Porto do Açu

Explosão de vendas a caminho

Embora o mercado já esteja aquecido, fornecedores de mobiliário naval consideram que entrada em operação de novos estaleiros pode alavancar vendas nos próximos anos

Estaleiros repletos de pedidos sinalizam aos fornecedores de mobiliário naval que o mercado já está aquecido. Até 2020, o Brasil tem encomendas para construir 50 plataformas de produção, 50 sondas de perfuração, 500 embarcações ‘offshore’ e 130 petroleiros, de acordo com dados informados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante a entrega de um prêmio do setor naval no último mês de novembro. Os fornecedores de móveis que equipam as embarcações acreditam que a entrada em operação de novos estaleiros pode alavancar ainda mais as vendas nos próximos anos.

 


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De acordo com o diretor da Lacca Marine, Renato Cacciola, o mercado é considerado bom, mas poderá estar muito melhor nos próximos anos com a abertura e o início das atividades de novos estaleiros. “Temos uma projeção muito grande de navios a serem entregues em médio prazo. O mercado ainda não se aproximou de números ideais, porque ainda não se chegou ao momento da compra [para essas embarcações].  A estrutura de estaleiros não está pronta, mas quando começarem a operar isso vai estourar”, acredita ele, contabilizando que os próximos dois anos devem ser ainda melhores para o setor.

O diretor da Deconav, Eduardo Tavares, concorda que a demanda deve aumentar assim que os novos estaleiros começarem a operar. “Há muita obra, mas não estamos vendo-as sair, porque os estaleiros ainda estão sendo construídos. Quando todos eles estiverem operando, a demanda vai estar realmente efetiva”, afirma ele, acrescentando que, diferentemente da época da crise da indústria naval, agora o mercado está melhor em função da continuidade do trabalho.

Quem também acredita em um mercado mobiliário ainda mais promissor nos próximos anos é o diretor de operação e negócios do Grupo Tecnolite, Edson Ferreira. “Com o aumento significativo do número de embarcações e plataformas novas licitadas ou em construção, esperamos uma grande explosão na procura por esse e outros produtos de nossa linha de fabricação”, declara ele. O gerente da Dânica-Norac Naval & Offshore, Rodrigo Epíscopo, lembra também que, além das novas embarcações, a reforma de navios existentes também é um nicho de mercado para os fornecedores.  “O mercado mobiliário, assim como todos os mercados que envolvem a indústria naval e offshore no país, está bastante aquecido. São muitos navios em construção, além de embarcações e plataformas sendo reformados. O país também conta com uma carteira bastante interessante para os próximos oito a dez anos”, estima o executivo.

Resistência ao ambiente marítimo e atenção com a segurança da tripulação, evitando quinas vivas para que, com o movimento do navio, os tripulantes não se machuquem: esses são alguns dos principais aspectos levados em consideração pelos estaleiros na hora de escolher o mobiliário de uma embarcação. Embora a decisão final sobre estilo e padrão dos móveis dos navios seja tomada pelo armador, o estaleiro também pode influenciar na escolha.

O estaleiro STX utiliza um pacote de acomodações, que envolve, além do mobiliário,  revestimento do navio, anteparas, tetos, pisos e isolamento. Atualmente trabalham com o STX quatro fornecedores. Para atender às exigências de conteúdo local, há uma preferência por produtos nacionais, segundo o chefe do Departamento de Acabamento do STX, Luiz Braga. “Atualmente todo o nosso mobiliário é de fabricação nacional. O máximo de material que pudermos nacionalizar em relação a acomodações, anteparas, portas, módulos de banheiros, é importante”, diz ele, relatando que o custo do mobiliário frente ao valor da embarcação é baixo, e que o percentual pode variar de acordo com o tipo de navio e com o número de tripulantes.

