Soluções tupiniquins

Abarrotados de encomendas, estaleiros começam a 'tropicalizar' etapas da construção de embarcações

Com o parque naval abarrotado de encomendas de plataformas, petroleiros, sondas de perfuração e barcos de apoio, estaleiros brasileiros começam a buscar parcerias com centros de pesquisa e a investir em tecnologia nacional. O segmento está convencido de que não basta transferir projetos de seus parceiros internacionais para atender a esse mercado, que movimenta bilhões de dólares.

E busca o desenvolvimento, no país, de soluções pontuais para navipeças e sistemas, "tropicalizando" etapas da construção de embarcações. Para o professor Floriano Carlos Martins Pires Júnior, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da UFRJ e do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, no entanto, é preciso dar um passo adiante: criar e implementar um programa nacional de construção naval, que faça frente à forte demanda tecnológica do setor.
"É necessário canalizar recursos e esforços para responder aos grandes desafios atuais. Ou seja, implantar um programa mais concentrado, que envolva diretamente a indústria e os centros de pesquisa. Os diagnósticos dos problemas têm de ser mais bem estruturados. As parcerias com empresas estrangeiras são boas e, inicialmente, podem dar certo. Porém, no futuro, tendem a não funcionar, mesmo que a elas se somem soluções brasileiras isoladas. Nossos estaleiros têm de formar o seu próprio pessoal e desenvolver a sua capacidade tecnológica. A comunidade acadêmica também tem de ser colocada a serviço de um programa", enfatiza Floriano.
O professor da UFRJ está certo de que as discussões caminham para a articulação em torno de um programa. "Só que é um processo e, como todo o processo, precisa de um tempo para ser concluído", acrescenta. Segundo ele, um grande passo nesse sentido foi dado, há dois anos, quando foi criada a Rede de Inovação para Competitividade da Indústria Naval e Offshore (Ricino), formada por indústria, órgãos governamentais, centros de pesquisa e instituições, dentre os quais a Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena). A Ricino opera com três núcleos temáticos: tecnologia da construção e reparação naval e offshore; projetos de embarcações e sistema offshore; e cadeia produtiva. Possui ainda dois núcleos regionais, em Recife (PE) e no Rio Grande (RS). A rede elaborou o primeiro plano de ação estratégica, que está sendo discutido e ganhará uma nova versão.

