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Oportunidade para todos

Cenário otimista de novas encomendas para os próximos anos traz boas perspectivas aos fornecedores de isolamentos térmicos e acústicos

A onda de otimismo entre os fornecedores de navipeças já consolidados no país é uma realidade, apesar da ameaça da nova crise internacional. É o caso das empresas que fornecem isolamentos térmicos e acústico, unânimes com relação às boas perspectivas para o segmento nos próximos anos. Assim como para os demais segmentos, a explicação são os investimentos da Petrobras, que anuncia uma evolução na participação do pré-sal na produção nacional de petróleo — passará da estimativa de 2% neste ano para 40,5% em 2020, segundo dados do Plano de Negócios 2011-2015. A companhia investirá US$ 53,4 bilhões no pré-sal e US$ 64,3 bilhões no pós-sal nos próximos cinco anos.

De acordo com o coordenador do mercado naval e offshore da Rockfibras Isolantes Térmicos e Acústicos, Marco Navarro, o mercado vem crescendo desde 2008 e as projeções para este ano são de um aumento de vendas de 20% sobre o ano passado. A tendência, diz o executivo, é de que haja um crescimento constante até 2016. “As perspectivas são muito boas. Esperamos um incremento de 10% a 15% ao ano nos próximos cinco anos”, estima.

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Catálogo da Indústria Marítima

 

A Rockfibras fabrica isolantes térmicos à base de lã de rocha e silicato de cálcio. A primeira é indicada para temperaturas de operação de até 750ºC e muito utilizada para isolamento térmico e acústico e como proteção ao fogo em anteparas e decks. Os materiais são apresentados em painéis e mantas em diversas densidades e espessuras. Já o silicato de cálcio é rígido, indicado para temperaturas de até 650ºC e fornecido em placas ou tubos pré-moldados. Este modelo é mais utilizado em plataformas nas unidades de produção. “A definição do material é feita de acordo com a temperatura a ser isolada ou a absorção acústica da superfície a ser tratada”, explica Navarro. A companhia tem sua linha de fabricação homologada pelo DNV para incombustibilidade e classe A. Os próximos testes, segundo a empresa, serão as homologações para a classe H.

A usinabilidade e resistência à umidade são os principais destaques da linha de placa isolante para aplicações navais oferecidas pela Tecnolite Soluções em Acomodação  Naval e Isolamento Industrial. Um dos produtos da companhia é o painel TR-650 SA, fabricado à base de silicato de cálcio e fibras minerais. “Além de incombustível e isolante térmico, esse produto tem alto grau de contenção sonora. Sua vida útil pode chegar a 40 anos dependendo das condições de uso”, diz o diretor de Operações e Negócios do Grupo, Edson Medeiros Ferreira.

Outra opção da Tecnolite é o painel LM, cujo principal componente é a lã mineral. A baixa condutibilidade térmica, alta resistência a temperatura e fogo e alta absorção sonora são as principais características do produto. “Ele é preferencialmente utilizado em ambientes secos, mas com as nossas soluções especiais também pode ser adaptado a ambientes molhados”, diz o executivo, ressaltando que a vida útil dessa solução pode chegar a 30 anos. Ferreira destaca também que ambos os materiais são rapidamente instalados, têm baixo custo de instalação e são de fácil reposição.

Com o anunciado aumento das oportunidades, a Tecnolite apostou na reestruturação de seu quadro executivo e na capacitação de seus colaboradores. A consequência do trabalho foi um aumento nas vendas de 38% ao ano nos últimos três anos. Para Ferreira, o crescimento do mercado já é significativo, mas a perspectiva é de que seja ainda maior. “Para atender as nossas expectativas, o grupo Tecnolite já planeja abrir mais uma fábrica, além de novos sites de construção para 2012”, adianta. Composto por duas empresas, sendo uma fabricante e a outra construtora e montadora, o grupo Tecnolite conta com mais de 650 clientes.

O diretor da Megatherm, Sergio Mattozo, também concorda que boas oportunidades surgirão em razão principalmente da demanda por novas embarcações nos próximos anos. “As nossas vendas estão em crescimento. Estamos otimistas que este ano vai ser melhor que o ano passado. Existe um potencial de crescimento com as obras novas, os estaleiros estão com as carteiras cheias. É um mercado que tende a crescer e a gente espera que cresça”, declara. Com o início das atividades em 1991, a Megatherm é distribuidora de produtos fabricados, entre outros, pela Ibar, Teadit e Isover-Santa Marina, do grupo Saint Gobain. Entre as soluções oferecidas pela empresa estão isolamentos feitos à base de lãs de vidro e de rocha, fibra cerâmica e espuma elastomérica, além de materiais para selagem de penetrações.

