Navios possuem diversos equipamentos elétricos ou que necessitam de eletricidade para o seu funcionamento. No caso dos submarinos convencionais a importância da eletricidade é maior, pois desde os primeiros submarinos do tipo construídos na virada do século XIX para o XX, a propulsão fica a cargo de um motor elétrico (alimentado por energia acumulada em baterias) quando ele está mergulhado abaixo da cota periscópica. Já na superfície o(s) eixo(s) eram acionados por motores de combustão interna, geralmente ciclo diesel. Nos submarinos convencionais das últimas décadas, como é o caso do S-BR (derivado do Scorpene francês), a propulsão se dá pelo motor elétrico em qualquer situação (submerso, imerso ou em cota periscópica com uso de snorkel), pois os motores diesel não têm ligação direta com o eixo do hélice, e sim com geradores, que fazem girar para fornecerem energia elétrica para o motor e para as baterias.

A Marinha do Brasil elegeu a nacionalização dos motores elétricos auxiliares e do motor elétrico principal (MEP) como projetos prioritários do Prosub. Os motores elétricos auxiliares num submarino acionam basicamente equipamentos como ventiladores, compressores e bombas centrífugas. Já o MEP é um motor elétrico de dimensões consideráveis que compõe o sistema de propulsão do submarino, fazendo girar eixo e hélice.

A fornecedora de motores elétricos do programa Scorpene é a empresa francesa Jeumont Electric, cuja história na produção de motores remonta a 1898. Ela produz itens como o MEP, o gabinete do MEP e os geradores. A Jeumont também projetou e construiu o motor elétrico da planta experimental de propulsão do submarino nuclear (LABGENE) que a Marinha do Brasil está construindo no Centro Experimental de Aramar – Iperó-SP.

 

Em nota à imprensa divulgada pela Jeumont em junho de 2015,  quando estava prestes a entregar o equipamento para o LABGENE, ela informou que se tratava do “maior e mais potente motor síncrono de imã permanente do mundo”, que com “seis metros de comprimento, três metros de largura, e quatro metros e meio de altura, pesa 72 toneladas.”

O motor entregue para o LABGENE é do mesmo tipo que propulsionará o futuro SN-BR Álvaro Alberto, o primeiro submarino nuclear brasileiro, a ser construído após os quatro S-BR, convencionais (em próximas matérias, abordaremos o estágio de construção desses submarinos). Já estes são propulsados por versões menores, mais leves e de menor potência, adequados a submarinos de cerca de 2.000 toneladas de deslocamento (o futuro Álvaro Alberto deverá deslocar o triplo), porém com a mesma tecnologia.

Para padrões industriais a Jeumont Electric é uma empresa de pequeno porte, que emprega cerca de 650 pessoas. No entanto, no mercado naval militar ela é fornecedora para um número considerável de marinhas como da França, Índia, Itália e Paquistão. Mais recentemente ela foi selecionada como uma das principais fornecedoras para o programa SEA 1000 do governo australiano, que prevê a construção de uma dúzia de submarinos em parceira com o Naval Group (ex-DCNS).

Durante as negociações de offset do Prosub a Marinha do Brasil selecionou a Jeumont Electric para participar de três projetos prioritários. São eles:

Motor Elétrico Principal (MEP)

Gabinetes do MEP

Geradores

Foram realizadas diversas reuniões com a Jeumont para tratar dos detalhes e elaborar os contratos. A Marinha selecionou a brasileira WEG para receber a transferência de tecnologia para o MEP. A WEG já havia sido escolhida para o programa de nacionalização do Prosub para fornecer motores elétricos através de uma parceria com a Ensival Moret (empresa absorvida de multinacional suíça Sulzer).

A WEG é uma empresa multinacional brasileira, com sede em Jaraguá do Sul (SC), que possui filiais espalhadas em 29 países e que, só no exterior, conta com uma dúzia de fábricas. O seu quadro de colaboradores conta com cerca de 30 mil pessoas, sendo três mil deles engenheiros. Realmente a WEG é uma empresa de peso no seu segmento e que muito orgulha os brasileiros.

Diante do tamanho da WEG, a Jeumont “apequenou-se” (não em capacidade ou tecnologia, mas em porte). As negociações com a empresa francesa, que detém os direitos intelectuais dos motores, travou. É possível intuir que a Jeumont tenha se sentido ameaçada, pois a WEG poderia roubar dela boa parte do mercado ao absorver tecnologias que ainda não domina.

S-BR e SN-BR

A Jeumont acabou pedindo quantias financeiras milionárias para que ocorresse a transferência de tecnologia, o que a Marinha não aceitou. A soma pedida pela empresa francesa era tão alta que praticamente equivaleria aos custos para se investir num projeto de MEP totalmente nacional a partir do zero. Este caminho não foi seguido pela Marinha porque o tempo necessário para projetar e desenvolver um protótipo levaria mais de quatro anos, ocasionando assim atrasos consideráveis ao programa, fora os custos.

Sendo assim, o MEP será um dos itens do programa do S-BR que não terá nacionalização, e os motores para os quatro submarinos convencionais serão importados, pois o custo-benefício da nacionalização (ou do desenvolvimento local) não compensaria. A transferência de tecnologia do MEP deverá ocorrer em aspectos como a manutenção local dos equipamentos.

No entanto, a Marinha avalia com carinho a possibilidade de desenvolver um motor elétrico totalmente nacional para futuros submarinos. Vale lembrar mais uma vez que, assim como os S-BR (convencionais), o futuro SN-BR Álvaro Alberto também será propulsado por motor elétrico. Nesse caso, ao invés de baterias ou geradores diesel, o MEP do SN-BR receberá energia de turbogeradores (arranjo turbo-elétrico que terá duas turbinas acopladas a geradores, um conjunto dedicado a gerar energia elétrica para a propulsão, outro para os sistemas do submarino). Os turbogeradores girarão pela força do vapor gerado em trocadores de calor / geradores de vapor, sendo o calor fornecido por um reator nuclear.

Fonte: Naval

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