O padrão dos móveis é uma escolha do armador e, de acordo com Braga, eles têm optado por linhas mais retas. Se as cores do mobiliário não têm mudado tanto, em estofados, por exemplo, já se percebe um pouco de ousadia nas cores. “Quando se fala em mobiliário, a maior parte é o padrão madeira, mais clara ou escura, de acordo com a preferência do armador. Nas cores, variamos mais em estofados, cadeiras, poltronas, sofás. A cortina também pode combinar para dar um efeito melhor”, afirma Braga.

Para Cacciola, da Lacca Marine, os armadores ainda são conservadores e preferem manter as embarcações com o mesmo padrão visto atualmente. “Dançamos conforme a música. Não adianta no mercado naval querer inventar móvel amarelo, vermelho, redondo. O armador é muito conservador e tem receio de arriscar”, opina. Na Dânica-Norac, Epíscopo conta que não há regra definida. Assim como a companhia recebe clientes tradicionais, segundo o executivo, também já houve situações em que o cliente exigia exclusividade nas cores.

O diretor da Hemir, Bruno Labouriau, também concorda que o estilo e padrão de cada mobiliário varia de acordo com cada cliente. “A ousadia sempre vai depender de quem compra. Mas curvas, por exemplo, sempre vão prevalecer em relação às quinas, seja no offshore, seja no lazer náutico”, afirma ele. Atuante no mercado naval desde 1998, a empresa fornece o chamado turn key nas acomodações, ou seja, a montagem integrada de todos os itens, desde os suportes de sustentação das placas de teto, instalação e comissionamento de equipamentos do passadiço, até tubulações de águas servidas, isolamento térmico, passagem de cabos e caminhos mecânicos, além de sistema HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado). Os móveis normalmente são subcontratados.

O material utilizado na confecção dos móveis também fica a critério do armador. No STX tem sido utilizado com mais frequência o MDF, segundo Braga. “Tem um acabamento bom e é fácil de trabalhar”, diz ele. Para boa parte dos fornecedores, esse também tem sido o material mais solicitado pelos estaleiros e armadores para confeccionar os móveis. Cacciola destaca que a vantagem do MDF revestido com melamina madeirada é o custo mais baixo. No entanto, alguns armadores dão preferência ao compensado por ser mais leve. “O compensado pesa em torno de 30% a 40% menos que o MDF. Então tem armador que diz que prefere levar peso pago, ou seja, carga, e não peso morto”, afirma ele, acrescentando que a garantia de três anos dos móveis da Lacca Marine é a mesma, independente do material utilizado na produção do móvel.

Ser mais barato, mantendo a qualidade, e ter maior facilidade de produção, diminuindo assim o lead-time, foram as duas vantagens apontadas por Epíscopo, da Dânica-Norac, para justificar a maior procura pelo MDF. A companhia não fabrica móveis. Ela é fornecedora de mobiliário de parceiros, como a Wood Solutions, e trabalha com MDF e compensado naval.

Por outro lado, na Deconav, a maior demanda tem sido por móveis de compensado naval revestido com laminado plástico. “Além de a fórmica possuir o certificado de fogo retardante aprovado pelas sociedades classificadoras, ela possui também uma resistência maior a abrasão do que a melamina do MDF”, explica Tavares, ressaltando que as linhas de mobiliário desenvolvidas pela empresa têm design moderno e primam pela segurança a bordo com a utilização dos cantos arredondados nos móveis.

Na Tecnolite, a preferência é a confecção de mobiliário em aço carbono ou inox visando à preservação ambiental. “Nosso sistema visa a minimizar o uso de materiais e ferramentas que impactem o meio ambiente. Toda sobra de material de fabricação do mobiliário é destinada para reciclagem e praticamente não há perda de material”, salienta Ferreira. Para reduzir os impactos ambientais, alguns fabricantes têm optado até mesmo pela compra de madeira de reflorestamento para tornar o processo construtivo mais ambientalmente correto.

Outra preocupação dos fornecedores é a de proporcionar um ambiente mais “humanizado”aos tripulantes da embarcação. A Tecnolite, por exemplo, constantemente elabora estudos de ergonomia para a criação de novas soluções para os seus mobiliários. “O conceito que propomos é deixar os usuários mais próximos de casa, oferecendo mobiliários com materiais, formas, texturas, cores e conforto similares às encontradas no lar, com o diferencial de ser totalmente resistente ao fogo”, diz Ferreira.