Dentre os projetos desenvolvidos pela UFRJ para o setor naval, um que se destaca é o de construção de barcos de apoio, com equipamentos, componentes e sistemas totalmente nacionalizados. Essas embarcações deverão ter um elevado padrão de desempenho e empregar sistemas que possam ser fabricados no país. São parceiros da UFRJ no projeto o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e a Universidade de São Paulo (USP). Os eventuais fornecedores são a Wärtsilä, a Voith, a GE e a WEG.
Nos laboratórios da mesma universidade está sendo pesquisado ainda um Sistema Integrado para Supervisão, Acompanhamento Físico e Financeiro e Análise de Risco de Projetos de Construção Naval (SAP-Risco). Nesse caso, é a sociedade classificadora brasileira RBNA que apoia a instituição de ensino. Uma das inovações do SAP-Risco são os recursos de visualização da obra em tempo real, via web e através de modelo 3D.
Já com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a UFRJ está desenvolvendo a estrutura do casco de um submarino nuclear. Os pesquisadores estudam a resistência estrutural de cascas cilíndricas reforçadas, sob pressão hidrostática externa, através de testes experimentais. Fabricados de forma a reproduzir a estrutura do casco resistente de um submarino militar, modelos reduzidos serão testados, sob pressão externa, em câmara hiperbárica, até o colapso. Os testes serão, posteriormente, simulados numericamente, utilizando o método dos elementos finitos. Os resultados desse trabalho poderão servir como subsídios para o desenvolvimento do projeto do casco resistente do primeiro submarino nuclear brasileiro.
Ainda na área de construção naval, um outro trabalho da UFRJ conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Trata-se da simulação, através de computador, do processo de soldagem, com o objetivo de avaliar a sua influência nas distorções e tensões residuais de navios e plataformas.
Com a ressalva de que manifesta uma posição pessoal, o professor Kazuo Nishimoto, diretor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica da USP, também bate na tecla da necessidade de planejamento e esforço, por parte do governo e das empresas, com o objetivo de traçar um plano nacional de desenvolvimento de capacitação tecnológica do setor de construção naval. Segundo ele, houve uma correria inicial para produzir rápido sem levar em conta esse planejamento. "A nacionalização da construção naval moderna não se faz do dia para noite, num país que ficou sem produzir navios de grande porte por décadas. Com planejamento e cronograma de desenvolvimento, nosso país poderá alcançar rapidamente essa nacionalização, como a Coreia fez e a China está fazendo. Caso não adote essas ações, o Brasil poderá enfrentar a mesma crise dos anos 1980, 1990, quando o crescimento da demanda de navios e plataformas cessar”, pondera Nishimoto.
Ainda na avaliação do professor da USP, é indispensável que as empresas do setor naval tenham seus próprios centros de pesquisa, para produzir conhecimento. Nishimoto defende uma integração entre empresas, universidade e governo: "com pesquisas isoladas, não teremos estaleiros modernos e competitivos."
Um dos projetos realizados pela USP, em parceria com a Transpetro, é o do simulador de navios. Utilizando tecnologia 100% nacional, engenheiros do Tanque de Provas Numérico (TPN) da Escola Politécnica da universidade desenvolveram um simulador virtual offshore, para treinamento de operadores de navios que atuam em operações de alívio de petróleo (transferência de óleo da plataforma para o navio petroleiro). O sistema reproduz, virtualmente e com exatidão, as dificuldades de uma embarcação petroleira em alto-mar, como condições de tempo, ondas, ventos e correntes marítimas.
“O simulador foi desenvolvido para atender às necessidades da Transpetro, que já possui em sua sede, no Rio de Janeiro, três outros equipamentos semelhantes a esse, também construídos em nossos laboratórios”, afirma o professor Eduardo Aoun Tannuri, do Departamento de Engenharia Mecatrônica e um dos coordenadores do TPN. Tannuri lembra que operações de alívio exigem precisão e devem ser extremamente seguras.
O simulador offshore utiliza a tecnologia desenvolvida em outro produto projetado para a Transpetro: o simulador de navegação de comboios fluviais, que tem o objetivo de treinar operadores de embarcações de transporte de combustíveis na hidrovia Tietê-Paraná. Os dois utilizam modelos matemáticos que resultaram de mais de 20 anos de estudo. “Uma das principais evoluções do novo simulador é em relação ao grau de qualidade gráfica”, avalia o professor Tannuri.

