A zona de praticagem 3 (PA) implantou há seis meses o sistema de balizamento virtual, desde a Boca das Onças até a foz do Rio Pará. Os práticos consideram que o sistema foi uma necessidade de segurança na medida em que as boias reais sofriam vandalismo e porque a extensão dos canais dificultava a manutenção dos equipamentos. Outro problema comum enfrentado é a dificuldade de visualização dos auxílios em época de aguaceiros, evento frequente na região que prejudica enxergar a boia física no campo visual e no radar.

O Canal do Espadarte, que chegou a ficar mais de um ano sem boias, hoje conta com seis, sendo cinco virtuais. Já no Canal do Quiriri, duas das oito boias são virtuais. Com a tecnologia, o prático visualiza o sinal da boia que não está fisicamente no local apontado por meio do radar e da tela de um ECDIS (sistema de exibição de cartas eletrônicas) no navio. Este sinal eletrônico de AIS (sistema de identificação automática), chamado de AtoN Virtual, ou auxílio virtual à navegação, funciona como uma boia virtual. 

Da estação operacional da praticagem, quatro torres de AIS-VHF emitem os sinais das boias virtuais visualizados pelos navios. Como o monitoramento é em tempo real, um alarme e um aviso na tela são emitidos imediatamente se uma boia perder o sinal.  “O prático não tem surpresas de balizamento, como uma boia apagada ou fora de posição — coisas que só descobrimos, geralmente, quando estamos a bordo, na pior situação”, explicou o prático Evandro Simas Abi Saab, presidente da Praticagem da Barra do Pará.

 

A praticagem afirma que o sistema é versátil, sendo utilizado para demarcar naufrágios, novos bancos de areia em rios, posicionamento para embarque de prático e sinalização provisória de referência para a navegação. Os sinais podem ser configurados previamente e ligados a qualquer momento, acelerando o tempo de resposta quando necessário. A solução foi apresentada em outubro, durante o I Seminário de Hidrografia Portuária para Práticos, no Rio de Janeiro, realizado pelo Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e pela Praticagem do Rio de Janeiro.

A praticagem entende que toda tecnologia disponível deve ser usada em prol da segurança da navegação. A avaliação é que existem diversas aplicações para esse tipo de sinal, mas sua utilização deve seguir determinados critérios e exigir planejamento minucioso. O conselho técnico do Conapra pretende manter estudos sobre o assunto e incentivar as praticagens brasileiras a fazerem o mesmo. O prático Porthos Lima, diretor técnico do Conapra, destacou no seminário a importância de as praticagens considerarem essa possibilidade ao analisar projetos de balizamento.

Segundo o comandante Hermann Adolph Sattler, do Centro de Auxílios à Navegação Almirante Moraes Rego (CAMR) da Marinha, a implantação desse tipo de balizamento deve considerar todos os aspectos operacionais relevantes e ser prescindido de uma análise de risco criteriosa, porque o número de sinais por equipamento em cada torre é limitado. “É preciso atenção ao planejar essa rede. Os auxílios visuais não devem ser descartados, mas complementados pelos AtoNs Virtuais”, disse Sattle durante o seminário.


Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

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