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Embargos à carne brasileira contribuem com queda de 3% nas exportações de 'reefer'

As exportações brasileiras de cargas refrigeradas caíram 3% no último trimestre do ano passado e arrastaram os resultados globais para baixo. As quedas nas exportações para Europa, incluindo a Rússia, e Oriente Médio registraram quedas no período de 5% e 14%, respectivamente. O relatório trimestral da Maersk aponta que as proteínas continuam a ser um ponto sensível para as exportações brasileiras. A publicação destaca que o consumo do mercado asiático cresceu apenas 2% e não foi suficiente para compensar os impactos negativos das outras regiões.

As proibições à carne bovina e aves locais em toda a Europa e Rússia, que ocorreram em 2017, continuam a ter impacto sobre os resultados atuais. Para compensar a queda na demanda russa, os produtores brasileiros de proteínas estavam exportando para a Arábia Saudita, porém as exigências relacionadas ao processamento também provocaram restrições às aves em 2018 e 2019. Segundo o Alcorão, o alimento é considerado permitido para consumo (Halal) quando obtido de acordo com os preceitos e as normas ditadas pelo livro sagrado da religião islâmica.

O diretor geral da Safmarine para a costa leste da América do Sul, Denis Freitas, confirmou que a China continua sendo principal mercado para exportações de cargas refrigeradas. Um dos motivos é a mudança no padrão de consumo com ascendência de parte da população à classe média, desde aumento no consumo de carnes bovinas até compra de cortes mais nobres. Ele explicou que, apesar de a China ser um parceiro forte do Brasil, não tem volume suficiente para substituir a perda em mercados importantes da União Europeia e do Oriente Médio.

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Catálogo da Indústria Marítima

 

O mercado russo permaneceu fechado durante a maior parte do ano passado e só reabriu no final de 2018. A Maersk não espera que os volumes de proteínas brasileiras retornem aos níveis vistos antes da proibição em 2017. Isso porque os russos tornaram-se autossuficientes ou encontraram mercados de origem alternativa. O diretor comercial da Maersk para a costa leste da América do Sul, Gustavo Paschoa, acredita que a reabertura das importações do frango brasileiro pelo mercado russo não deve se concretizar no curto prazo. A Maersk observa que, nesse período de embargo, a Rússia desenvolveu outros fornecedores, entre eles o Paraguai. Essa foi uma das razões para revisão das perspectivas pela Maersk em relação ao último relatório.

Na avaliação da Maersk, a carne bovina ainda representa uma oportunidade de crescimento em 2019, porém será mais um desafio para o setor. A Ásia deve crescer mais em termos de demanda, já que o consumo de carne bovina per capita é relativamente baixo. Como existem restrições em termos de capacidade de transporte direto para a China, muitos produtores de proteínas estão movimentando mercadorias pela Europa primeiro. “As empresas brasileiras podem aproveitar a queda na demanda de carga refrigerada europeia para a Ásia e, caso precisem mudar rapidamente seus destinos de volta para a Europa, por exemplo, há mais opções disponíveis", acrescenta Matias Concha, gerente de produto da Maersk para costa leste da América do Sul.

Em 2018, as importações asiáticas tiveram um crescimento de dois dígitos no período que antecedeu a Copa do Mundo no primeiro e segundo trimestres do ano passado, antes de se estabilizarem no terceiro e decaírem até o quarto. O relatório ressalta que o crescimento nas importações asiáticas em 0%, esperado pela Maersk para 2019, não tem precedentes, uma vez que as importações asiáticas representaram historicamente o esteio por trás do crescimento das importações. 

Cargas secas
Dentre as exportações de cargas secas, o algodão teve uma das maiores altas históricas de crescimento no quarto trimestre, após uma colheita abundante. De acordo com o relatório, a demanda chinesa elevou o volume de algodão em 26% no quarto trimestre em meio a uma disputa de tarifas com os Estados Unidos. "Estamos vendo compradores chineses recuando no momento, mas o desafio real está por vir no final deste ano, quando o Brasil deverá produzir outra safra com números positivos", disse Paschoa. O desafio, segundo o diretor comercial, está em quanto esperar de crescimento, considerando as restrições de espaço em navios e equipamentos.

O último trimestre de 2018 registrou crescimento de 26% nas exportações de algodão sobre o ano anterior. Para 2019, a expectativa da safra de algodão continua alta, porém o desafio do setor de transportes é o desequilíbrio entre importações e exportações, na medida em que a falta de contêineres para exportação causa impacto nas exportações. “O desafio é como fazer esse balanço e dar vazão a essas safras”, comenta Paschoa.

Freitas, da Safmarine, acrescentou que o desafio dos contêineres ocorre porque o Brasil costumava ser importador e passou a exportador, causando desequilíbrio na disponibilidade dos equipamentos. Esse fator representa custo extra para os armadores, pois os contêineres vêm vazios para embarcarem as cargas para exportação. Além disso, a falta de equipamentos para exportação pode causar prejuízo para economia e até descarte da carga não embarcada. “Quando tem fluxo de importação com patamares saudáveis, se tem contêineres para exportar”, explicou. 

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

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