Quem também vislumbra um cenário de boas perspectivas é a Hemir - Empresa de Montagens Industriais. A companhia se fixou em regiões consideradas estratégicas como em Itaboraí (RJ) para atender ao Comperj, além de Rio Grande (RS) visando o atendimento à Quip, Engevix e Petrobras. “Estamos bem localizados, com força de trabalho própria, treinados, certificados e prontos para os desafios”, acredita o diretor da Hemir, Bruno Labouriau. A empresa oferece serviços técnicos e mão de obra especializada em diversas áreas de montagem industrial. Entre elas estão o isolamento térmico e acústico de tubulações, descargas, equipamentos e anteparas, além de módulos offshore completos. A companhia tem o certificado ISO 9000 para isolamento térmico expedido pelo DNV desde dezembro do ano passado.

Como atua nas instalações dos clientes, a Hemir utiliza equipamentos portáteis que, segundo Labouriau, estão trazendo ganhos de produtividade. Um dos seus clientes é a Marinha do Brasil, que realizou upgrades de acomodações, incluindo embarcações como o Navio Escola NE Brasil e a Corveta Barroso. A companhia também tem forte relação com o estaleiro Mauá e forneceu o isolamento de tubulações para as P-50, P-54 e PMX-1 Mexilhão. Entre os que também utilizam os serviços da empresa estão a Technip, a UTC Engenharia e a Petrobras. Com esta, inclusive, a companhia assinou um contrato de natureza contínua para o fornecimento de soluções em isolamento térmico para as plataformas da UO RIO. “O acordo tem duração de dois anos e deverá aumentar significativamente nossa força de trabalho para o regime offshore, além de ser pré-requisito na evolução do nosso cadastro na Petrobras para nos tornarmos EPCistas”, destaca.

 

Inovação. Os fabricantes de isolamento térmico e acústico também têm investido na inovação de produtos a fim de conquistar mercado ou continuar entre os líderes no setor. Criada com o objetivo de desenvolver soluções inovadoras para atender às necessidades de isolamento térmico e acústico das indústrias em geral, a Isolatec é especializada na fabricação, distribuição e instalação de isolantes removíveis. Denominada Isolafácil, a linha de produtos contempla isolantes para conexões, equipamentos e tubulações. De acordo com o diretor técnico e comercial da Isolatec Indústria e Comércio de Isolantes Térmicos e Acústicos, Carlos Alberto Silva, o isolamento removível pode ser a solução de diversos problemas de manutenção que venham a acontecer nas acomodações navais.

“Na indústria naval há uma necessidade muito forte de algo que a própria equipe de manutenção  da embarcação possa instalar, porque dificilmente o navio pode ficar paralisado para um terceiro fazer uma instalação. Nosso produto dispensa a necessidade de uso de ferramentas e a contratação de um funileiro, que atualmente é um profissional difícil de encontrar”, diz. O isolante removível é feito como se fosse uma capa isolante. “O cliente só precisa passar algumas informações básicas e fabricamos essa capa, que é feita de um isolante definido de acordo com cada situação e revestido por tecidos térmicos especiais”, explica o executivo.

Algumas vezes, é preciso retirar o isolante para realizar inspeção ou manutenção. Além de removível, o produto da Isolatec é reutilizável. No sistema convencional, diz a companhia, a remoção é mais lenta e pode provocar danos aos materiais, tornando-os inutilizáveis. Já no sistema removível, a retirada do isolante é rápida e sem perdas, agilizando o acesso da equipe de manutenção e permitindo que o produto seja reutilizado. “Às vezes se tem o problema de manutenção em apenas um trecho, que fica blindado com a chapa metálica. Então para acessar e fazer a manutenção, é preciso tirar a chapa, o isolante e às vezes, na hora de recolocar, está quebrado. O nosso pode ser reaplicado, sem nenhuma perda de material”, declara.

A Isolatec introduziu a linha Isolafácil no mercado brasileiro em 2008. A companhia acredita que em cinco anos deve haver uma elevação significativa no uso de isolantes removíveis.

“O funileiro é um profissional em extinção. Quando as empresas precisam fazer um isolamento convencional já se deparam com essa primeira barreira. Então há tendência de substituição do convencional pelo removível”, acredita.

Apesar de também oferecer isolantes convencionais, como os de aerogel, fibra cerâmica, espuma elastomérica, lã de rocha, lã de vidro e sílica em feltro, as maiores vendas da companhia são do modelo removível. “Há profissionais que fazem estágio ou cursos no exterior e já conhecem o produto. Por isso, muitas vezes há uma ordem de fora de se utilizar o isolante removível”, comenta ele, destacando que o custo deste é praticamente igual ao tradicional, mas o benefício é ampliado.

Para chegar na produção do modelo atual, a empresa pesquisou no mercado externo as melhores soluções oferecidas. O produto, segundo Silva, é bem aceito em todas as indústrias em que é apresentado. Na avaliação da companhia, quando o produto estiver totalmente conhecido, o mercado será ampliado. “Ainda não sabemos como será o comportamento, mas a demanda será bastante alta”, prevê. A Isolatec já tem parceria com empresas de válvulas que pretendem vender seus produtos já com a capa isolante. A companhia também tem sido procurada por empresas do exterior para fazer negócios e, assim, ampliar o leque de opções para isolamento.

