A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) estudará formas de aumentar a segurança na travessia de balsas entre Santos e Guarujá. A ideia é evitar novos acidentes como o do último domingo (6), em que o navio Santos Express se chocou com três embarcações operadas pela Dersa. O comandante do cargueiro e sua tripulação prestaram depoimento na segunda-feira (7) à Autoridade Marítima.

Por volta das 20h30 de domingo, o Santos Express colidiu com três balsas na entrada do Porto. O cargueiro concluiu, na noite de ontem, as operações no terminal da DP World Santos, na Margem Esquerda, na Área Continental de Santos, mas não poderá deixar o complexo até que seja apresentado um laudo sobre suas condições.

“Todo acidente precisa ser utilizado como lição. E precisam ser aproveitadas as lições, para que a gente possa tomar medidas futuras para evitar ou minimizar a possibilidade de ocorrências desta natureza. Nós vamos, sim, estudar esse acidente, as características do canal, da travessia da Dersa”, destacou o capitão de mar e guerra Daniel Rosa Menezes, comandante da CPSP.

 

De acordo com o capitão dos portos, na próxima semana, será realizada uma reunião entre a Autoridade Marítima e a Dersa. A ideia é discutir formas de melhorar e aumentar a segurança na travessia de veículos entre as duas cidades.

Ontem, foram iniciados os depoimentos que farão parte do Inquérito Administrativo dos Fatos da Navegação (IAFN) aberto pela CPSP para investigar o caso. Segundo o oficial, até o momento, não há indicativos de que não foram cumpridos os requisitos operacionais no trajeto do cargueiro.

“Esse navio é um dos maiores que nós recebemos no Porto. Por esta razão, ele tem uma série de requisitos operacionais para entrar, como os ambientais, de condições de mar e de vento, de visibilidade. Normalmente ele entra com dois práticos, porque um utiliza equipamento de navegação especial para auxiliar e garantir que o navio vai se manter em determinada posição no canal. E tem requisitos de correntes de maré, tem que trafegar nas marés de estofo”, explicou o comandante da CPSP.

O Santos Express foi batizado em novembro do ano passado, no Porto. Parte dos planos de renovação da frota da Happag-Lloyd, ele tem 333 metros de comprimento e 48 metros de boca (largura), o que garante a capacidade para transportar 10,5 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

A manobra de atracação foi iniciada às 20 horas e concluída apenas às 21h45. Já atracado, o Santos Express iniciou operações durante a madrugada. O navio veio a Santos para a descarga de 1,8 mil contêineres no DP World Santos.

Navio grande x canal estreito

“Com certeza, o navio desgovernou porque sentiu a presença do fundo muito próxima do casco”, afirmou o prático Fábio Mello Fontes, ex-presidente da Praticagem de São Paulo. A entidade é responsável por 12 mil manobras de entrada e saída do canal de navegação do cais santista por ano.

O profissional não foi o responsável pela manobra do último domingo, mas garantiu que o prático que estava a bordo tem mais de 30 anos de experiência. Para ele, o problema foi causado por conta da relação entre as dimensões do navio e as restrições de navegação por conta da largura e da profundidade do canal.

“No canal estreito, normalmente o navio corre para o lado. É porque ele sentiu que de um lado tinha um pouco a menos de água e ele quer ir para onde tem água. Quando é um navio menor, com menos calado, você tem uma margem de erro muito grande. Mas nesses navios muito grandes, com calado de 12 metros, você está no fio da navalha. Não pode errar 1%”, explicou Fontes.

Mesmo assim, o prático não acredita que seja necessária uma revisão de exigências pela Autoridade Marítima. “Eu faço uma discussão em tese. O que a gente sonha é que o canal tenha um pouco mais de largura e um pouco mais de profundidade. O ideal seria tudo com 16 metros e 220 metros de largura. Aí, seria o paraíso. Mas o que temos para hoje é isso. Temos que navegar. O País precisa”. 

Balsas atingidas por navio não têm data para voltar a operar em travessia

Reunião

A Prefeitura de Guarujá convocou para esta terça-feira (8) uma reunião para debater a segurança durante a travessia de balsas. A ideia é discutir os impactos do acidente no trânsito do município e buscar soluções para evitar novas ocorrências.

“Esse fato poderia causar proporções muito mais significativas. No momento em que o tráfego de embarcações é intenso, é inaceitável que fatos como este se repitam”, destacou o prefeito Válter Suman.

Foram convidados representantes da Prefeitura de Santos, da Dersa, da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), da Praticagem de São Paulo, do Corpo de Bombeiros e das Polícias Civil e Militar, entre outras autoridades.

Fonte: A Tribuna

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