Cacciola, da Lacca Marine, também destaca que a modernização das linhas de móveis tem contribuído para melhorar a estética do ambiente. “Elas estão mais modernas, mais leves. Os acabamentos preferidos dos clientes são os madeirados claros em conjunto com o branco. Mas ainda tem plataformas antigas que ainda utilizam beliche de aço. Parece que a pessoa está na prisão”, compara ele, brincando.

Investimento em novas unidades e equipamentos para melhorar a performance de suas instalações também tem sido feito pelas empresas. Com parque fabril situado em Atibaia, no estado de São Paulo, o grupo Tecnolite estuda a abertura de uma nova unidade em Pernambuco. A fábrica, diz Ferreira, contemplaria não só a fabricação de mobiliários, mas também toda a sua linha de produtos relacionada a navipeças, como painéis, anteparas, divisórias, portas e escotilhas.

“O Grupo Tecnolite vem trabalhando intensamente no aumento da sua capacidade produtiva e ampliação de sua linha de produtos, buscando preços competitivos, os melhores prazos e o maior índice de nacionalização”, afirma o diretor de operações e negócios do Grupo, destacando que o faturamento da empresa no fornecimento de materiais aumentou no ano passado cerca de 30% se comparado com o ano de 2011. O Grupo Tecnolite foi fundado em 1964 na Itália e nacionalizado em 1996.

Visando ao crescimento da demanda, a Deconav prevê inaugurar neste mês de janeiro um novo galpão na sua fábrica, localizada em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Com área aproximada de dois mil metros quadrados, a unidade abrigará o setor administrativo, vestiários, almoxarifado, áreas para inspeção, embalagem, estocagem e expedição do mobiliário. “Foi um investimento que fizemos nos preparando para essa nova demanda, que deve começar a aparecer no mercado em meados desse ano”, estima Tavares.

No ano passado, a companhia finalizou a instalação da tecnologia 3D CAD, que auxilia no planejamento do corte do móvel, e o treinamento do pessoal. Também foram adquiridas máquinas que permitem o link entre elas e o software. “Os investimentos foram feitos com o objetivo de aumentar nossa produtividade com mais qualidade, aproveitamento de materiais, redução do prazo de fabricação e de custos para atender à nova demanda de mercado”, declara Tavares.

A Lacca Marine também adquiriu seis máquinas novas para garantir uma produção mais rápida e precisa. Entre elas estão seccionadoras e coladeiras de bordo. No aspecto ambiental, a companhia também investiu no ano passado em uma central de coletagem de pó para dar um fim adequado aos resíduos. Já as alterações nos projetos de móveis – em razão do conservadorismo dos armadores, segundo Cacciola, vão acontecendo gradativamente. “Vamos aos poucos fazendo alterações, principalmente técnicas, como em ferragens novas ou sistemas de montagem mais seguros. Como somos fabricantes de móveis há muitos anos, temos todo o acesso ao que existe de mais moderno em acessórios e ferragem”, gaba-se o diretor.

A Tecnolite duplicou sua capacidade produtiva no ano passado para atender aos pedidos existentes. Para o início desse ano, a companhia pretende aumentar essa capacidade em mais 50%. Para Ferreira, o aquecimento do setor naval promete um crescimento significativo às fornecedoras e prestadoras de serviço do ramo de mobiliário naval. “O mercado tem hoje inúmeras grandes obras de construção naval, além das manutenções que sempre existiram e outras que vêm em uma crescente devido às diretrizes da Petrobras em intensificar essa manutenção nas plataformas de petróleo antigas”, comemora o executivo.

Para aumentar qualidade e o volume da produção, Epíscopo, da Dânica-Norac, diz que a empresa tem investido em maquinário principalmente para as áreas de painéis, portas e acessórios, já que o volume de vendas está cada vez maior. “Atualmente possuímos os produtos mais modernos e que atendem completamente a necessidade e solicitações dos clientes, mas nem por isso deixamos de inovar, inclusive com detalhes como fixações, ferragens e acabamentos de primeira linha”, ressalta o executivo.