Diretor do Centro de Engenharia Naval e Oceânica do IPT, Carlos Daher Padovezi afirma que, a despeito de a instituição ainda não ter parcerias diretas com estaleiros brasileiros, algumas empresas têm utilizado os seus laboratórios, principalmente o Tanque de Provas de Reboque, para verificação de projetos. "As parcerias surgirão, de forma mais consistente, quando os estaleiros perceberem a importância de ter centros de pesquisas nacionais atuando para ajudá-los a solucionar problemas e a otimizar projetos", analisa Padovezi.
Segundo Padovezi, o IPT tem pesquisado hidrodinâmica de cascos, propulsão e manobras, bem como feito a avaliação experimental do desempenho de embarcações em escala real. "Temos, assim, fornecido apoio tecnológico para a melhoria do projeto hidrodinâmico dos navios, de modo a aumentar a sua eficiência e a segurança operacional", diz o professor.
Também em apoio à construção naval, o IPT tem desenvolvido estudos de corrosão e proteção de cascos, análises de materiais e avaliação do comportamento de equipamentos a bordo. Recentemente, a Diretoria de Portos e Costa (DPC) da Marinha indicou o Laboratório de Segurança ao Fogo do instituto para integrar a rede mundial de testes da International Maritime Organization (IMO). "Nesse atual ciclo de instalação e modernização dos estaleiros brasileiros, o IPT tem tido uma grande participação nos projetos tecnológicos de nacionalização racional dos equipamentos e peças, para utilização em navios e plataformas marítimas", informa Padovezi.
O professor César Salhua, do Programa de Engenharia Naval e Oceânica do Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tem identificado esforços no sentido de fabricar no Brasil navipeças para atender a encomendas de navios e plataformas. "As condições são propícias. Há demanda e um regime tributário diferenciado. Isso, com certeza, está atraindo a atenção tanto de empresas brasileiras, interessadas em produzir navipeças, como de fabricantes de outros países, que querem instalar centros de operações no Brasil, individualmente ou em parceria com indústrias nacionais", avalia Salhua.
Além da nacionalização da produção de navipeças, Salhua tem percebido um empenho considerável no desenvolvimento de tecnologia própria, no que se refere a projetos de navios, a planejamento de etapas e a sequência de montagem de embarcações. O mesmo, segundo ele, está acontecendo com os processos de união (solda) utilizados e com a criação de centros de formação de mão de obra qualificada em todos os níveis de atuação. "Esses esforços estão sendo feitos por universidades, institutos tecnológicos, centros de pesquisa, empresas brasileiras e o governo", diz ele.
O tempo em que a indústria naval brasileira esteve estagnada, pondera Salhua, acabou deixando a tecnologia de construção naval nacional defasada em relação aos padrões utilizados pelos principais estaleiros do mundo. No entanto, reitera ele, "existem grupos de pesquisas no Brasil, sindicatos de empresas, centros de excelência tecnológica e até uma rede, a Ricino, que querem recuperar o tempo perdido e desenvolver tecnologia própria". Na sua avaliação, o desenvolvimento de tecnologia própria é um compromisso de longo prazo, que ainda se encontra na fase inicial. "Por esse motivo, neste momento as transferências tecnológicas de empresas estrangeiras se tornam necessárias", afirma.
O professor da UFPE se ressente da falta de uma instituição, pública ou privada, para levantar os problemas tecnológicos de cada estaleiro e promover o encontro dos centros de pesquisa, institutos tecnológicos, empresas e governo, a fim de debater sobre ações e mudanças a serem implementadas, para a solução dos problemas tecnológicos presentes. "Apesar de existirem muitas iniciativas para o desenvolvimento de tecnologia própria, é necessário o incremento da comunicação entre todos os envolvidos", sugere ele.
Atualmente, a UFPE está consolidando um acordo com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no qual a empresa se compromete a fornecer as licenças do software que utiliza para detalhar o projeto de seus navios. Em curto prazo, a universidade de Pernambuco quer ampliar a parceria com o EAS e fazer acordos com outros estaleiros da região, visando criar um programa de estágio para alunos de graduação. "A ideia é que eles vivenciem o ritmo e a forma de trabalho de estaleiros e tragam essa visão para a universidade", diz Salhua.
Na área de Engenharia Naval da UFPE há duas teses de mestrado em andamento relacionadas com o planejamento de processos de construção naval: "Uso de Tecnologia de Grupo no Corte de Aço em Estaleiros de Construção Naval"; e "Uso de DEA no Planejamento de Processos em Estaleiros de Construção Naval". Outras duas teses tratam do projeto de navios e de sistemas flutuantes offshore: "Projeto Conceitual de um Sistema Flutuante para a Geração de Energia Eólica Offshore"; e "Metodologia para o Dimensionamento dos Pinos de Conexão de Comboios Oceânicos Articulados (ATB)".

