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Regras e falta de acordos afetam competitividade, aponta Maersk

A Maersk aponta o excesso de regulamentação no setor marítimo e as indefinições sobre acordos comerciais como fatores que sufocam a competitividade do país. O trade report da empresa de navegação referente ao primeiro trimestre associa a falta de sinais de evolução do comércio exterior brasileiro à ausência de medidas que tratem da competitividade do país e incentivem novos negócios. Na visão da companhia, o Brasil está perdendo competitividade para vizinhos, como Paraguai, Uruguai e Argentina, em produtos-chave, entre os quais proteínas, alimentos e bebidas. Segundo Eunice Minczuk, gerente de operações terrestres da Maersk, a expectativa de abertura de mercados com o novo governo não se confirmou e tem afetado diretamente a atividade, que historicamente já enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura.

Para a Maersk, o país não pode continuar tão fechado, na medida em que a navegação no Brasil poderia ser impulsionada com novos acordos comerciais. “No palco global, as alianças estratégicas dos países e as parcerias de longa data estão sendo testadas. É importante que o Brasil não seja deixado para trás”, salientou o diretor-geral da Maersk para a costa leste da América do Sul, Antonio Dominguez. Ele acrescentou que o mercado doméstico é bastante importante, mas existem oportunidades gigantescas em outros mercados.

A diretora de atendimento ao cliente da Maersk, Elen Albuquerque de Carvalho, analisou que a demora na definição sobre o acordo Mercosul-União Europeia e outros acordos com a Ásia atrapalha o avanço do comércio exterior brasileiro. Além disso, a instabilidade do câmbio não representou um fator positivo para exportações. "Ainda precisamos de mais estabilidade cambial. Enquanto não houver, não vislumbramos novos acordos sendo feitos", comentou Elen. Sem novos acordos, a perspectiva de comércio com a Ásia atualmente é de manutenção dos contratos vigentes.

A Maersk observa outros países, como Austrália, aproveitando a guerra comercial entre China e Estados Unidos para acelerar as exportações. A empresa entende que, como grande exportador de proteína animal, o Brasil precisa investir em infraestrutura e adotar regulamentação mais dequada para alavancar as importações e exportações. O relatório cita o Uruguai, que assinou um acordo de carne bovina com o Japão no início deste ano, após grande esforço para ganhar terreno na venda de carne bovina para a União Europeia, ao lado da Austrália e da Argentina.

No primeiro trimestre, as cargas refrigeradas exportadas do Brasil para Ásia e Oriente Médio caíram 7% e 3%, respectivamente. Dominguez disse que os parceiros comerciais tradicionais do Brasil estão olhando para o país com preocupação e encontrando fornecedores alternativos para proteínas. Ele considera importante que esse resultado negativo não se torne uma tendência maior. “Muito está em jogo. O Brasil é um dos maiores exportadores de carga refrigerada do mundo e enquanto Brasília deixou claro que quer abrir novos mercados para o setor agrícola, neste momento, o país está perdendo participação de mercado em seus maiores mercados tradicionais devido à competitividade e outras questões políticas”, acrescentou.

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