As vendas da Dânica-Norac cresceram mais de 300% no ano passado em relação ao ano de 2011 e a companhia está bastante satisfeita com o volume e o aumento das vendas. Para 2013, a empresa espera ainda mais. “Temos a perspectiva de dobrar o faturamento de 2012, visto as negociações das quais estamos participando e as informações que temos de mercado. Vamos investir ainda mais na nossa linha de produção para atender a esse aumento de volume”, afirma Epíscopo. O Grupo Dânica está no mercado brasileiro há mais de 35 anos, mas a Dânica-Norac surgiu em 2007. Dentre as seis fábricas do grupo, duas atuam com a divisão Naval e Offshore e estão instaladas em Joinville, no estado de Santa Catarina, e no município de Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul. Até novembro do ano passado, a empresa já havia mobiliado sete embarcações.

Tavares, da Deconav, espera um crescimento nas vendas de 35% para 2013 em razão do número de consultas que a empresa tem recebido. No ano passado, a companhia faturou 22% a mais que em 2011. Entre seus clientes está o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A companhia mobiliará os dez petroleiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) que estão sendo construídos em Suape, no estado de Pernambuco. “Produzimos de acordo com o cronograma deles. Já entregamos cerca de 70% dos móveis do segundo navio, que é o Zumbi dos Palmares, e vamos começar a entrega do terceiro no início de 2013”, conta Tavares. A embarcação foi lançada ao mar no último dia 23 de novembro. Com 274 metros de comprimento, 51 metros de altura e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo, o navio deve entrar em operação nesse primeiro trimestre.

A companhia também é a responsável pelo fornecimento do mobiliário e montagem de arquitetura de dois navios bauxiteiros da Log-In e de dois PSV OSRV da Astromarítima. As embarcações estão sendo construídas no estaleiro Eisa. Os mesmos serviços também serão prestados pela companhia nos dois petroleiros da Transpetro que estão sendo produzidos no estaleiro Mauá. O diretor da Deconav conta que a companhia também mobiliou o navio Germânia, contratado pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm) da Marinha para dar apoio ao desmonte da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), parcialmente destruída por um incêndio em fevereiro do ano passado, e à instalação dos módulos antárticos emergenciais. Entre outras atividades, será finalizado o desmonte das toneladas de aço da base operacional, que deve ser concluído até o próximo mês de março, quando termina o verão no continente. Após esse período, as condições meteorológicas não permitem mais atividades deste tipo.

Segundo Tavares, em menos de um mês, a empresa montou as acomodações para 70 pessoas, incluindo copa, cozinha, sala de estar, refeitório e vestiários. “Esse navio é um ro-ro. Na parte interna da rampa, construímos as acomodações para levar os funcionários para poderem trazer os escombros. A embarcação chegou aqui no dia 30 de setembro e foi embora pronto no dia 26 de outubro. Fizemos tudo isso em três semanas, porque temos hoje um quadro de mão de obra de 160 pessoas para a parte de fábrica e montagem. Foram dois turnos ininterruptos durante esses dias”, conta o diretor, destacando que a especialização de seu pessoal é um dos diferenciais da empresa.  No mercado desde 1995, a Deconav atua não só na fabricação do mobiliário, mas também na elaboração de projetos e montagem de materiais de arquitetura, como isolamento térmico, acústico, proteção passiva, revestimento de piso, painéis, forração de antepara e tetos a bordo das embarcações.

Presente desde 1979 como EMI Empresa de Montagens Industriais inicialmente na área de Estrutura e tubulações, a Hemir vem trabalhando com sistemas de acomodações desde 1998. As vendas da empresa no ano passado se mantiveram estáveis em razão de contratos de natureza contínua. Com quatro embarcações mobiliadas até novembro do ano passado, das quais três referentes a reparo e uma à construção, as perspectivas, segundo Labouriau, são excelentes em função de contratos assinados para integração completa e manutenção de sistemas de acomodações.