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, enfatiza que a indústria da construção naval é a ponta final do processo. Garante que os estaleiros estão atualizando permanentemente tecnologia, métodos e processos. Segundo Rocha, embora relevantes, as pesquisas brasileiras voltadas para tecnologia naval ainda são pequenas em relação ao contexto geral. “A questão central da tecnologia reside no projeto de cada empreendimento, navio ou plataforma. No projeto são incorporadas as aplicações dos avanços científicos realizados. Grande parte da tecnologia está nos equipamentos e sistemas embarcados desenvolvidos por diversos fornecedores, em geral empresas de atuação internacional”, constata o presidente do Sinaval.
Independentemente de a tecnologia utilizada ser nacional ou estrangeira, Rocha assegura que os estaleiros brasileiros possuem as mesmas condições tecnológicas dos seus competidores internacionais. “A construção naval é baseada no processamento do aço (corte, solda e conformação), na montagem dos blocos e dos dutos de fluidos e de cabeamento elétrico e na instalação dos motores, bombas, quadros de comando, sistemas de navegação, propulsão e direção. Essas técnicas representam a rotina diária do trabalho no estaleiro", enumera.
Dados do Sinaval revelam que o Brasil, neste momento, está construindo navios petroleiros de grande porte, plataformas de petróleo com sofisticação tecnológica e navios de apoio marítimo de última geração. Em breve, terá início a construção de 35 navios-sonda, cujos contratos estão sendo assinados com estaleiros brasileiros. Atualmente, a carteira de encomendas dos estaleiros compreende 386 empreendimentos e ainda a construção de cinco submarinos para a Marinha.
Uma das iniciativas mais importantes para o incremento da pesquisa e da tecnologia no setor de construção naval, segundo o presidente do Sinaval, é a implantação do Parque Tecnológico do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão. Ao redor do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), ele concentra outros centros de desenvolvimento de tecnologia, voltados principalmente para processos e materiais necessários à produção de petróleo em águas profundas. Participam desse parque empresas como a Siemens/Chemtec, BG Group, FMC, Halliburton, GE, Schlumberger, Tenaris Confab, Usiminas, Baker Hughes e LAB Oceano/UFRJ.
Além da "tropicalização" de etapas da construção de suas embarcações, alguns estaleiros apostam no treinamento de técnicos brasileiros no exterior. É o caso do Jurong Aracruz (EJA), que está sendo implantado no Espírito Santo. O EJA firmou parcerias com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e com o Ngee Ann, uma instituição focada na qualificação de mão de obra especializada para atuar na indústria offshore em Cingapura. Serão enviados para Cingapura estudantes e professores para serem treinados no Ngee Ann e nas unidades da empresa na Ásia.
"Cada treinando passará um ano em Cingapura, seis meses no instituto e outros seis em treinamento prático nos estaleiros. "Estamos promovendo um grande esforço para trazer para o Brasil a cultura e a tecnologia que nós detemos em nossas unidades na Ásia. Acreditamos que, com o intercâmbio de alunos e professores, seremos capazes de dotar nosso estaleiro brasileiro de profissionais altamente qualificados, o que dará ao EJA um importante diferencial competitivo. Além disso, os professores atualizados e treinados em Cingapura atuarão como multiplicadores no Brasil", diz a diretora institucional do EJA, Luciana Aboudib Sandri.
Com a assinatura, no último mês de abril, do protocolo de intenções do EJA com o Ifes, para promover o programa de qualificação, teve início o processo seletivo para a escolha de 15 pessoas. “O Programa de Cooperação Educacional trará benefícios para todos os parceiros. O Ifes receberá transferência de tecnologia, podendo se tornar referência em formação para a área da indústria naval, abrindo mais oportunidades para os estudantes locais. Enquanto que o EJA contará com mão de obra local especializada e treinada nos padrões internacionais”, afirma a diretora do estaleiro.
Luciana destaca ainda a preocupação do EJA com o desenvolvimento de tecnologias nacionais, tendo em vista as necessidades do estaleiro. "Nosso estaleiro terá um dique seco de grandes dimensões, além de uma ótima capacidade de processamento de aço. Dessa forma, nos preparamos para a construção de grandes estruturas navais que a indústria brasileira venha a implementar", afirma ela. Luciana acredita que "os novos desafios exploratórios levarão ao desenvolvimento de estruturas navais capazes de operar em condições cada vez mais desafiadoras em termos de estabilidade, profundidade, capacidade de carga e autonomia."
Segundo Luciana, o EJA começará a operar em junho de 2013, sendo totalmente concluído em fins de 2014. A obra está na fase de terraplenagem. Ainda virtual, o estaleiro já firmou um contrato de US$ 792,5 milhões com a Sete Brasil, para a construção de um navio-sonda, e está participando de outros processos licitatórios e negociando encomendas.
Já o Ecovix assinou, em 11 de novembro de 2010, dois contratos com a Petrobras para a construção de oito cascos (tipo FPSO) das plataformas destinadas à primeira fase de desenvolvimento da produção do polo pré-sal da Bacia de Santos. Os cascos estão sendo construídos no polo naval de Rio Grande. A tecnologia mais global para esse projeto está sendo buscada na Suécia. "Equipes nossas estão indo à Suécia, para que nas próximas encomendas, parte do que é básico já possa ser produzido no Brasil. Estamos trazendo tecnologia de lá para o Brasil, ‘tropicalizando’ essa tecnologia”, explica o CEO do Ecovix, Gerson de Mello Almada.
Para as encomendas dos FPSO, o Ecovix buscou ainda parceria com a UFRJ, que é encarregada dos testes de flutuabilidade e resistência marítima. Segundo Almada, a primeira dessas plataformas será entregue em setembro de 2013. Depois, a cada oito meses, uma deve ficar pronta.
Um projeto que o Ecovix está começando é o de construção de três sondas. Nesse caso, a tecnologia básica virá da Holanda, mas a empresa buscará apoio de um centro de pesquisas no Rio Grande do Sul.
Em 2011, o Ecovix investiu 0,5% do seu faturamento (de R$ 600 milhões) em pesquisa, sendo mais da metade no Brasil. Este ano, explica Almada, a empresa vai manter o mesmo percentual de investimento em pesquisa, do total de R$ 800 milhões de seu faturamento previsto.

