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Um novo fornecedor a cada três dias

Catálogo de Navipeças já tem certificadas 385 empresas das 760 que procuraram o portal para serem incluídas

Um portal de divulgação e relacionamento integrado por fornecedores nacionais, fabricantes e prestadores de serviços diretamente ligados à construção e reparação naval, destinado a contratantes globais de bens e serviços da indústria naval. Este é o Catálogo Navipeças, disponível desde 2009 e coordenado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) e pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip).

De acordo com o superintendente da Onip, Jorge Bruno, a cada três dias, o portal tem cadastrado e certificado uma nova empresa. Atualmente, 760 empresas estão envolvidas com o catálogo. Deste total, 385 já estão aprovadas e certificadas pelo Comitê Gestor, formado por instituições representativas para a indústria da construção naval. Treze companhias foram arquivadas, ou seja, foram avaliadas e entendeu-se que não estavam ligadas diretamente à construção e reparação naval ou eram distribuidores ou representantes. Em avaliação pela CAE (Comissão de Avaliação de Empresas) estão atualmente 22 empresas. Outras 78 estão em processo de envio de documentação e as restantes já preencheram o cadastro, mas ainda não encaminharam os documentos.

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Catálogo da Indústria Marítima

 

Para fazer parte do Catálogo Navipeças, as empresas candidatas se cadastram diretamente no portal e enviam a documentação para a análise dos aspectos técnicos e jurídicos pela CAE. Após o processo, a comissão recomenda ou não a empresa para o Comitê Gestor para uma nova avaliação. Caso não seja recomendada, a companhia é arquivada. Se for, a empresa segue em um lote, composto cada um por cerca de 25 empresas, para avaliação do comitê, que decide a inserção no catálogo. Se aprovada, a empresa passa a figurar no Catálogo Navipeças, apresentando seus bens e serviços. Segundo Bruno, todo o processo pode levar de 30 a 45 dias.

Através da organização das informações e da visibilidade aos fornecedores cadastrados, o catálogo pretende contribuir com o incremento do conteúdo nacional nos empreendimentos da indústria naval. Bruno destaca que no auge do setor existiam quase mil empresas nacionais — a maioria instalada no Rio de Janeiro — que forneciam diretamente aos estaleiros. Com o declínio do segmento naval, o cinturão de fornecedores se desfez e muitos deles migraram para a indústria automobilística. O site aparece então como elemento facilitador da reestruturação do setor naval.

“O catálogo tem sido muito bem recebido e se tornado cada vez mais um instrumento de consumo para o estaleiro que tem procurado fornecedores nacionais para atender às cláusulas de conteúdo local”, diz. Segundo a organização, um petroleiro Suezmax é composto por cerca de 1,9 mil equipamentos. Se o catálogo for traduzido em números, diz Bruno, o atendimento de bens e serviços pelas indústrias brasileiras gira em torno de 55% a 60%. Entre os itens que apresentam maior quantidade de fornecedores estão isolantes térmicos, válvulas, motores elétricos, além de serviços relacionados a caldeiraria, usinagem e soldas especiais. Por outro lado, ainda faltam empresas que produzam eletrônica de navegação, automação, sistemas de comunicação e de supervisão e controle. Bruno ressalta também que o país tem uma limitação tecnológica na produção de hélices de grande porte e motores diesel dois tempos para propulsão.

 

Por conta desse gargalo tecnológico, a Onip fechou um convênio com a Finep para desenvolver o Platec (Plataformas Tecnológicas para a Indústria de Petróleo e Gás), que também conta com a parceria do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Criado para promover o atendimento às demandas por inovação tecnológica da indústria de petróleo, gás e naval, o programa busca identificar fornecedores nacionais com potencial para a nacionalização de bens e serviços atualmente importados.

No caso dos 1,9 mil itens que compõem um Suezmax, foram encontrados 622 itens importados com algum potencial de nacionalização. Através de seis workshops tecnológicos realizados ao longo do ano passado, potenciais fabricantes, Finep, IPT e a certificadora RBNA analisavam o grau de dificuldade de nacionalização do equipamento e a sua viabilidade ao longo do tempo. “A Finep pode contribuir com o financiamento, o centro de tecnologia no auxílio ao desenvolvimento do equipamento e a certificadora, acompanhando o projeto desde o início, pode reduzir o custo de certificação do fabricante, já que não haverá retrabalho no final”.

Através dos encontros, diz Bruno, foram gerados 111 possíveis nacionalizações. “Esses projetos tecnológicos foram divididos em duas categorias: projeto tecnológico identificado, que tem todos os atores já identificados e preparados para nacionalizar esse equipamento; e projeto tecnológico potencial, cujos empresários interessados em desenvolver o item ainda não são conhecidos. Desses 111, 63 já são projetos tecnológicos identificados e destinados ao setor de navipeças.

Já existem, inclusive, casos de sucesso do Platec. É o caso da Centrifugar, que inicialmente produzia centrífugas para lamas de perfuração e para tratamento de resíduos de óleo de navios. Agora a empresa se prepara para fornecer purificadores de óleo combustível e óleo lubrificante. De acordo com Bruno, a companhia assinou no último mês de março um convênio com a Coppe-UFRJ e com a Finep e está iniciando a preparação da nacionalização do produto. “Esse equipamento é feito por poucos fabricantes no mundo e agora teremos a centrífuga nacional. É o caso real de uma nacionalização bem estruturada”, comemora Bruno.

Ainda no sentido de aproximar os fabricantes de navipeças e os estaleiros, a Onip e a Abdi, em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), têm promovido rodada de negócios entre os agentes. A primeira, realizada no Rio de Janeiro no final do ano passado, gerou expectativa de cerca R$ 51 milhões em  negócios para este ano. Participaram do evento 40 empresas cadastradas no catálogo e oito estaleiros. Outras duas rodadas de negócios já estão previstas. A segunda deve acontecer no próximo mês de junho em Rio Grande e a terceira em outubro, em Suape.

Para Bruno, o país tem universidades preparadas para desenvolver e melhorar os produtos nacionais, e governo e bancos privados interessados em injetar recursos financeiros  no setor. Por isso, o cenário é otimista nos próximos anos. “Temos toda uma conjuntura que nos leva a gerar produtos de alta qualidade. Me sinto confortável em olhar para o futuro e enxergar de 30 a 40 anos de muitas encomendas com o crescimento com o pré-sal”, conclui.  n

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