O transporte de cargas marítimas é a espinal medula do comércio mundial. Atualmente, mais de 80% das trocas globais são feitas por mar, o que faz com que a indústria seja responsável por emitir anualmente a mesma quantidade de dióxido de carbono e de outros gases com efeito de estufa que a Alemanha, um dos maiores poluidores da Europa.

Por esse motivo, a Organização Internacional Marítima está a ajudar os navios cargueiros a produzir menos 85% de enxofre até ao final do próximo ano, já de olho numa meta ainda mais ambiciosa: cortar para metade o total de emissões nocivas para o ambiente até 2050.

Nessa senda, a indústria marítima já está a aplicar estratégias óbvias de combate às alterações climáticas, entre elas desenvolver sistemas de navegação que anulam as suas próprias emissões e passar a usar combustíveis menos agressivos, como o gás natural liquefeito. Mas são precisos mais planos de ação para cumprir as metas definidas pela organização.

 

Num editorial publicado esta quarta-feira, a Bloomberg aponta que as estratégias já em marcha são "passos essenciais" mas não totalmente "adequados" na resposta ao aquecimento global e às alterações climáticas. "Para alcançar a meta definida para 2050", aponta a agência financeira, "os operadores de cargueiros têm de encontrar fontes alternativas de energia".

O artigo apresenta uma série de estratégias que as empresas de transporte marítimo de mercadorias devem implementar, algumas delas de aplicação "fácil", como mudanças no processo de descargas em cada paragem que um cargueiro faz.

"Outra melhoria fácil conhecida como 'cold ironing' remonta aos dias em que as frotas eram movidas a carvão: quando os navios estão a descarregar num porto, usam eletricidade que vão buscar à costa em vez de usarem os seus próprios sistemas energéticos."

A Califórnia é dada como um exemplo a seguir: todos os seus portos comerciais já aplicam exigências básicas de 'cold ironing'. "Outros estados [norte-americanos] e países deviam seguir o exemplo", aponta a Bloomberg.

A direção da agência de notícias vai mais longe ao sugerir que uma das alternativas pode mesmo ser a energia nuclear. "A ideia de se criarem cargueiros de mercadorias com reatores nucleares não é nova: no final dos anos 1950, o Governo dos EUA financiou a construção do Savannah, que durante anos serviu para transportar mercadorias e passageiros; o cargueiro russo Sevmorput, movido a energia nuclear, foi inaugurado nos anos 1980 e continua ao serviço."

O facto de a indústria estar a acatar as recomendações da Organização Internacional Marítima é um bom sinal. Falta é aplicar estratégias concretas, sendo que nenhuma funcionará por si só.

"Nenhuma destas estratégias pode funcionar sozinha e algumas podem mesmo não funcionar de todo. Mas as empresas de transporte de mercadorias, os construtores de navios e as nações cujas economias dependem delas têm de ser mais criativas — 2050 vai chegar mais rápido que julgam."

Fonte: RR (Portugal)

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