Por enquanto, a única fonte de recursos públicos para pesquisas na área de construção naval é o Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). As verbas desse fundo são repassadas, via financiamentos, pela Finep e pelo CNPq. Criada em agosto do ano passado, a Empresa Brasileira de Pesquisas Industriais (Embrapi), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, ainda está em fase embrionária, mas no futuro poderá oferecer financiamentos para o setor.
Embora não possua uma linha específica para a construção naval, a Finep, através do CT-Aquaviário, abre editais para os interessados em financiar seus estudos. De acordo com relatórios, de 2006 a 2010 a Finep aplicou cerca de R$ 90 milhões em projetos do setor. O último edital é do segundo semestre de 2010, sendo a contratação feita em 2010 e 2011. A liberação da verba, em alguns casos, ainda está em andamento, obedecendo a um cronograma estipulado caso a caso.
A Finep ainda não tem o seu orçamento de 2012 chancelado pela presidente Dilma Rousseff. Portanto, o órgão não tem previsão de criar uma linha específica nem do lançamento de novos editais do CT-Aquaviário.
A nacionalização de etapas da construção de embarcações também tem como parceiras empresas que interagem com o setor naval. É o caso da White Martins, que tem novidades. O Centro de Tecnologia Rio da empresa, que faz estudos sobre soldagem e corte térmico, acaba de desenvolver uma solução inédita no mercado para soldagem de placas de aço carbono, revestido por primer. Essa tecnologia, explica a assessoria da White Martins, proporciona ganhos significativos de produtividade e reduz os custos de produção da indústria naval, porque dispensa a retirada do primer para realização da soldagem e do isolamento da junta.
Empresa 100% brasileira, a WEG também aposta no mercado naval e offshore, produzindo motores, energia, automação e tintas para embarcações. No projeto P-57 da Petrobras, a plataforma recebeu soluções elétricas da WEG. Uma das vedetes da empresa para o setor é o motor WGM refrigerado por manto d'água, com mais de 200 unidades vendidas nos últimos dois anos. Outro campeão de vendas para o segmento é o inversor de frequência refrigerado à água (CFW 11 Modular Drive), que alia tecnologia de última geração e simplicidade de instalação e operação. “Os dois são produtos compactos. Numa embarcação o espaço é importante. Por isso, tudo tem de ser compacto para se adequar ao espaço”, explica Helcio Makoto, diretor de vendas da unidade de automação da WEG.
Para o mercado offshore, Makoto acena com boas notícias, a reboque da compra pela WEG de uma empresa que produz geradores de dois polos nos Estados Unidos (a Electric Machinery, da Converteam). A expectativa é de que, em 24 meses, a WEG esteja produzindo esses geradores nos Estados Unidos e os montando no Brasil.


Catálogo da Indústria Marítima


 


Marintec Navalshore