Outra solução inovadora que surgiu no mercado para as acomodações navais são as tintas isolantes térmicas e acústicas cerâmicas da Mascoat Products, empresa norte-americana representada no país pela Harco do Brasil. De acordo com o diretor da companhia, Fernando Freitas, o produto é uma espécie de revestimento líquido de base aquosa, sem materiais voláteis, que não traz danos a quem aplica, além de ser amiga do meio ambiente por não conter solventes. “Com nossa tinta e uma equipe de dois homens, é possível isolar 16 vezes mais rápido e cinco vezes mais área do que um isolamento convencional”, compara o executivo.

E os benefícios da tinta não param por aí. “Se houver uma rachadura ou um vazamento, por exemplo, é possível visualizar de imediato porque é uma tinta, não está escondida. No outro método, tem uma parede de lã de rocha e depois tem uma parede de madeira ou PVC ou metal, etc. Além disso, não cria bolores, fungos, e é fácil de reparar”, enumera Freitas. Embora a tinta para isolamento térmico tenha alguma propriedade acústica, Freitas destaca que são dois produtos diferentes. “Temos a Mascoat Marine, que é a térmica, e a Mascoat Sound Control, que é a acústica. O grande problema é a vibração que se propaga ao longo do navio, então o isolamento vai fazer com que ela [a vibração] deixe de existir”, diz. O executivo ressalta que, apesar de a tinta ser mais cara que os métodos convencionais, há um retorno do investimento no longo prazo.

 

Competitividade.  Apesar de ser bastante conhecida no exterior, a utilização da tinta comercializada pela Harco do Brasil não é comum ainda no país. Segundo Freitas, a resistência à inovação tecnológica é a principal dificuldade da companhia para vender seus produtos. “As pessoas adoram ouvir falar em inovação, gostam de conhecer, mas não têm a coragem de inovar e experimentar o produto”, opina. No mundo, mais de 1,5 mil navios utilizam essa tecnologia de isolamento.

 

Estrangeiras. A disputa com empresas estrangeiras acarreta uma maior severidade nas negociações, na avaliação de Ferreira, da Tecnolite. Ainda assim, o executivo vislumbra boas perspectivas para o setor. “Não posso dizer que nosso crescimento seria o mesmo se não existisse a entrada de empresas estrangeiras no mercado nacional, porém, com o aumento expressivo das oportunidades de negócio, ainda é possível pensar de forma otimista nos próximos anos”, afirma ele, destacando as dificuldades na importação em caso de reparo e manutenção. “Isso normalmente é lembrado pelos construtores, e influencia diretamente na decisão pela compra de produtos nacionais.”

Para a Hemir este não é um empecilho às suas atividades, pois a empresa trabalha com fabricantes estrangeiros. “Como nosso foco é serviço e como também compramos materiais estrangeiros conforme o benefício fiscal do projeto, podemos nos colocar como parceiros que trabalhem com foco no cliente. Somos prestadores de serviço para projetos de detalhamento, fabricação, construção e montagem e não estamos presos a nenhum produto”, explica Labouriau, ressaltando que a estratégia da Hemir para competir no mercado é o cumprimento de prazos previamente estabelecidos.

A opinião é compartilhada por Mattozo, da Megatherm. “Utilizamos materiais nacionais e estrangeiros também e, com o câmbio atual está até mais fácil de conseguir materiais importados de alta qualidade. No Brasil também encontramos materiais de boa qualidade, mas conforme o tipo de produto eventualmente você tem que lançar mão de material importado”, diz. Para assessorar os clientes quanto às melhores soluções para cada aplicação, a companhia conta com engenheiros qualificados. “Vamos às obras, aos projetistas navais, em caso de novos projetos, ou ao pessoal que opera os navios e as plataformas e precisam fazer alguma manutenção ou adaptação dos equipamentos. Muitas vezes os equipamentos foram projetados para operar em outros países e, quando vem para o Brasil são executados sob condições diferentes e então precisamos fazer essa adaptação”, explica.

Como diferencial da companhia, a Megatherm aposta no treinamento de seus profissionais. “A gente preza muito a qualidade, então temos que ter uma mão de obra sempre muito bem treinada para executar o que o cliente precisa. O aluguel de um barco ou de uma plataforma é muito caro, então temos que atender rapidamente de uma forma eficiente e dentro das normas de segurança e técnicas de engenharia”. O rápido atendimento também é uma das missões da Rockfibras. “Temos atuado com preços competitivos e prazo de entrega de cinco dias, o que tem atendido às expectativas dos nossos clientes, que não precisam demandar área para estocagem”, finaliza Navarro.

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