Novo nicho

Especializada no gerenciamento de navios, V. Ships amplia atuação no mercado brasileiro com a criação de subsidiária voltada para o mercado offshore

Com sede em Mônaco e responsável pelo gerenciamento de mais de mil navios em todo o mundo, a V. Ships se instalou no Brasil há 26 anos e desde então não parou de crescer. Hoje tem 43 empregados em terra e administra mais de 500 tripulantes, além de cuidar da logística de cerca de dois mil marítimos da Transpetro. Com o desenvolvimento do mercado

 

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Catálogo da Indústria Marítima

 

offshore decidiu abrir novas frentes e acaba de criar a V. Ships Brasil Offshore, que vai atuar no atendimento específico de embarcações de apoio marítimo e plataformas de petróleo. Um dos próximos passos é abrir escritório em Macaé.

A V. Ships opera quatro navios da Vale e ainda este ano pretende fechar contrato para operação de mais dois, além de estar em seus planos operar os navios da Vale que estão em construção na Ásia. Entre seus clientes também estão empresas como Libra, Pancoast e a Maestra Navegação, recém-chegada ao mercado. A V. Ships também fornece tripulantes para navios de armadores estrangeiros, para cumprir a re-solução normativa 72, que determina a utilização progressiva de tripulantes brasileiros após noventa dias de permanência das embarcações estrangeiras em águas nacionais.

À frente da empresa há quatro anos, o presidente da V.Ships Brasil, Eduardo Bastos, conversou com PN sobre a nova subsidiária, as peculiaridades do trabalho de gerenciamento e a delicada questão da falta de mão de obra no Brasil.

 

Portos e Navios - Por que a V.Ships decidiu ter uma subsidiária só para o segmento offshore ?

Eduardo Bastos – O objetivo é cuidar do gerenciamento de FPSOs, plataformas e embarcações de apoio. Com isso as empresas podem se concentrar na operação. A atividade tem vários pontos de tangência com a marinha mercante, mas também tem muitas peculiaridades. Parte da legislação é diferente e o conhecimento que as pessoas têm que ter também é. E quem trabalha com navio tem dificuldade de adaptação rápida ao trabalho com plataforma.

Mas o trabalho não ficará restrito à administração da tripulação, vamos prestar todo o gerenciamento técnico, implementação de ISPS Code, inspeções, cuidar de reparos e docagens, etc.

 

PN – Como analisa essa polêmica em torno da falta de tripulantes brasileiros?

Bastos – A falta de mão de obra especializada não se restringe aos marítimos. No setor de navegação está particularmente mais difícil porque são duas áreas em ascensão. O  offshore vem crescendo muito há cerca de 10 anos mas como a marinha mercante estava em baixa, não faltavam profissionais. Com o surgimento do pré-sal o offshore explodiu. Só que ultimamente a marinha mercante também está em alta principalmente na cabotagem. E aí a situação complicou. Nos próximos anos, vários navios entrarão em tráfego ao mesmo tempo e a deficiência de pessoal, que é grande, tende a se agravar. Você precisa motivar muito o pessoal para embarcar.

 

PN – Terceirizar o gerenciamento de embarcações offshore é uma prática no mundo?

Bastos - No mundo é, mas no Brasil não. Nem no offshore, nem na marinha mercante. Lá fora o armador é preocupado em angariar cargas para seu navio. Aqui o armador em geral é também o dono do navio e muitas vezes é também o construtor. A tendência sempre foi de verticalização da atividade. Mas acredito que aos poucos o armador brasileiro vai mudar essa visão, vai se dedicar mais à parte comercial de suas frotas.

PN- A obrigatoriedade de uso de tripulantes nacionais faz com que o mercado se amplie para as empresas de gerenciamento?

Bastos – É verdade. Mesmo antes do fim do prazo de 90 dias as armadoras estrangeiras já nos procuram porque é difícil conseguir tripulação. É preciso um tempo para conseguir.

A obrigatoriedade nos beneficia, mas também nós nos sentimos um pouco constrangidos em não poder realizar nosso trabalho de forma a satisfazer plenamente o armador. A dificuldade em conseguir tripulação faz com que o armador tenha que despender uma energia enorme da empresa. Se ele puder ter quem faça isso, poderá usar seus funcionários para gerir o negócio dele e não ficar administrando pessoal. É mais barato terceirizar, até porque o armador passa a ter noção exata de quanto custa.

Principalmente nos barcos offshore é uma administração complicada e de giro rápido. Enquanto em um navio a tripulação é substituída a cada dois meses no offshore isso ocorre a cada quatro semanas.

 

PN — O Syndarma defende que os armadores brasileiros possam ter tripulantes estrangeiros durante um certo período de tempo por causa dessa falta de mão de obra nacional. O que você acha?

Bastos — Acho que este é um assunto realmente do Syndarma e da Abeam. Acho que não há apagão, mas sem dúvida há escassez. Há total empenho da Marinha, do Syndarma, da Abeam, do Sindmar e da Transpetro para que se chegue a um consenso. Nunca houve um momento tão propício quanto esse. Não tem que haver disputa, tem que haver solução. E não se pode esquecer que a Marinha tem promovido cursos de formação que têm ajudado a colocar mais oficiais no mercado.

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