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Petrobras evita comentar compra de parte da Galp

A notícia de negociações para compra dos 33,34% detidos pela italiana Eni no capital da petroleira portuguesa Galp pela Petrobras não foi negada nem confirmada pela estatal brasileira. A negociação esbarra em algumas questões técnicas como o direito de preferência dos atuais sócios, que vale até 2013, sendo que até o fim de 2010 nenhum deles pode vender ou comprar mais ações. A partir de 2011 até 2013 os sócios só podem vender suas ações em bloco, oferecendo a parte de um para o outro. O interesse primordial da Petrobras é a distribuição de combustíveis e refino na Europa. A Galp é sócia da estatal em quatro blocos no pré-sal da bacia de Santos: Tupi (10%), Júpiter (20%), Bem-Te-Vi (10%) e Caramba (20%), sendo o restante das parcerias em blocos terrestres de bacias maduras. O controle da Galp é dividido pela Amorim Energia, do comendador Américo Amorim, e pela Eni Spa, cada uma com 33,34%. A Caixa Geral de Depósitos tem 1%, a Parpública tem 7% e 25,32% estão pulverizados no mercado. Em termos de controle, a Eni tem participação maior, já que a Amorim Energia tem como acionistas outras empresas e pessoas físicas, entre elas a estatal angolana de petróleo Sonangol e membros da família do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que está no poder há mais de 30 anos. Os angolanos são sócios da Esperaza Holding BV que por sua vez tem 45% da Amorim Energia. A notícia de uma provável negociação para a Petrobras tornar-se acionista da Galp surpreendeu o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, que não vê razões financeiras ou econômicas para tal operação, que não foi levada adiante em 2005. "A Galp é uma empresa inexpressiva, tem apenas 10% de Tupi e como acionista não manda nada. É uma parceira interessante e não entendo porque a Petrobras quer investir no exterior quando tem tanto trabalho para fazer aqui", avalia Pires. A Galp não aparece no ranking da Petroleum Intelligence Weekly das 50 maiores companhias de petróleo do mundo em 2008, último dado disponível. A Petrobras ocupa a 15ª posição, melhor colocada que a Eni, que está em 21º lugar. O valor de mercado da Galp ontem subiu para € 10,6 bilhões em função das notícias de aquisição pela Petrobras. Procurada, a assessoria da Galp disse que não comenta questões relacionadas a seus acionistas. Os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos fecharam em alta ontem pela nona sessão seguida, amparados pelo tempo frio na véspera da divulgação do relatório semanal de estoques americanos do produto, que devem mostrar queda nas reservas de petróleo e derivados na semana passada. Com o tempo mais frio, o consumo de óleo para aquecimento aumenta nos EUA. Em Nova York, o contrato de fevereiro subiu 26 centavos de dólar, ou 0,32%, para encerrar o dia cotado a US$ 81,77 por barril. Em Londres, o contrato também fevereiro do Brent subiu 47 centavos de dólar, fechando o pregão a US$ 80,59 por barril.(Fonte: Valor Econômico/ Cláudia Schüffner, do Rio)

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