de 27% nos últimos 30 dias, enquanto as da Euronav valorizaram-se em torno a 24%.

Fonte: Valor

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