Projetos concretos

Onip lança Programa de Desenvolvimento de Fornecedores. Meta é a fabricação no país de itens da indústria de petróleo, gás e naval

Estimativas da Petrobras e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) apontam que o Brasil terá US$ 270 bilhões em investimentos no setor de óleo e gás no período de 2011-2015, dos quais US$ 72 bilhões serão provenientes do pré-sal. Além disso, a demanda de bens e serviços offshore deve girar em torno de US$ 400 bilhões até 2020. Baseado nisso, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) lançou, no último dia 5 de junho, o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores. O objetivo é a geração de projetos para o desenvolvimento no país de itens da indústria de petróleo, gás e naval que são, em sua maioria, importados.

“Queremos projetos concretos para solucionar os gargalos de fornecimento, visando ao incremento de conteúdo local e à intensificação de captura de valor ao país”, disse o superintendente da Onip, Luis Mendonça, durante o lançamento do programa, realizado no Rio de Janeiro. O foco dos projetos são equipamentos para FPSO, sondas de perfuração, barcos de apoio e reparo naval, infraestrutura submarina e marítima, além de exploração e produção onshore.


Catálogo da Indústria Marítima


Os projetos serão gerados através da metodologia do Programa Plataformas Tecnológicas para a Indústria de Petróleo e Gás (Platec), que é uma ação conjunta da Onip e IBP, financiado pela Finep com recursos do CT-Petro. Esse programa foi estruturado para promover o atendimento às demandas por inovação tecnológica da indústria de petróleo, gás e naval e busca identificar fornecedores nacionais com potencial para a nacionalização de bens e serviços atualmente importados.

Primeiramente são detalhados os equipamentos não fabricados no Brasil ou com gargalos de fornecimento. Depois são identificados os fabricantes nacionais com tecnologia próxima à desejada. A partir daí, são realizados workshops tecnológicos com o objetivo de reunir as partes interessadas, como operadoras, institutos tecnológicos, agentes de fomento e investidores, para que os projetos sejam colocados em prática.

O primeiro workshop do Platec foi realizado em 2010 e era voltado para navipeças. Até então já foram realizados seis eventos sobre o tema. Dos 1.876 mapeados pela Onip com possibilidade de nacionalização, 622 já foram analisados nos workshops. De lá saíram 111 projetos, dos quais 63 fecharam parceria e 48 foram considerados potenciais, ou seja, têm boa perspectiva de se produzir no Brasil, mas ainda não foi formada parceria.

Para FPSO, a Onip já realizou um workshop, cujo tema foi Instrumentação e Automação do Topside, nos últimos dias 24 e 25 de abril, em São Paulo, onde 78 itens foram analisados. Na ocasião, foram identificados 30 projetos, como medidores de vazão, medidores de nível por micro-ondas e softwares de controle de ajuste tipo “PID”, além de 13 projetos potenciais.

De acordo com o representante das operadoras do CadFor, Antônio Guimarães, o programa proporcionará o aumento da capacidade do mercado em criar novos fornecedores. “A capacidade que cada operadora tem de desenvolver fornecedores é limitada a seus recursos e ao seu tamanho. Ao integrar todas essas ações num único ente, que é a Onip, a capacidade total da indústria de desenvolver fornecedores fica multiplicada pelo número de participantes. Então damos a cada um dos participantes a oportunidade de acessar uma quantidade de projetos e desenvolvimento de fornecedores muito maior”. O Cadfor é um cadastro desenvolvido e administrado pela Onip, em parceria com nove grandes operadoras para uso exclusivo destas, que torna disponíveis informações qualificadas de fornecedoras nacionais de bens e serviços para a indústria de petróleo e gás.

Guimarães ressaltou também que o programa deve ter foco nos gaps da indústria para o cumprimento de conteúdo local. “Existem muitos itens a serem desenvolvidos. Se não soubermos priorizar, vamos tentar fazer muita coisa e teremos poucos resultados”, avalia.

Neste programa, o desenvolvimento será voltado aos fornecedores da cadeia secundária. O assessor da presidência da Petrobras para Conteúdo Local e Prominp, Paulo Alonso, destacou que a estatal apoia integralmente a iniciativa. “Só conseguiremos aumentar o conteúdo local das obras realizadas no Brasil se houver expansão na matriz de fornecedores que suportam a indústria, além de investimentos vultosos em capacidade de operação e no aporte de tecnologia e engenharia”, declara.

No evento também estiveram presentes o diretor geral da Onip, Eloi Fernández y Fernández, a diretora geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, a secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloísa de Menezes, e o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia (MME), Marco Antônio Martins Almeida.


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