A companhia estatal ucraniana Ukrinmash, parte da corporação UkrOboronProm, está propondo ao Programa da Classe Tamandaré, da Marinha do Brasil (MB), uma variante ligeiramente mais pesada da sua corveta classe Volodymyr Velykyi – tecnicamente registrada como Projeto 58250.

A concepção do navio, a cargo do Centro Estatal de Pesquisa e Design da Construção Naval, da cidade portuária de Mykolaiv, data de 2008. A primeira unidade começou a ser construída em um estaleiro do Mar Negro em 2011, sofreu atrasos, precisou ser interrompida em 2014 – devido ao conflito russo-ucraniano –, mas teve sua fabricação retomada no fim do ano passado.

Na última semana de novembro de 2017 uma delegação da Ukrinmash esteve no Rio de Janeiro, em visita ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), acompanhada do embaixador Rostyslav Volodymyrovych Tronenko – que serve pela segunda vez em Brasília e fala português –, e do coronel Oleh Barabash, Adido de Defesa da Ucrânia no Brasil.

 

Este ano a Ukrinmash se apresentou, formalmente, para a disputa dos quatro navios Tamandaré em associação com o grupo francês Thales e o próprio AMRJ.

Fato curioso é que, de acordo com fontes da MB e de uma outra concorrente à Classe Tamandaré, os ucranianos, no esforço de despertar o interesse dos chefes navais brasileiros, acenam com a possibilidade de o seu país transferir para a Força Naval brasileira, como uma espécie de offset (compensação tecnológica), o cruzador Ukrayina, de 186,4 m de comprimento e 11.490 toneladas (vazio) – navio da Classe Slava que, desde 1997, jaz inacabado em um atracadouro da própria Mykolaiv.

Casco do cruzador Ukrayina da classe Slava

Casco do cruzador Ukrayina da classe Slava

Semelhanças – A Marinha ucraniana encomendou quatro escoltas tipo Volodymyr Velykyi, e espera receber o primeiro em 2022. Os demais devem ser entregues em 2024, 2026 e 2028.

Ano passado, o vice-ministro da Defesa da Ucrânia, Igor Pavlovsky, informou que ao programa 58250 (cujo planejamento total previa a produção de dez corvetas, e não apenas quatro) havia sido reservada uma verba de 1 bilhão de dólares.

O navio tem algumas características de projeto consideravelmente próximas às definidas pelo Centro de Projetos de Navios da MB para a Classe Tamandaré:

Project 58250 - clique na imagem para ampliar

Project 58250 – clique na imagem para ampliar

Deslocamento – entre 2.500 e 2.650 toneladas;

Comprimento – 109 m;

Boca – 13,5 m

Calado – 3,90 m

Velocidade máxima sustentada- 32 nós

Tripulação – 110 tripulantes;

Alcance – 4.000 milhas náuticas (a 14 nós);

Autonomia – 25 dias de mar;

Perfil da corveta classe Tamandaré do CPN

Tamandaré

Deslocamento – 2.790 toneladas;

Comprimento – 103,4 m;

Boca – 12,9 m

Calado – 4,25 m

Velocidade – não inferior a 25 nós;

Tripulação – 136;

Alcance – não inferior a 4.000 milhas náuticas;

Autonomia – 28 dias de mar.

O navio ucraniano irá transportar três sistemas de mísseis, além de uma peça de artilharia de 130 mm de dupla função (antinavio e antiaérea), mas a proposta ucraniana para o Brasil deixa a versão do navio 58250 totalmente aberta às especificações de armamento e de sensores definidas pelo MB.

Casco do cruzador Ukrayina da classe Slava

Casco do cruzador Ukrayina da classe Slava

China e Índia – Inusitada mesmo é a oferta do cruzador Ukrayina.

O navio – tecnicamente registrado como Projeto 1164 – tem ao menos 75% das suas obras concluídas.

Seu projeto é da metade inicial da década de 1970. Ele começou a ser construído pelo estaleiro 61, de Mykolaiv, em 1983, e foi lançado ao mar em 1990, pouco antes da desintegração da União Soviética.

O navio passou, então, ao controle da Federação Russa, onde foi batizado de Admiral Flota Lobov. Mas em 1993, devido aos severos cortes na Marinha da Rússia, foi devolvido aos ucranianos, que o rebatizaram de Ukrayina. Em 1997, os trabalhos de acabamento da embarcação, que transcorriam em ritmo lento, foram interrompidos definitivamente.

Como a unidade possui grupo propulsor, tubulações e sistemas de armas de origem russa, e o relacionamento político de Kiev com Moscou degradava rapidamente, na metade final da década de 1990 o governo de Kiev determinou que o navio fosse oferecido a outras marinhas.

Houve contatos com a China e a Índia e, nessas ocasiões, os ucranianos não esconderam que a embarcação requeria, para ser terminada, serviços no valor de 30 milhões de dólares.

Com o fracasso de todos esses expedientes, o navio, dotado de três sistemas de mísseis – inclusive lançadores verticais VLS de mísseis antiaéreos SA-N-6 Grumble (na Rússia S-300F) – foi imobilizado em Mykolaiv.

Em março do ano passado chegou ao Estaleiro 61 a notícia de que o presidente ucraniano Petro Porochenko ordenara que o Ukrayina fosse desmontado para ser vendido como sucata, mas pendências trabalhistas não equacionadas com os operários da construção naval local vêm adiando a execução dessa ordem.

Não se sabe em que estado se encontra o casco da embarcação.

Fonte: Poder Naval

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