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Custos operacionais elevados

Abeam quer criar índice de reajuste de preços para o setor de apoio marítimo a fim de evitar desequilíbrio em contratos

Os elevados custos operacionais que as empresas têm que suportar para a perfeita execução dos seus contratos têm preocupado as empresas de apoio marítimo. Por isso, a Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) tem buscado, junto com a Petrobras, a criação, para inclusão nos contratos, de um índice de reajuste de preços específico para o setor. A informação é do presidente da associação, Ronaldo Lima.

“Temos tido conversas com a Petrobras a fim de criarmos, junto com a Fundação Getúlio Vargas, esse índice, que já existe hoje para operação de sondas. Queremos criá-lo para não sermos surpreendidos com contratos de longo prazo e acabarmos passando por um desequilíbrio econômico e financeiro durante esse período”, diz Lima.

Atualmente, segundo dados da Abeam, opera no Brasil uma frota de 450 embarcações, das quais 211 são de bandeira brasileira e 239 estrangeira. A estimativa de gastos com afretamentos para este ano é de US$ 4,5 bilhões. A associação estima que mais de 100 novas embarcações sejam necessárias nos próximos cinco anos para atendimento às futuras demandas do mercado brasileiro de óleo e gás. Se por um lado o cenário é promissor, por outro há diversos problemas críticos que dificultam o crescimento da atividade de apoio marítimo.


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Um deles é a carência de oficiais. O setor de apoio marítimo emprega atualmente cerca de 12,5 mil marítimos, dos quais aproximadamente quatro mil são oficiais de marinha mercante (OMM). Segundo Lima, há uma necessidade urgente de equilibrar a oferta de mão de obra de oficiais, pela disponibilização de mais vagas para formação nas escolas credenciadas — Ciaga e Ciaba. Além disso, o presidente da Abeam destaca que é necessário que as instituições contem com a devida qualificação e treinamento e adquiram simuladores modernos para as mais complexas atividades operacionais.

— A Marinha vem fazendo grandes esforços para atender a essa demanda, mas leva tempo para se ter um oficial graduado com capacidade para manobrar essas embarcações, tanto PSV mas principalmente AHTS, que é mais sofisticado. Então é necessária uma qualificação adequada e bastante treinamento, mas para isso as escolas precisam de equipamentos modernos. Algumas empresas já estão montando seu próprio centro de treinamento para ter um diferencial —, diz. Uma delas é a própria CBO, da qual Lima é diretor.

O executivo destaca também que já discutiu com a Marinha a possibilidade de formação de pessoal por outras instituições, mas tem encontrado uma forte resistência do órgão das Forças Armadas. “Levamos escolas como a UFRJ para conversar, a própria Petrobras disponibilizou a Universidade Petrobras, mas a Marinha resiste em abrir essa formação para outras instituições não só federais, mas também privadas”, lamenta.

A falta de diques para atender às docagens de reparos e manutenção das embarcações também é um assunto que preocupa a Abeam. A indisponibilidade dos estaleiros resulta em esperas por vagas, o que causa prejuízos para as empresas de navegação.

Das 127 empresas brasileiras autorizadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), cerca de 50 operam efetivamente no apoio marítimo e 37 delas são associadas a Abeam. Ronaldo Lima foi um dos palestrantes da Navalshore, realizada entre os dias 13 a 15 de agosto, e falou sobre o cenário atual, os desafios e as perspectivas para o segmento de apoio offshore.

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