— Nossas instalações em Rio Grande e em Niterói estão a todo instante se preparando para as exigências do mercado rigoroso, que é o offshore. Hoje somos integradores de todas as disciplinas presentes nos casarios. Fazemos um gerenciamento construtivo, que é a melhor opção para um resultado positivo —, garante o executivo.

Com aumento de vendas de 20% no ano passado frente aos resultados de 2011, a Lacca Marine prevê um crescimento de, pelo menos, 40% para esse ano. Com mais de 38 anos de experiência em móveis para hotéis e residências, a empresa atende ao mercado naval desde 2005. A partir daí, a companhia iniciou a produção de mobiliário naval para a composição de interiores de navios e plataformas. O peso do setor naval no negócio da empresa ainda é de 20% apenas, mas Cacciola acredita que o segmento vá se igualar ao residencial em pouco tempo. “Imagino que a nossa produção fique meio a meio nos próximos dois anos. Antes disso acho difícil, não por causa das vendas, mas porque não tem onde fazer os navios”, opina.

O estaleiro Aliança foi o primeiro cliente da Lacca Marine. Segundo Cacciola, a experiência no setor residencial contribuiu para a ascensão da companhia também no segmento naval. “Os donos de estaleiros e armadores já nos conheciam por terem nossos móveis em casa. Ter essa bagagem foi muito útil e positivo para nós”, diz Cacciola. A Lacca atua desde a fabricação dos móveis até a montagem, passando pela entrega. Segundo o executivo, a companhia consegue entregar a mobília de um navio de apoio, com 25 a 30 tripulantes, entre 45 e 60 dias.

A fábrica da empresa está situada no Rio de Janeiro. A proximidade com os estaleiros, segundo o executivo, permite maior agilidade e eficiência no atendimento aos clientes. “Se faltar uma gaveta ou se der um problema em uma porta, por exemplo, no dia seguinte uma outra está lá,”garante o diretor. Com mobiliário produzido no Brasil, Cacciola destaca que os fabricantes brasileiros só perdem o negócio quando o navio já vem pronto lá de fora. “Às vezes é muito mais importante para o armador nacionalizar algo mais técnico, não porque o Brasil não tem condições de produzir, mas porque existem itens lá fora que são muito mais avançados no aspecto tecnológico. No mobiliário, estamos em igualdade de condições. Tanto o meu como o da concorrência são bons em relação ao que existe lá fora. Não deixamos a desejar”, compara ele.

Mobiliar contêineres habitacionais também tem sido um nicho de mercado para a companhia. Normalmente são alojamentos nos quais dormem quatro pessoas e são colocadas dois beliches, duas estantes e duas poltronas. É mais uma oportunidade que surge. “Temos projeto bastante funcional para isso. Temos cotações em andamento e já mobiliamos mais de 50 contêineres”, conclui Cacciola.

 

Meta na construção do primeiro casario no Brasil

Construir o primeiro casario completo no Brasil: esse é um dos objetivos da Almaco, instalada no Brasil em 2011 com a abertura de um escritório no Rio de Janeiro. Companhia finlandesa, a Almaco realiza desde o estudo conceitual de arquitetura e engenharia, executa o projeto básico e seu detalhamento, constrói o casario e as cabines modulares para quartos e banheiros, gerencia o projeto, instala, comissiona o módulo, além de fornecer o suporte de pós-venda. Na avaliação do gerente geral da empresa no Brasil, Alexandre Vilanova, a construção da superestrutura metálica é uma possibilidade de se aumentar o conteúdo local. Para isso, a companhia vem desenvolvendo fornecedores locais para atuar como parceiros.

 

“É um desafio fantástico para todos e acreditamos que existe uma indústria muito bem preparada para isso. A ideia é fazer isso junto com todos os parceiros que pudermos trabalhar. Queremos atuar com os dez melhores ou dez mais bem preparados para entrar nesse desafio, que é fazer o primeiro casario de grande porte completo no Brasil. Isso nunca foi feito, acreditamos que é uma das melhores oportunidades para o aumento do conteúdo local”, avalia o executivo. A chance surgiu principalmente por causa da construção das 28 sondas no Brasil, que serão operadas pela Sete Brasil para a Petrobras. “O mercado está pedindo isso fortemente. A primeira tendência aconteceu com as oito replicantes, mas a decisão da Ecovix foi de importá-los da China. Estamos trabalhando duro com os estaleiros, eles têm pedido claramente para que façamos isso no Brasil e queremos fazer”, diz ele.

A primeira parceria foi formada no ano passado com a Hemir, cujo objetivo é transferir em um regime de cooperação técnica o conhecimento e experiência da Almaco a fim de aumentar a capacidade local. “O trabalho com eles já começou a ser feito, eles têm acesso a todo tipo de documentação técnica da Almaco, como desenhos, procedimentos e práticas de instalação. Construímos desde as cabines modulares, onde estão quarto e banheiro, os móveis, os equipamentos de interior e eles instalam”, explica.

Mas se a Almaco é responsável por toda a parte do mobiliário naval, desde o projeto conceitual até o pós-venda, por que a empresa vem buscando parcerias? “Porque quem tem olho grande não entra na China”, brinca Vilanova. “É preciso respeitar as especialidades que algumas empresas têm. O segredo de sucesso da Almaco no mundo inteiro foi fazer aliança com empresas locais estabelecidas que sejam especialistas no que fazem. Por isso que, em vez de trazer dez estrangeiros para cá e fazer instalação treinando pessoas jovens, que é uma alternativa que muita empresa faz, preferimos fazer um acordo formal com a Hemir”, explica ele.

Vilanova destaca também que a Almaco é uma integradora de todo módulo e um potencial parceiro para fabricantes de móveis brasileiros. “Atuamos em cada país com o máximo de conteúdo local disponível. No caso do Brasil, entendemos que os desafios são muito interessantes, uma vez que nunca se construíram módulos completos de grande porte aqui para unidades com mais de 100 profissionais a bordo. Nosso plano é transferir tecnologia e conhecimento para os parceiros locais”. O executivo conta que a Almaco tem know how de design de interior bastante forte e o objetivo é ser no Brasil o melhor projetista, gestor de projetos e integrador de módulo possível.

Vilanova diz ainda que os projetos que o Brasil tem para as plataformas offshore ainda são padrões bem básicos em relação a conforto, desenho e manutenção. Para ele, design interior é mais aplicado em navios de cruzeiro, pois existe um foco no bem-estar dos passageiros e experiência a bordo. No setor offshore, diz o executivo, ainda não há um destaque para esta perspectiva. “Já recebemos alguns pedidos de cotação e especificações e ainda não percebemos uma ousadia maior para  a  exploração do ambiente em designer. Por outro lado, já observamos pontos muito interessantes em relação ao aproveitamento espacial, que é uma oportunidade para ofertarmos nossas cabines modulares pré-fabricadas em terra, o que encurta o tempo de obra, elimina os problemas com instalação a bordo e interferência com outras atividades construtivas”, diz.

Foram várias as razões que motivaram a vinda da companhia finlandesa para o Brasil. Em 2010, a companhia foi visitada por uma missão do governo brasileiro na Finlândia, da qual faziam parte profissionais da Petrobras, que se interessaram pela capacidade e experiência da empresa e sugeriram uma atuação no Brasil. Além disso, diz Vilanova, a relação com estaleiros como Keppel Fels e Jurong trazia informações sobre o cenário brasileiro e os desafios de conteúdo local. A avaliação mercadológica global e o plano estratégico anunciado pela Petrobras para o setor naval também contribuíram para a instalação da companhia no país.

Para Vilanova, o cenário de novos projetos no Brasil é muito interessante, como a oportunidade dos navios sondas, além de plataformas e barcos de apoio. “Nossa meta é fornecer para estes projetos a partir de 2013”, conclui.

 

 

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